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O profissional da paciência
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Sílvia Zoche
Repórter
19/10/2005
Quem pensa que pra ser instrutor de auto-escola é só ter a carteira de
habilitação em mãos está enganado! É preciso fazer um curso autorizado pelo
DENATRAN, ser maior de 21 anos, 2º grau completo (instrutor teórico e prático), ter, no mínimo, dois anos de carteira de habilitação,
e claro, vontade de estudar, gostar de
ensinar e tirar uma grana do bolso.
Para dar aulas, tanto práticas quanto teóricas, é preciso ter um
certificado e, portanto, estudar tudo de novo. Ufa! "É como se fosse estudar para
tirar a carteira de habilitação", compara a sócia-proprietária de uma
auto-escola da cidade, Maria Luisa Condé. Quem mora em Juiz de Fora,
terá que ir a Belo Horizonte para cursar 11 disciplinas.
| Os estudos |
O pretendente a instrutor pode fazer as aulas durante a semana ou sábado e domingo, de acordo com o curso. O instrutor de trânsito, Alexandre Porfirio de Souza (foto abaixo), conseguiu o certificado há oito meses, depois de 120 horas de aulas, realizadas durante a semana. "Gastei cerca de R$ 1.200, contando o curso, que foi cerca de R$ 580, mais psicotécnico, exame médico e a passagem de ônibus. Não gastei mais, porque fiquei na casa de conhecidos", conta.
A escolha de Alexandre pela profissão foi por ter trabalhado com vendas -
facilidade de lidar com todos os tipo de público -, gostar de dirigir, além da
facilidade em ensinar e paciência.
A próxima etapa é colocar o certificado embaixo do braço e enviar currículos para as auto-escolas. Assim fez Alexandre que, como iniciante, passou por um estágio. "Fiz durante uma semana e estou aqui até hoje. Nesse tempo, já percebi que evoluí na forma de ensinar", revela. Para auto-escola contratar os serviços do novo instrutor, ele precisa enviar documentos (xerox de certificado, carteira de trabalho, CI, CNH, CPF, foto 3x4, averbação no Estado) para o Detran e pagar uma taxa, atualmente, no valor de R$ 97,05.
O instrutor, Moisés de Souza Vieira (foto ao lado), trabalha no ramo há oito
anos e começou sua carreira em São Paulo. "Eu era caminhoneiro e decidi
largar. Fiz o curso de instrutor, estudei e passei de primeira. Mas São
Paulo é muito complicado de dar aula, porque o trânsito é intenso. Agora
estou em Juiz de Fora", diz. Para trabalhar na cidade, ele teve que tirar a
carteira de instrutor de Minas Gerais, que deve ser renovada anualmente.
"Agora, tenho duas. A de São Paulo tem a vantagem de ser definitiva", conta.
A gratificação dos instrutores vai além do aluno passar no exame de rua. "É bom ver a pessoa que chega aqui sem saber dirigir nada e, depois de um tempo, ela guia o veículo sem você colocar o pé no freio por ela", comenta Moisés. A parte mais complicada é quando pegam alunos que acreditam que sabem dirigir. "Tem gente que é teimosa e diz que não precisa olhar bem os retrovisores, por exmeplo, porque não vai fazer isso no dia-a-dia", lembra Alexandre.
| Salário |
No mercado de trabalho, o instrutor de aulas práticas tem duas opções: usar o veículo da auto-escola ou usar o próprio, desde que este atenda as normas do Código de Trânsito Brasileiro, como a pintura.
No caso de dar aulas com o veículo da empresa, o instrutor recebe 25% do
valor de cada aula. Por exemplo, se a aula custar R$ 20, o instrutor vai
receber R$ 5. Já o que usa o próprio veículo, chamado de agregado, paga os
25% para auto-escola.
"Só que o agregado vai dar aula somente para aluno que chega procurando por ele. Aluno que chega sem opção, encaminhamos para os instrutores que usam o carro da escola. Agora se o aluno, por qualquer motivo, quiser mudar para o agregado não tem problema", explica Maria Luisa Condé (foto ao lado). A distribuição dos alunos entre os profissionais é questão de bom senso. "Encaixamos de acordo com o horário do aluno ou com a necessidade do instrutor. Às vezes, a grade de um dos instrutores não está tão cheia e damos preferência pra ele", diz.
O diretor e sócio-proprietário de auto-escola, Teófilo Moreira de
Souza (foto ao lado), diz que o salário poderia ser melhor se
o mercado de Juiz de Fora não fosse fraco. "A aula deveria ser
R$ 23, mas a cidade tem muito estudante.
Tem aqueles que chegam aqui dizendo que só têm dinheiro pra fazer 15 aulas
práticas, e precisam mais do que isso. Para se ter uma idéia, dos
iniciantes, entre 18 e 40 anos, que fazem 15 aulas e prestam o
exame de rua, somente 5% passam", analisa.
Agora, o instrutor que gosta de dar aulas teóricas consegue encontrar emprego mais fácil que o de aula prática, na opinião de Luisa. "Temos diversos currículos de quem quer dar aula de rua, mas já temos os nossos. Agora, pra dar aula de legislação é um problema. A maioria não gosta e a gente precisa. Uma época, ficamos sem professor aqui", lembra.
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