Quem aproveitou para viajar na Semana Santa encontrou as estradas em péssimas condições de conservação. O período de chuvas agrava a situação e os motoristas têm que fazer esforços para se desviar dos buracos. E é aí que mora o perigo: além de furar pneu ou quebrar rodas, acidentes graves podem ser provocados.
Segundo o advogado especialista em área civil, Roberto Marinho Júnior, o motorista que se sentir lesado pelas condições de abandono das vias municipais, estaduais e federais podem cobrar na Justiça uma indenização do órgão responsável pela manutenção da estrada.
Para entrar com uma ação, Marinho orienta aos motoristas a tentar reunir
o maior número de provas possíveis para comprovar que os danos causados no veículo
foram provocados em função das crateras. "Não existe uma hierarquia de provas e nem
um limite. Para comprovar a ocorrência do fato (evento danoso) e o dano decorrente
do fato (nexo causal), deve-se apresentar o boletim de ocorrência e o orçamento de
uma oficina idônea ou nota fiscal dos reparos no carro"
.
O advogado ressaltou também a importância de uma testemunha. "O policial que fizer
a ocorrência pode depor. Ele é considerado de fé pública, por isso uma boa pessoa para
relatar o acontecido"
, afirma.
Roberto Marinho declara ainda que é comum a incidência de processos pela má conservação
das vias e que o parecer da Justiça costuma ser favorável aos usuários. "A responsabilidade
da Administração Pública é objetiva. Ela tem que indenizar mediante simples prova da
ocorrência de um dano particular, sem necessidade de se provar culpa do órgão, quando
o prejuízo tiver relação com o serviço público.
No entanto, se houver negligência da administração, é necessário provar a falta ou má execução e sendo provado, pode acontecer do motorista não ser indenizado quando ficar demonstrado que não houve cuidado para se evitar o prejuízo. A Justiça pode alegar que o motorista têm obrigação de redobrar as cautelas no volante, quando já reconhecida as más condições da pista. Entretanto, cada caso tem suas peculiaridades", explica.