Só Sabor

A Fantástica fábrica de chocolate

O passo a passo da sua empresa de chocolate

Plano de Negócios - Incidentes, como ter um produto encalhado, podem ser evitados com um planejamento antes da implantação da empresa. "O primeiro passo deve ser montar um plano de negócio, que é um documento que vai formalizar toda a idéia desde a estratégia e o processo de produção até a questão finaceira", aconselha Ricardo Thielmann (foto ao lado), gerente do Núcleo de Gestão do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF (CRITT).

Ele lembra que em pedidos de finaciamento acima dos R$ 50, o plano de negócio é exigido pelas instituições finaceiras. E, composto por diversos itens dentro de quatro áreas principais:

  • Negócio - o que é, qual a posição estratégica terá no mercado e como quer ser conhecido;
  • Aspectos mercadológicos - análise de fornecedores, clientes e concorrentes;
  • Processo de produção - tecnologia que vai ser aplicada, local, equipamento, mão-de-obra, metodologia de fabricação, transporte;
  • Aspectos finaceiros - análise da viabilidade do negócio, relação custo-benefício;
  • "O plano de negócio pode evitar a falência prematura da empresa", constata Marcos José Marques (foto abaixo), assessor do Secretário de Desenvolvimento Tecnológico da UFJF.

    Enfrentando o mercado
    A cozinha da fábrica de Rubens Kayambá (como vimos no ínício do texto) fica à mostra. Uma idéia que o artista tirou de restaurantes de São Paulo. Segundo ele, vendo como se faz o chocolate a pessoa pode conferir a higiene do local e dos funcionários, além de visualizar o chocolate em transformação. A visão também ativa o paladar, deixando o cliente com água na boca. É nessa hora que Kayambá dá o xeque-mate e oferece uma prova do doce. Da prática, ele tirou o slogan: "O único que você prova antes de comprar".

    Este tipo de estratégia vai ao encontro da necessidade de um diferencial, apontada tanto pelo consultor do Sebrae, Paulo Veríssimo, quanto pela equipe do CRITT. "A pessoa pode se profissionalizar, sem perder o caráter artesanal do produto, que é um diferencial", diz Thielmann. A característica da fabricação artesanal está tanto na escala de produção, quanto na apresentação do produto. "Uma boa alternativa é usar embalagens também artesanais", sugere Patrícia Rezende, consultora do Núcleo Agroalimentar do CRITT.

    Fornecedores
    Na hora de escolher os fornecedores é bom levar em consideração a credibilidade do fabricante junto ao mercado, conhecer o processo de produção e verificar se o produto está registrado na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), explica Daniela Xavier (foto ao lado), do Núcleo de Atendimento Tecnológico do CRITT.

    O consultor Sebrae, Paulo Veríssimo, lembra que é muito importante o empreendedor conhecer o produto para reconhecer possíveis alterações nos ingredientes. "Ele tem que observar os sinais do mercado. Se o cliente não quer mais comprar pode ter algum problema", completa. Paulo conta que, nem sempre a opinião de um cliente deve gerar um transformação, mas pode sugerir variações dos produtos existentes que atendam às novas necessidades.

    As empresas que fornecem o material para Rubens Kayambá, por exemplo, já trabalham com ele há muito tempo. "Uma parceria que me permite dar prazo para os clientes de até um mês", comemora. A escolha dos fornecedores foi feita através de pesquisa. Durante o primeiro ano, ele fez experiências com várias marcas, até porque nem sempre conseguia achar a mesma para vender em Juiz de Fora e observou a aceitação do público. Escolhida a marca, o empresário começou a comprar direto do fabricante.

    Sazonalidade
    O chocolate tem uma receptividade na Páscoa bastante superior do que nos outros meses. E isso deve ser levado em consideração na hora de planejar o negócio.

    Denise Firmo (foto ao lado), assessora de comunicação do CRITT, lembra que a alta de vendas durante a Páscoa tem que ser suficiente para compensar a época de menor venda, conseguindo um equilíbrio na curva de rendimento. Outra opção é criar outras formas de vender o chocolate, podendo, inclusive associar o doce a flores, bichos de pelúcia, bombonieres, por exemplo.

    Marco José Marques sugere ao empreendedor aproveitar a sazonalidade do negócio para estocar materiais não-perecíveis, como a embalagem, e fazer campanhas promocionais para esquentar as vendas.

    Durante o restante do ano, a empresa de Rubens Kayambá trabalha mais com aniversários, pirulitos coloridos e cenários com temas infantis para festas.

    Formalização
    Para formalizar a nova empresa, deve ser feito um contrato social, registrado na JUCEMG (Junta Comercial do Estado de Minas Gerais). Após o registro, o documento deve ser enviado para a Receita Federal com o objetivo de se obter o cadastro de empresa como pessoa jurídica, o CNPJ. Com o registro, o empreendedor poderá requerer o alvará de funcionamento junto à prefeitura.

    Depois, ele deve apresentar toda a documentação, junto com um projeto técnico e um manual de boas práticas de fabricação à ANVISA para conseguir o alvará sanitário.

    A consultora, Patrícia Rezende, (foto ao lado) diz que a legalização ajuda a aumentar o mercado da empresa, pois traz credibilidade e evita problemas com a fiscalização.

    O consultor Sebrae Paulo Veríssimo lembra que com o registro também é mais fácil enfrentar problemas judiciais. Se a empresa for acusada de intoxicação, por exemplo, como terá a licença da Vigilância Sanitária será mais fácil apurar a veracidade da acusação.

    Preço
    Na hora de colocar o preço, Rubens Kayambá lembra que é preciso levar em consideração o investimento que fez para chegar àquele produto, tanto financeiro como pessoal. "Não dá para você cobrar o mesmo preço de um pirulito simples para um pintado a mão", exemplifica.

    Já Thielmann afirma que o mercado é que define o preço. "O empreendedor tem que trabalhar o custo para entrar no mercado", ressalta.

    Parcerias com outros produtores de chocolate, na hora de comprar a matéria-prima resultam em economia, tornado o produto vais rentável.

    Da mesma forma, pesquisar o produto antes, diminui gastos. "Ao chegar ao ponto de "fio" para bombons e o ponto "pastoso" par os ovos, eu evitei ter que abrir e fechar o freezer várias vezes", conta Kayambá.

    Sites úteis

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