Saúde
Ana Stuart Ana Stuart 20/06/2013

Agradadores Compulsivos

artigoA compulsão por agradar vem sendo muito estudada, para se entender o ato de fazer coisas agradáveis cada vez mais para obter aprovação e apreciação. No livro A Síndrome da Boazinha, de Harriet B. Braiker, o autor afirma que esta compulsão tende a ir aumentando até chegar à exaustão.

E com isso o compulsivo entra num processo de desligamento das próprias necessidades, como ocorre em todas as outras compulsões. Sendo um vicio que não e motivado fundamentalmente apenas para buscar aprovação, mas basicamente para evitar a reprovação.

No entanto, quando a pessoa chega à exaustão, ela entra num processo de ressentimento e cobranças, mudando totalmente o cenário, passando de agradadora para cobradora e vingadora. Imaginando que a vingança é a reparação do dano, vivendo desta forma em função de cobrar compulsivamente.

O mecanismo de libertação das compulsões passa pelo processo do bloqueio total ou da ressignificação. Diante das situações dolorosas e inevitáveis, o próprio cérebro passa pela flexibilidade de se distrair desfocando, ou rever - com todo cuidado - a situação desagradável.

No caso da distração, o mecanismo de defesa é o processo inverso: busca-se amigos, esportes que agradam, passeios, viagens, busca pelos familiares, evitando desta forma pessoas, lugares e pensamentos que remetam à dor.

Já no caso da ressignificação, a pessoa busca pensar na dor, na maioria das vezes de forma bastante cautelosa: tentando entender o ocorrido, as causas, as próprias reações, os benefícios secundários e possíveis consequências, tentando desta forma dar outro significado à situação. Ambas as formas são tentativas de elaborar o luto, podendo também vivenciar as duas formas concomitantemente.

É normal que em meio a todo este processo ocorram recaídas, afinal o prazer mesmo que doloroso será substituído pela monotonia, muitas vezes insuportável. Isto vale para qualquer compulsão. Ser agradador ou boazinha até com a gente mesmo requer sabedoria!


Ana Stuart
é psicóloga e terapeuta familiar.

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