Para os pacientes atendidos pelo Programa Nacional de Saúde Auditiva, recuperar
a audição significa voltar ao convívio social. "Conseguir ouvir é poder falar e
estabelecer a comunicação"
, diz o otorrinolaringologista Evandro Ribeiro de Oliveira.
Através do Programa, 98 pessoas são atendidas em Juiz de Fora todo mês e cerca de 120
aparelhos são
entregues. "Quem passa a usá-los não quer mais viver sem. Eles passam a fazer parte do
corpo"
, diz a fonoaudióloga Vanessa Oliveira. "Uma paciente
começou usar o aparelho e, quando acordou uma madrugada e viu que chovia ela se levantou
e o colocou para poder ouvir o barulho da chuva"
, conta a médica.
Além desse relato, existem outros. Agora, uma criança da zona rural de Juiz de Fora consegue ouvir as galinhas, a mãe chamando e a professora em sala de aula. Outros jovens voltaram a estudar e a fonoaudióloga conta que também voltaram a viver.
O programa atende idosos que perderam a audição por envelhecimento do ouvido interno,
crianças que nasceram com problemas genéticos e trabalhadores, que expostos ao
barulho constante, apresentam traumas sonoros. Desde 2005, quando o Programa do Governo Federal
foi trazido para a cidade, mais de 3.200 pessoas foram atendidas.
Além de trabalhar no tratamento de doenças, os médicos também incentivam a prevenção.
"O teste da orelhinha, feito no primeiro mês de vida dos bebês, tem ajudado
a fazer a detecção precoce das doenças, o que contribui para o desenvolvimento
da linguagem"
, diz a médica, completando que a maioria dos traumas poderiam ser
evitados.
Por isso, ela defende que a informação é uma boa forma de prevenção.
Quando detectam algum problema
no ouvido, as pessoas recorrem a meios não indicados por falta de informação. "Temos um paciente que
teve os dois ouvidos queimados, porque deixou a mulher colocar óleo quente para melhorar
o incômodo"
, conta.
Trânsito intenso, sirenes, carros de som, construções. Essas são situações típicas de cidades de médio e grande porte e que contribuem para a poluição sonora. Quem trabalha diretamente com atividades barulhentas precisa se proteger, pois está sujeito a ter problemas graves, podendo perder a audição.
"À medida que as cidades crescem, o barulho aumenta, o que gera
irritabilidade e um trauma sonoro. Os trabalhadores da indústria e da construção civil
precisam se proteger, pois o número de traumas tem aumentado"
, diz o otorrino.
A médica vai um pouco além e diz que, mesmo com o barulho aumentando em Juiz de Fora,
a tendência é que os casos de perda auditiva
por causa dele caiam. "As pessoas estão tendo mais informação e estão sendo conscientizadas
a se protegerem durante o trabalho"
.
Além da irritabilidade, a poluição sonora ainda pode provocar problemas de pressão,
depressão e labirintite. O barulho tolerável pelas pessoas é de até 85 decibéis (db).
Para exemplificar, o médico diz que uma turbina de avião faz um barulho de 130 db,
enquanto uma maquita, usada para cortar azulejos na construção civil, provoca ruídos de
95 db. "Uma pessoa exposta a esse barulho durante oito horas por dia em local fechado,
deve se proteger, porque está mais sujeito a traumas do que em ambiente aberto"
, aconselha o médico.
Os primeiros sinais de que algum problema auditivo pode estar se instalando são
a dificuldade para entender os fonemas apesar de escutá-los, zumbido no ouvido e sensação de ouvido tampado.
"São sintomas que podem indicar problemas sérios e muita gente não dá atenção"
,
alerta o otorrino, dizendo que o ideal é procurar atendimento especializado o mais rápido possível.
Entre as formas de prevenção estão evitar ambientes com poluição sonora, uso do fone de ouvido com som excessivo, ficar perto das caixas de som em shows e fazer uso do protetor ao trabalhar em locais muito barulhentos.