A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) anunciou nesta quarta-feira, dia 08, que a Casa de Parto não volta a funcionar nas condições existentes até agosto de 2007, quando as atividades foram suspensas.
A instituição chegou a esta conclusão depois que a Comissão de Transferência da Casa de Parto da UFJF apresentou o relatório final do estudo, que aponta as irregularidades em relação às normas e às legislações, comprometendo o funcionamento e colocando em risco a segurança no atendimento às gestantes, parturientes e recém-nascidos.
A Comissão de Transferência da Casa de Parto trabalhou durante 12 meses e baseou-se em pareceres do Ministro da Saúde, do Conselho Federal de Medicina, do Conselho Federal de Enfermagem e do Ministério da Educação, dentre outros, para chegar à conclusão.
Segundo o pró-reitor de planejamento e o relator da Comissão Carlos Elíseo Barral Ferreira (foto abaixo), o relatório revela que a casa não cumpria dois objetivos fundamentais: o de reduzir o número de cesárias em Juiz de Fora e o de promover a ampliação do atendimento às gestantes.
Entre 2002 e 2006, o percentual de cesáreas em relação ao número total de partos
cresceu de 48 para 53%. O número de partos realizados pela Casa de Parto caiu de 179,
em 2002, para 89, em 2006. Em 2007, até a suspensão dos partos, foram realizados apenas
60 partos.
Contribuindo para a suspensão definitiva das atividades da Casa, a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora não renovou o convênio referente à Casa. O acordo estabelecia realizações de pré-natal após a 36ª semana de gestação, internação e realização de parto de risco normal. As gestantes deveriam ser encaminhadas por Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
O contrato entre a Prefeitura venceu no dia 25 de julho. O Secretário de Saúde, Cláudio Reis, informou através de documento enviado à UFJF que a farta documentação em poder da Secretaria mostra que a Casa funcionava de maneira irregular. Ele mencionou que o atendimento pré-natal realizado na Casa não atendem às regras do SUS e do próprio convênio. A interrupção das atividades contou com respaldo do Ministério Público Estadual.
A Comissão sugeriu a implantação de um Centro de Parto Normal integrado ao Módulo
de Atenção à Saúde Materno-Infantil. Barral afirma que a medida afasta as dificuldades
técnicas operacionais e legais existentes no modelo vigente até agosto de 2007, sem
prejuízos à característica de humanização do parto.
Segundo o relator da comissão, o reitor Henrique Duque já acatou a sugestão e editou no dia 04 de agosto a portaria que cria o Grupo de Trabalho, com representantes de todas as unidades e cursos da UFJF ligados à saúde de mulheres e crianças, com objetivo de viabilizar o Módulo e o Novo Centro.
O Grupo vai ter 90 dias para apresentar um planejamento para implantação do Módulo e a indicação das ações que deverão ser realizadas para viabilizar as novas unidades do Paí.
Barral diz que o reitor já comunicou ao Conselho Superior e que ele aguarda a confirmação
da liberação de recursos. "Existem emendas parlamentares já aprovadas. O recurso
pode ser liberado no final do ano"
. O valor total do investimento não foi abordado.
O projeto do novo Módulo e do Centro de Parto Normal prevê a construção na mesma área do HU/CAS, de um Módulo de Atenção à saúde Materno-Infantil, composto de uma maternidade com centro cirúrgico e UTI adulta e neo-natal, bem como de um Centro de Parto Normal, distante cerca de 20 metros da maternidade.
Para o diretor do HU, Dimas Augusto, o Centro de Parto Normal permite
valorizar a inserção acadêmica e também a mudança na concepção do Parto Normal. Barral
complementa dizendo que o objetivo é formar profissionais com visão do parto normal. "É
inviável reduzir número de cesárias se não forem graduados profissionais inseridos no programa
de Parto Normal"
.
A diretora da Faculdade de Enfermagem, Maria Cristina Pinto de Jesus,
declara que antigamente tinha-se a concepção de que o médico deveria dar conta de tudo.
Hoje, existe o conceito de trabalho em equipe. O novo projeto congrega esforços multidisciplinares.
"O modelo integrado permite o convívio dos profissionais de várias áreas envolvidas"
.
A Casa de Parto nasceu na Faculdade de Enfermagem e eram as enfermeiras que faziam
o Parto. Entretanto, segundo Maria Cristina, às vezes, elas tinham que extrapolar o
exercício profissional. "Isso é aceitável em municípios pequenos e não na cidade
do porte de Juiz de Fora"
.