Uma escola de vida. O ensino de jovens e adultos em Juiz de Fora tem sido uma experiência marcante para professores, funcionários e alunos. A dedicação e empenho de quem está afastado das salas de aula há vários anos mostra como é possível descobrir novos mundos depois de tanto tempo.
André Miranda havia abandonado os estudos há 23 anos, estudando somente até a 2ª série do Ensino Médio. Depois de todo esse tempo viu na Educação de Jovens e Adultos (EJA) uma possibilidade de cursar o 3º ano. "Como estava há muito tempo sem estudar, decidi começar o Ensino Médio outra vez. Quando estava terminando, recebi o incentivo da minha família para fazer o vestibular". O resultado: André hoje está no 5º ano do curso de Administração.
A proposta de ensino na EJA é diferenciada do Ensino Regular. "A maioria dos alunos trabalha, cuida da família e tem outras responsabilidades. O ensino nesses casos tem que ser muito bem pensado", afirma a chefe do Departamento de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação da prefeitura de Juiz de Fora, Suely Cardoso.
As escolas públicas municipais possuem cerca de 10 mil jovens e adultos
matriculados, além de cerca de cinco mil que freqüentam os cursos semi-presenciais.
"Os cursos semi-presenciais são importantes, principalmente, para quem trabalha
em sistema de escala, e não tem como ir diariamente à escola"
,
explica Suely.
Os alunos vão desde empregados buscando uma ascensão na empresa onde
trabalham ou disputando uma vaga em concurso público até idosos aprendendo a
ler e escrever. Suely afirma que
"a grande demanda na EJA é no ensino médio, mas existem vários projetos para a
educação e a alfabetização de idosos. Essa descoberta por parte deles é incrível"
.
A possibilidade de encontrar trabalhadores, donas-de-casa e pais de família
em uma mesma sala de aula é enriquecedora. Para Messias de Oliveira Dias,
coordenador de um curso de Educação de Jovens e Adultos, o ambiente se torna
uma escola de vida.
"O carinho com os colegas de classe e o crescimento interno
de cada um é uma conquista dos alunos. A experiência de vida de cada um deles enriquece e contribui em sala de aula. A gente acaba aprendendo muito mais do que fórmulas ou regras gramaticais"
,
conta.
Seja para crescer profissionalmente, entrar para a faculdade ou aprender a ler. Quem trabalha com Educação de Jovens e Adultos tem certeza: nunca é tarde para recomeçar.
*Renato Costa é estudante de Comunicação Social da Universidade Federal de Juiz de Fora