Eles vêm de fora para estudar aqui Alunos de todos os cantos do Mundo vêm para cidade estudar na UFJF. Em abril haverá seleção para estudantes da Federal realizar o intercâmbio
*Colaboração
24/03/2007
Uma cidade acolhedora e receptiva. Esta é a impressão que Juiz de Fora
passa para os cerca de 50 estudantes estrangeiros que, hoje, estudam na
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Acadêmicos de países como Japão, Alemanha, Portugal, Estados Unidos,
Argentina, Guiné Bissau, Cabo Verde e Angola escolhem Juiz de Fora para aprimorar
o português, conhecer uma nova cultura e até mesmo para se exilar politicamente.
Muitos vêem Juiz de Fora como a melhor opção, por possuir uma Universidade
aberta para receber estrangeiros e não ser vista como uma cidade violenta
como os grandes centros urbanos. A japonesa, Chihiro Kobayashi
(foto), escolheu a Juiz de Fora por ela ser mais
segura que outros locais. "Estou gostando muito.
As pessoas são gentis e quero
aprender o português, a sambar e também tudo sobre a culinária brasileira"
,
conta. Chihiro e outros cinco estudantes do Japão devem ficar uma ano em JF
e estão hospedados em casas de famílias juizforanas e de amigos que conheceram na
cidade. Eles vieram para o país, através de um convênio entre UFJF e a
Universidade japonesa em que estudam.
É o mesmo caso da alemã Cláudia Schwas (na foto ao centro)
que tinha a opção de ir para Salvador, Curitiba ou Juiz de Fora.
"Acabou que definimos
por Juiz de Fora. Fugimos um pouco das capitais. Achei todos muito
acolhedores e quero
conhecer ainda mais a cidade e todo o país"
, ressalta. As amigas esperam
ir bem na faculdade para aprenderem melhor o português.
A diversidade cultural não para por aí. Além de asiáticos e europeus, os
africanos estão em grande número da cidade. Um exemplo é o angolano,
Jofre Massoxe (foto), que estuda direito há três na UFJF
e veio ao Brasil como
refugiado político de seu país, que há apenas quatro anos saiu de uma
guerra civil.
"Aqui tive a oportunidade de dar continuidade aos meus estudos. Já fiz grandes
amigos e cada vez aprendo mais com eles"
, destaca.
Jofre quer fazer seu mestrado em Juiz de Fora para então retornar à África,
levando na bagagem tudo que aprendeu por aqui. "Quero que todo esse tempo
no Brasil valha a pena para minha comunidade. Pretendo ajudar o
desenvolvimento humano de Angola, passar conhecimentos e ideais de paz,
justiça e solidariedade que aprendi em Juiz de Fora, uma cidade
tranqüila e boa de se viver"
, conta o angolano.
Outro que já está há mais tempo em Juiz de Fora é Jair Braima Jaló (foto abaixo),
de Guiné Bissau. O estudante cursa ciências biológicas na UFJF e, apesar de adorar a
cidade, sente saudades de seu país. "Devo ficar mais três anos por aqui e
acredito que não vou conseguir dinheiro para visitar meus parentes. É
complicado. Gostaria muito de passear por lá antes de me formar"
, lamenta Jair.
Sua estadia no Brasil faz parte de um programa do Ministério do Exterior e do
Ministério da Educação: o PEC-G que traz estrangeiros de países
subdesenvolvidos da África e da América Latina para estudar no Brasil seguindo
solicitações dos estudantes em embaixadas brasileiras.
(saiba mais sobre este programa, clicando aqui)
O objetivo da UFJF ao promover convênios com instituições de outros países e
trazer estudantes de fora é internacionalizar a Universidade. A coordenadora do
CRI, Centro de Relações Internacionais da UFJF, Rossana Melo (foto abaixo),
afirma que essa é
uma aposta da instituição, para ter reconhecimento e atrair pesquisas. "Nossa
meta é nos inserir no contexto mundial para crescer. Os próprios alunos que
conhecem Juiz de Fora se tornam nossos embaixadores em outros países, contando
tudo que viveram na Universidade"
, ressalta.
Como ir para o exterior
A primeira exigência para poder participar do intercâmbio da UFJF é ser aluno da instituição. Os interessados ainda devem ter conhecimento intermediário da língua do país para onde pretendem viajar. A oportunidade de ir para Estados Unidos, Japão e Europa deve ser aberta em abril quando a Universidade abre edital de seleção.*Thiago Werneck é estudante de jornalismo da UFJF
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