Educação

Fisioterapia Diagnóstico, prevenção e tratamento dos distúrbios do corpo humano

A fisioterapeuta Tatiane Moreira dá dicas para quem está interessado em fazer o curso. Gustavo Castro fala do mercado de trabalho para a profissão. Clique e confira!


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Djenane Pimentel
14/10/04

Em 13 de outubro comemora-se o Dia do Fisioterapeuta, profissional que diagnostica, previne e trata os distúrbios do corpo humano gerados por má-formação genética, acidentes, traumas, doenças adquiridas ou vícios de postura.

A comemoração se deve ao fato de que, neste dia, no ano de 1969, a fisioterapia foi reconhecida como profissão de nível superior.

Segundo o fisioterapeuta Gustavo Castro (foto abaixo), a atividade cresceu, mundialmente, a partir da primeira guerra mundial e, no Brasil, na década de 50, com a Poliomielite. "Mas o avanço, em nosso país, aconteceu mesmo a partir de 1980, com as terapias manuais", declara.



Gustavo Castro De acordo com Gustavo, a profissão não está saturada, embora os grandes centros já estejam lotados de fisioterapeutas. "Assim como qualquer outra, não há mercado de trabalho nas grandes cidades e capitais", avisa. E Juiz de Fora também não fica atrás: "Está lotado".

Em compensação, muitas cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste estão necessitando destes profissionais, bem como de outros profissionais da área de Saúde.

Gustavo diz que um dos motivos de tamanha saturação, no Sul e Sudeste, se deve ao surgimento de, cada vez mais, faculdades particulares de Fisioterapia, que nem sempre se preocupam com a qualidade do ensino, e sim, com a venda do diploma: "É uma pena, porque superlota o mercado e diminui a qualidade do profissional".

Entrar no Mercado não é fácil

Tatiane
Moreira A fisioterapeuta Tatiane Moreira (foto ao lado), lembra que a profissão ainda tem muito a avançar, mas precisa de incentivo. "Ainda existe muita coisa a se descobrir e estudar. A cada dia surgem áreas novas", informa.

Tatiane, que se dedica à Fisioterapia Ortopédica, trabalha com Pilates, Reeducação Postural Global (RPG) e aurículo-acupuntura (acupuntura na orelha), diz estar satisfeita com relação à profissão que escolheu.

Mas não é fácil entrar no mercado de trabalho. Gustavo Castro, que trabalha com Fisioterapia do Trabalho e em academias, afirma que, hoje em dia, ou se tem influências no meio ou a pessoa deve partir para a "compra do conhecimento": fazendo uma pós-graduação, especializações, cursos, etc. "Só assim nos diferenciamos e não precisamos depender de outras pessoas para conseguirmos alguma coisa".

Tatiane confirma: "Tem muita gente fazendo a mesma coisa, o que chamamos de "fisioterapia de antigamente": aquela fisioterapia mais mecanicista, onde as máquinas fazem quase todo o serviço. Não digo que isso não funcione, mas a gente deve se diferenciar em uma coisa simples: o tratamento dado ao paciente. Ele quer atenção, quer que coloquemos a mão nele. E é isso que eu faço", declara.

Fisioterapia X Medicina

Foto ilustração Tatiane conta que já viu muitas pessoas cursarem Fisioterapia porque não conseguiram passar em Medicina, mas, ainda assim, acredita que a maioria que faz o curso quer mesmo ser fisioterapeuta.
"É uma paixão, para mim, poder melhorar a vida das pessoas. Me sinto vitoriosa quando vejo que o paciente, que antes não conseguia nem mesmo pegar um copo d'água, de repente consegue uma certa independência funcional. Porque é para isso que nossa profissão serve: reabilitar pessoas, para que estas possam sobreviver sem depender de ninguém", orgulha-se.

Gustavo, que descobriu a vocação ainda adolescente, devido às várias lesões que sofria nos esportes que praticava, concorda com a fisioterapeuta e também diz estar bem satisfeito. "Somente uma coisa está nos deixando bastante chateados: a tal Lei do Ato Médico".

A Lei estabelece uma hierarquia entre a medicina e as demais profissões da área de saúde e condiciona à autorização do médico o acesso aos serviços. "Um absurdo, porque eu estudei cinco anos para poder fazer o que faço e ninguém entende mais do que eu, sobre a minha profissão", finaliza.

