Educação

Artigos científicos Textos menores que as monografias, os artigos científicos são produções acadêmicas importantes no currículo

Clique no ícone ao lado e ouça o que a professora Vanda Arantes do Vale comenta sobre a produção de artigos científicos.

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Sílvia Zoche
Repórter
29/11/2006

Foto ilustrativa 
de uma pessoa digitando um artigo científico em seu computador Até dia 28 de fevereiro de 2007, a Revista Brasileira de Pós-Graduação (RBPG) recebe artigos científicos que serão avaliados para uma possível publicação na edição nº 7. A revista aborda temas relevantes para o desenvolvimento da pós-graduação brasileira. Mas, afinal, o que é um artigo científico? Qual a sua finalidade? O que é necessário para publicar?

Para muitos, as respostas para estas e outras perguntas estão na ponta da língua, mas alguns estudantes na graduação, independente de área, e até recém formados que ainda não pararam para pensar na importância destes artigos, podem se interessar pelo assunto.

O artigo científico é o resultado de uma pesquisa, de uma reflexão pessoal e "é científica porque traz uma contribuição para a área", diz o professor de Metodologia do trabalho científico, do curso de História da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Galba Ribeiro Di Mambro. "A avaliação do trabalho acadêmico é pelo que se produz", diz a professora, também do departamento de História da UFJF, Vanda Arantes do Vale (foto abaixo).

Mas esta produção de texto, apesar de seguir determinadas normas, não é nenhum "bicho de sete cabeças". O artigo científico é menor que uma monografia de fim de curso e é "uma pequena parcela de um saber maior", como escreve Salvatore D'Onofrio, no livro Metodologia do Trabalho Intelectual.

A publicação pode ser em revistas (impressas ou eletrônicas), "e em locais que atraem pesquisadores. Quem for da mesma área, pode fazer contato depois. É por isso que se publica em Anais de eventos, congressos", diz Vanda. Ela teve o interesse em publicar artigos quando fez o mestrado.

Vanda Arantes 
do Vale em frente ao computador fazendo pesquisas, enquanto dá uma entrevista ao ACESSA.com Mas é possível fazer artigos na graduação. Só não é certo se eles serão publicados, porque é necessário que o artigo aborde uma questão de caráter científico, seja algum estudo ou pesquisa. "Pode ser o contexto de um capítulo de uma tese, condensada e apresentada de forma resumida", exemplifica Galba.

Para Vanda, os artigos são fundamentais, porque sistematizam a pesquisa realizada. "Não um bicho de sete cabeças como as pessoas enxergam". Sabendo o tema que deseja abordar, tendo o material em mãos, é só seguir as normas necessárias exigidas em trabalhos científicos. Além disso, as revistas acadêmicas e anais possuem um edital exigindo as normas técnicas.

Galba comenta que antes de escrever, é bom ler as normas editoriais do local onde se deseja publicar e prestar atenção no formato dos artigos já publicados. "Para quem quer ir treinando na graduação, pode escrever artigos escolares, sem precisar de ter uma idéia nova. Serve como um treinamento para mais tarde", aconselha Galba.

As aulas de metodologia do Galba são ministradas no 1º período, por pedido dos próprios estudantes. "Antes era no 5º período e os alunos acharam melhor ter esta ferramenta logo no começo do curso". A disciplina é uma preparação para a monografia de fim de curso e é dividida em duas partes. "Como estudar algo que eu não sei e como pesquisar, buscar as fontes e redigir".

Livros de metodologia 
científica sobre uma mesa A bibliografia sobre as normas técnicas é vasta "e, por vezes, repetitiva". Por isso a teoria e a prática devem andar juntas.

"Dou exercícios práticos dentro de sala. O aluno tem que procurar um tema e encontrar as fontes. Não importa se ele vai mudar o tema no fim do curso, o que vale é a experiência. E ele acaba encontrando muitas coisas na prática que não encontraria dentro de sala", diz.

As normas são simples e um artigo científico precisa, entre outras coisas, de um título, do autor, nota indicando o contexto da produção e a filiação científica, um resumo (há revistas que pedem um resumo em língua portuguesa e estrangeira), palavras-chave, introdução, seções (no lugar dos capítulos) e uma conclusão.

Alguns exemplos de títulos de livros para compreender as normas técnicas que você pode consultar. Galba separou os livros Redação Científica, de João Bosco Medeiros e Metodologia do Trabalho Intelectual, de Salvatore D'Onofrio. Vanda mostra o livro Metodologia do Trabalho Científico, de Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade Marconi. Os professores ressaltam que são só exemplos e que existem muitas outras bibliografias.

Quem produz

Pesquisar o que outras pessoas já fizeram sobre o tema que deseja escrever seu artigo ou saber o que seu professor está produzindo. Isso pode se feito pela Plataforma Lattes, base de dados de currículos e instituições das áreas de Ciência e Tecnologia, do CNPQ.

"Neste site, além de saber o que as pessoas estão produzindo, no link 'Buscar Currículo', ela pode contactar a pessoa, porque nos dados pessoais tem até e-mail", ensina Vanda. Se quiser procurar por temas, clique no 'Buscar Currículo', marque a opção 'Assunto' e digite um tema, como 'hidráulica', 'células-troco', 'legislação sobre aborto', 'implante dentário', 'farmacos', 'literatura e gênero', 'mulher e exclusão', 'a construção do corpo', entre tantos outros.

Para pesquisar algumas revistas eletrônicas, a dica de Vanda é digitar algumas palavras-chave em sites de busca. "Pode ser 'revista eletrônica', 'publicação online', 'anais', 'publicação virtual', 'publicação científica'".

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