Só Sabor

Traíra sem espinha Receita da Tia Nicinha completa mais de 30 anos de tradição em Juiz de Fora e é uma ótima pedida para a Sexta-feira Santa

Renata Solano
*Colaboração
20/03/2008
ACESSA.com multimídia

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Com a Semana Santa em vista, especialmente, a Sexta-feira da Paixão, o sábado de aleluia e o domingo santo, escolher o prato principal obedece critérios impostos pela cultura católica. Não comer carne é um dogma, a solução é cozinhar comidas como peixe e ovos. Por isso, nossa equipe vai dar uma mãozinha e ensinar a fazer a tradicional traíra sem espinha da Tia Nicinha.

E, quem vai ensinar todos os cuidados desta deliciosa receita é a própria Tia Nicinha, culinarista e proprietária de um restaurante na cidade, Eunice Pires da Silva. O prato já virou tradição. No último dia 10 de março completaram-se exatos 31 anos em que ela agrada o paladar com a receita entre os juizforanos.

"Trabalho com outros tipos de comida, mas esta é especial pois como fui criada na roça, sempre comia os peixes que pescava e a traíra quase sempre estava nas nossas mesas. Além disso, é o prato principal do restaurante, o mais vendido, o mais procurado e o mais elogiado", comenta.

Tia Nicinha lembra que aprendeu a fazer a traíra com um amigo de seu marido. "Quando vim para Juiz de Fora, ele me disse que sabia fazer uma traíra sem espinha e eu não acreditei, então ele me ensinou. Na verdade ele só tirava a espinha principal e maior do peixe, mas fui me aperfeiçoando com o tempo", diz.

Dica para tirar a espinha
Segundo Tia Nicinha, a dica é tirar a espinha grande, cortar o peixe em postas e tirar de cada uma as espinhas que sobraram, mas é preciso ter cuidado para não desmanchar o peixe, pois a carne da traíra é bem macia.

Anote a receita

Foto travessa com arroz, salpicão e traíra Você vai precisar de uma traíra, dois limões, tempero a gosto, farinha de trigo e uma panela com óleo quente para fritar. Tia Nicinha comenta que o tempero ela mesma faz. "Com sal, alho, manjericão e louro, faço o tempero para ficar com gosto bem caseiro", revela.

Primeiro, é preciso pegar o peixe sem a espinha (dica de como tirar dada acima) e colocar em uma vasilha. Antes de temperar, a dica da culinarista é lavar com um pouco de água corrente. Depois molha toda a carne do peixe com limão e tempere da forma que desejar, mas a cozinheira comenta que não se deve deixar a traíra muito tempo de "molho" no tempero, pois a carne é muito macia e pega gosto rápido. "Se ficar muito tempo a carne pode endurecer um pouco", comenta.

Depois de temperada, a traíra deve ser passada na farinha de trigo para dar a o efeito de à milanesa. Logo em seguida, deve ser frita em banha bem quente. "O tempo de fritura depende do gosto da pessoa, tem gente que prefere mais morena, então deixa mais tempo", ensina Tia Nicinha.

Depois de frita, a traíra deve ser retirada da panela com o auxilio de uma escumadeira e a pessoa deve deixar escorrendo um pouco da gordura. Depois monte o prato. A dica da culinarista é arroz branco à piamontese com salpicão ou salada completa.

O peixe

A traíra é um peixe carnívoro de água doce, por isso, segundo a culinarista, é um peixe saboroso. "Há muita diferença entre os peixes do mar e os de rios e açudes, pois os peixes de água doce têm um gosto mais suave e mais doce também", afirma a culinarista.

Tia Nicinha comenta que já tem fornecedor fixo, mas que sempre toma os devidos cuidados na hora de comprar o peixe. "Muita gente não sabe, mas é preciso alguns critérios na hora de comprar o animal. Geralmente é preciso verificar se os olhos estão bem vivos, com ar brilhoso; se as guelras estão com um vermelho vivo, se o corpo está rijo e elástico ao toque, se a pele está lustrosa e as escamas resistentes", descreve.

*Renata Solano é estudante de Comunicação Social da UFJF


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