Conheça as áreas que a Fisioterapia abrange
  • Fisioterapia Traumato-Ortopédica Funcional: Atua na investigação, prevenção e tratamento das doenças dos ossos, músculos, articulações e ligamentos. Pode atuar em fraturas, torções, amputações e lesões musculares, inclusive evitando que estas ocorram, e evitando, em alguns casos, uma cirurgia, trabalhando de forma preventiva.

  • Fisioterapia Geriátrica: Atua junto ao idoso e proporciona uma melhor qualidade de vida a este, promovendo uma melhor postura, uma marcha equilibrada, uma melhora da auto-estima, evitando a depressão e o sentimento de incapacidade.

  • Fisioterapia Pediátrica: Promove um melhor nível de vida para crianças, principalmente àquelas que apresentam desenvolvimento psicomotor abaixo dos padrões considerados normais para sua faixa etária.

  • Fisioterapia Desportiva: O fisioterapeuta atua na prevenção, planejamento, implantação, coordenação e supervisão de programas destinados à recuperação funcional de atletas amadores e profissionais. Orienta o atleta e os praticantes de atividades físicas, fortalecendo e preparando as regiões mais susceptíveis a lesões em cada esporte.

  • Fisioterapia Reumatológica: Com exercícios que ativam a circulação e desenvolvem a capacidade dos movimentos em pacientes acometidos por causa de dores nas articulações, a fisioterapia está indicada em pacientes com reumatismos, artrites, artroses e osteoporose.

  • Fisioterapia Preventiva: Além de tratar lesões tem papel fundamental na prevenção, como conscientizar a população em geral, especialmente crianças, quanto à postura, prevenindo alterações posturais e evitando complicações posteriores.

  • Fisioterapia Cardio-Respiratória: Nesta área, o fisioterapeuta lida com a avaliação e o tratamento de pacientes com distúrbios pulmonares crônicos ou agudos. Emprega métodos e uma grande variedade de exercícios terapêuticos.

  • Angiologia: O fisioterapeuta avalia e desenvolve um programa de assistência para pacientes com uma variedade de distúrbios vasculares, com o objetivo de melhorar a circulação sanguínea, aumentar a resistência física aos exercícios, aliviar a dor, etc.

  • Fisioterapia Estética: Atua nesta área prevenindo o aparecimento de cicatrizes hipertróficas e para facilitar o pré e pós operatório de cirurgias plásticas. Atua ainda, na celulite, flacidez muscular, estrias, envelhecimento cutâneo, queimaduras e acne.

  • Queimados: Usando como principal recurso a cinesioterapia, tem como objetivo desenvolver os movimentos do paciente que sofreu queimaduras.

  • Fisioterapia Neurológica: Função de reabilitar pacientes com problemas neurológicos.

  • Fisoterapia do Trabalho: Atua na análise ergonômica do local, dos objetos de trabalho e, principalmente, da postura dos funcionários no trabalho.

  • Fisioterapia Hospitalar: Atua nas enfermarias de hospitais e UTI's, com pacientes acamados. Envolve trabalhos respiratórios, neurológicos, cardiológicos, alongamentos, higiene brônquica, fortalecimento dos músculos, etc.
  • O curso

    Existem hoje, no Brasil, mais de 160 cursos de fisioterapia, sendo que a grande maioria foi aberta nos últimos 5 anos. Estes cursos já formaram mais de 40 mil profissionais e estima-se que 50% destes profissionais estejam atuando no mercado de trabalho.

    Com duração de 4 a 5 anos, o curso tem disciplinas específicas como Anatomia, Bioquímica, Biofísica, Histologia, Embriologia, Fisioterapia, Metodologia, Prática Desportiva, Psicologia, Fisiologia, Microbiologia e Imunologia, Patologia, Primeiros Socorros, Saúde Pública, Cinesiologia e Cinesioterapia.

    Onde estudar

    Em Juiz de Fora, o curso é oferecido pelas faculdades Suprema, Unipac, Universo e Universidade Federal de Juiz de Fora. A UFJF está entre as melhores universidades do país, para se cursar fisioterapia, segundo o Guia do Estudante da Editora Abril, de 2000.
    Se você quiser saber de outras faculdades no Brasil que oferecem o curso de fisioterapia, consulte a página do Guia, na internet: www.guiadoestudante.com.br.

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