A auxiliar administrativa Michele Fortes (foto abaixo com bebê, à esquerda)
quando descobriu que estava grávida
já tinha opinião formada sobre qual o técnica preferia para o nascimento de Júlia.
"Fiz a opção por cesariana. Não queria sentir dor. A médica tentou me convencer
de fazer parto normal, mas desde o início da gravidez já tinha descartado a hipótese"
.
Michele não é a única a temer o parto normal. Muitas mulheres também têm essa concepção,
entretanto, os especialista ressaltam que hoje é possível ter um parto vaginal tranqüilo e
sem dor. "Quem conhece o método perde a insegurança"
, afirma a ginecologista
e obstetra, Rosely Bianco.
Segundo o médico e obstetra, Alexandre Ronzani (foto abaixo), criou-se a
cultura da cesariana anos atrás. "Com a vida corrida, é mais cômoda para as mulheres
e para os médicos marcar uma hora exata para o nascimento do filho. Só que é preciso analisar
cada caso. Oriento as mães, conforme o pré-natal, informo sobre as técnicas e deixo
o casal bem à vontade para decidir sobre o processo. Agora, tem médico que na primeira
consulta já quer marcar a cesariana"
.
Ronzani afirma que o parto normal é atualmente o mais indicado por se tratar de um
fenômeno natural, que pode ter a participação da família e por evitar a pré-maturidade
do bebê. Além disso, a amamentação é estimulada no parto, enquanto que na cesariana
a mãe pode demorar mais para começar a alimentar a criança com o leite materno.
"A recuperação [no parto normal] também é mais rápida e o parto não acontece de uma hora para outra.
O médico acompanha toda a gravidez e pode se prever o momento do nascimento"
, ressalta.
Em relação à cesariana, o médico explica que se trata de um procedimento cirúgico e
que pode apresentar o risco de infecção e hemorragia. Ele enumera os casos em que é
recomendado: desproporção entre feto e a bacia da mãe, posição anormal (posição
transversa ou pélvica), alteração da placenta, sofrimento fetal e em casos de diabetes
e hipertensão. "A cesária limita o número de partos seguintes"
, alerta.
A jornalista Sabrina de Lima (foto abaixo, ao centro) optou por parto normal e acredita ter
sido a melhor escolha. "Informei-me sobre as vantages para a mãe a para o bebê.
Tive a minha filha no sábado à tarde e no domingo estava em casa para almoçar. Logo
comecei a ir ao supermercado e levar a vida normalmente, sem desconfortos"
, conta.
Estefani Brito (foto abaixo, à direita), grávida de nove meses, está à espera do nascimento do segundo
filho. "Assim como na primeira gravidez, estou optando pelo parto vaginal. Tive
uma recuperação tranqüila e foi fácil até para começar a amamentar"
.

O número de cesarianas que são realizadas em Juiz de Fora é alarmante. Segundo Rosely
Bianco, chega a 90% em redes particulares e no Sistema Único de Saúde (SUS) ultrapassa
os 40%. "O Ministério da Saúde quer reduzir o índice para 30%
, revela.
Para reverter este quadro, a Agência
Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lança movimento
a favor do parto natural e redução das cesarianas desnecessárias. "Com a conscientização
dos médicos e das gestantes isso é possível. Aquela imagem de novela com a mulher
gritando, sofrendo, não existe"
.
Para as gestantes que quiserem mais informações para se preparar para a chegada do filho,
há instituições que oferecem cursos de gestantes. Geralmente, abordam a questão da dieta, aleitamento,
conscientização do parto, dentre outros assuntos. "As grávidas são bem esclarecidas e
descobrem aí que o parto normal não é traumático"
.
Dados fornecidos à ANS demonstram que a proporção de cesarianos no Brasil fica em torno de 80%. Este percentual é discrepante, se comparado ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (15%) e aos resultados encontrados em outros países, tais como Holanda (14%), México (34%) e Chile (40%). Além disso, a proporção de cesarianas do setor suplementar influencia negativamente os dados nacionais: no sistema público de saúde brasileiro, esta proporção é de 26%, bem próxima aos valores encontrados nos outros países, enquanto o resultado nacional, que considera partos realizados nos setores públicos e privados, é de 43%.
Fonte: ANS