Ana Stuart
29/08/2008
Festas raves
Goa é uma ilha localizada na Índia. Lá certamente existem indígenas que dançam, cantam e encantam ao som do "bate estaca".
Ao nos reportarmos a estes índios "puros de alma" virando uma noite inteira e homenageando irmão Sol e irmã Lua, observamos
aí uma manifestação cultural do mais alto teor.
Nos assustamos muito com as Raves, Goa's, e etc... Onde milhares de jovens se alucinam diante da pedreira e das matas, isso porque desconhecemos a origem inconsciente que motiva e emociona estes jovens. Acredito que eles próprios também desconheçam.
Será que trazem em seu inconsciente coletivo gravado as sensações vividas por seus ancestrais? Ou será necessidade de liberdade que os faz dançar e gritar daquela maneira, diante da música eletrônica "bate estaca", de muito colorido, canhões de imensas luzes e muitas fantasias emocionais?
Os pais, por sua vez, temem o que acontecerá a seus filhos que ficarão acordados 24 horas, se desidratando ou se drogando ao ar livre em meio a outros milhares de jovens oriundos de todas as partes do país.
Nos reportando aos anos 50 e 60, lembrando Woodstock, Hippies, hi- fi's, discotecas, John's Travolta's, Flash dance's e etc, onde os jovens se reuniam também de forma tribal para se alucinarem agarradinhos ou pulando sozinhos ao som estridente, com luzes coloridas e piscantes, quando não era ao ar livre. Ou seja, todos nós já vivemos esta fase, com a diferença de que hoje os DJs criam sons em atmosfera de muita energia.
Assim como nas micaretas e no carnaval se toca o Axé e Samba raíz por dias e noites seguidas. A única coisa que os jovens precisam entender é que eles podem curtir tudo isso com o organismo limpo, tomando água de coco e muita água mineral, hidratando-se todo o tempo.
Tenho observado que os organizadores são muitos jovens e competentes, pois unem imensa massa num só lugar e já divulgam a anti-droga, a paz e o amor. Nada mudou, tudo se repete, só que com a diferença de que hoje existem mais informações e mais divulgação dos efeitos prejudiciais de todos os tipos de drogas, principalmente as sintéticas, tão utilizadas nestes eventos.
O que estes jovens precisam entender é que podem curtir muito, com os efeitos das matas, dos sons, das luzes, do irmão Sol e da irmã Lua se sentindo em Goa, sem nenhuma substância psicoativa, mas sim com a sua incrível imaginação e criatividade.
Já imaginou se aonde alguns dos oito mil jovens vão equivocadamente para usar drogas ao som alucinante e lá encontrarem divulgação anti-drogas, vida saudável, força e energia positiva? Utopia? Não sei, só sei que os pais podem curtir juntos e que não precisa haver abuso. Lembrando também que os organizadores podem continuar aproveitando para orientar e mostrar nesta grande oportunidade aos jovens que a droga está completamente démodé. Sakô brother? Drogas já era!!!
Ana Stuart
é psicóloga e terapeuta familiar
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