Maioridade não é desculpa para fim da pensão alimentícia STJ garante defesa aos filhos maiores de idade e pai precisa provar que o pagamento da pensão não é mais necessário
Repórter
22/08/08
Em arquivo:
A advogada Joana D'arc Gouvêa Costa diz que o número de pedidos de extinção ou redução da pensão alimentícia após a maioridade é grande em seu escritório. Agora, a lei está do lado dos filhos.
É que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou, no último dia 18, uma súmula, garantindo que o fim da pensão não está ligada à maioridade do filhos. Com a súmula, eles têm o direito de serem ouvidos pelo juiz, caso os pais queiram extinguir o pagamento em função de o filho completar 18 anos - o que é chamado de direito ao contraditório.
Além do direito ao contraditório, os alimentados ainda são beneficiados com o fato de
os pais interessados em extinguir a pensão precisarem provar
que os filhos não precisam mais dela.
"Antes desta Súmula, era o filho quem precisava provar que ainda necessitava de ajuda. Agora,
é o alimentando quem precisa mostrar que o pagamento não é mais necessário. Ficou mais difícil
extinguir a pensão"
, explica a advogada.
Dessa forma, a pensão não acaba automaticamente com a maioridade. É necessário decisão judicial. "Com
a redução da capacidade civil de 21 para 18 anos, muitos pais estavam entrando na justiça
para deixar de pagar a pensão antes"
, diz. Segundo ela, o contraditório já era
feito pelos juízes por questão de cautela. "Agora, a justiça transformou em regra"
,
completa.
Com o direito ao contraditório garantido, o pedido de extinção da pensão passa a ser
um processo e não somente uma petição. "Em um processo, os dois lados devem ser ouvidos e
provas precisam ser apresentadas"
, esclarece.
Os ministros entenderam que mesmo o poder pátrio cessando com a maioridade, os filhos
continuam precisando de ajuda para estudar, trabalhar, se alimentar e em casos de doença.
"Mesmo que o filho trabalhe, pode não ser suficiente"
, diz a advogada. E completa.
"Aos 18 anos, é a época em que os filhos mais precisam de ajuda, pois estão entrando na faculdade"
.
Veja o texto da Súmula 358
"O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos."
Segundo Joana, os pais pedem o cancelamento da pensão quando não têm muito contato com o filho
e, por isso, não há muita afetividade. Ou por acharem que os filhos mais novos,
do casamento mais recente, são mais importantes. Entretanto, ela
explica que o dever de alimentar é eterno, apesar de se modificar com o tempo.
"Vai chegar uma hora que o filho não vai precisar de ajuda mais. Ou então
os pais é que vão precisar ser ajudados por eles"
.
No caso de filhos adultos e que ainda lutam pela pensão, a advogada explica que
o pedido também vai passar pela análise do juiz. "É muito difícil ver filhos adultos, que
não trabalham, recebendo pensão,
a não ser em caso de doenças ou por não conseguirem se adaptar socialmente"
.
Entenda a pensão
A pensão é um direito dos filhos desde que eles nascem até o momento em que
conseguem se sustentar sozinhos. Joana explica que a capacidade e a necessidade
são dois fatores que norteiam o pagamento. "Ela tem como base um binômio. O juiz
leva em consideração a capacidade de quem paga e a necessidade de quem recebe"
.
Isso é necessário, porque o filho precisa ter um padrão de vida compatível com o
de quem paga a pensão. Esta regra serve para pais e filhos de todas as classes sociais.
Por isso, a pensão pode se modificar com o tempo. "Um pai pode vir à falência
e outro, ganhar na loteria"
, exemplifica.
O pagamento é obrigatório em todos os casos e o fato de estar desempregado não desobriga
o alimentando de sua obrigação. "Ninguém é exonerado do pagamento.
Nem que o valor seja de R$ 10, mas ele tem que pagar"
, diz. E, se ela não for paga
durante três meses, o responsável pelo pagamento é preso.
Entretanto, para ela, a pensão não é somente um dever monetário, mas afetivo. "É uma forma
de o filho perceber que é querido. É o pagamento que possibilita o investimento
em educação, alimentação e saúde"
, completa.
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