Cal Coimbra
20/03/2008
Algumas crianças não conseguem terminar os níveis escolares, em geral o ensino médio, por dificuldades na aprendizagem, por vezes relacionadas ao processamento auditivo de palavras, que levam a cometer equívocos lingüísticos que vão além do esforço para aprendê-los. Chamamos a este fato de dificuldade no processamento auditivo central.
O termo processamento auditivo central que usamos em fonoaudiologia,
significa que uma pessoa tem dificuldade para interpretar as palavras que ouve,
discernir determinados sons lingüísticos, e outras habilidades necessárias para
a interação de comunicação. Daí, palavras saírem trocadas, diferentes daquelas
que a pessoa tenta expressar, mas não consegue.
As crianças que apresentam dificuldades de organização e processamento do sistema nervoso central necessitam de avaliação também com fonoaudiólogo(a), além de neurologista, para avaliação, diagnóstico e tratamento especial.
O ouvido tem a função de receber as ondas sonoras que serão interpretadas no cérebro. Aparentemente simples, mas é uma função complexa que exige atenção, recepção, discriminação e memória. Uma criança com dificuldade para processar as palavras pode ser inteligente, porque não há relação entre uma condição e outra. Ela até pode tentar acessar estes mecanismos, mas terão dificuldades para realizá-los.
Como o processamento vai desde a recepção auditiva, considerada como habilidade mais básica de receber estímulos sonoros, leva-se em consideração fatores como graves infecções de ouvido, perdas e distorções de sons que bloqueiam as ondas sonoras.
Outra habilidade, a discriminação auditiva. Quando ouvimos as palavras, discriminamos os sons que estão contidos nelas. Daí fazermos associação de forma que as palavras tenham sentido. Com o tempo, vamos aperfeiçoando e organizando até chegarmos ao refinamento de decodificar as palavras, adquirir mais frases e contextualizar a comunicação, escrita ou falada.
A memória auditiva é a habilidade para reter e organizar sons. É fundamental em todos os aspectos para a aprendizagem. Para crianças com dificuldades no processamento auditivo, a memória torna-se a mais difícil de ser adquirida.
A escola, em geral, trabalha bem nos exercícios pedagógicos com estas habilidades e outras inerentes ao aprendizado de leitura e escrita. Mas é importante esclarecer que quando algum(a) aluno(a) que não consegue completar as tarefas com desenvoltura, é preciso encaminhá-los para atendimento terapêutico especializado.
Cal Coimbra
é psicóloga e doutora em Fonoaudiologia
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