Artigo Dicas para ficar livre das dermatoses de verão | ![]() |
04/12/2001
O sol é a maior fonte de energia da terra e é muito importante no bem-estar
físico e psíquico. Sem o sol não haveria vida aqui. No entanto, o mesmo
sol que nos acaricia também pode nos castigar... Com a chegada do verão,
aparecem as lesões diretamente causadas ou
agravadas pelo sol. A maioria tem cunho puramente estético, como as sardas
escuras na face e parte superior do tronco e as sardas brancas nos braços e
pernas, melasmas, manchas brancas na face (pano branco), etc.Algumas podem incomodar e impossibilitar o paciente de se expor ao sol. São elas o Prurigo Solar, Erupção Polimorfa a Luz, Lupus Eritemasoso. Manifestam-se como manchas vermelhas, bolhas, às vezes, e provocam coceira. Sempre que ocorrer isto, deve-se procurar um especialista para fazer o diagnóstico e prescrever o tratamento correto.
Quando o paciente subitamente começa a ter sensibilidade ao sol, devemos
sempre pesquisar o uso de medicamentos, principalmente antinflamatórios,
tranquilizantes, diuréticos, medicamentos cardiológicos e antibióticos. A
simples suspensão do medicamento pode curar o paciente.
Algumas dermatoses são causadas pelo aumento da temperatura da pele, propiciando o desenvolvimento de bactérias (Impetigo, Furúnculos ), Fungos ou Micoses e infecções parasitárias (Larva Migrans ou Bicho Geográfico, causada pelo contato com as fezes de cachorro - foto acima), vírus ( Molusco Contagioso e Herpes). Já o câncer de pele não é formado em um só verão.
Geralmente, é resultado do efeito cumulativo do sol de muitos verões e do sol do dia-a-dia. Antes de aparecer o câncer, surgem pequenas feridas ou pintas que aumentam lentamente. O ideal, então, é o tratamento preventivo nesta fase com crioterapia e cremes de 5-fluoracil, que evitarão cirurgias posteriores.
A causa destas dermatoses ( Lupus , Eritema Polimorfo a Luz, Porfiria,
Urticária Solar) não é diretamente proporcional à quantidade
de sol que se toma. Depende do comprimento de onda do sol daquele dia
(isso varia de lugar para lugar, depende da quantidade de nuvem, umidade do
ar, etc).
Às vezes, uma quantidade mínima de sol pode ativar a doença em pacientes muito sensíveis, por isso, devem ser usados filtros com fator de proteção muito alta para ultravioleta tipo A e B e, em casos intensos, usam-se substâncias orais que protegem externamente a pele (Cloroquina e betacaroteno). É muito importante complementar a fotoproteção, usando chapéu e roupas especiais, de preferência escuras, que absorvem a energia solar não deixando-a chegar à pele.
Como evitar e tratar dermatoses causadas pelo sol
acne do sol: usar sempre filtros solares oil free (não oleosos). Se
o paciente ainda continuar tomando sol, usamos produtos a base de peróxido
de
benzoila ou ácido azelaico. Quando já não for se expor mais ao sol, usar o
ácido retinóico que tira a pele superficial, desentupindo a glândula e
permitindo a eliminação do óleo normal da glândula.queimaduras por excesso de exposição ao sol: não abusar do sol, principalmente na praia, onde a radiaçao é refletida na areia branca e queima mesmo debaixo de barraca. Usar filtro solar com FPS acima de 30, reaplicar sempre que entrar na água ou de duas em duas horas e complementar com uso de roupas e chapéu. Lembrar sempre que o uso de óculos com lentes que filtram ultravioleta é importante para evitar o aparecimento de catarata.
micose: geralmente, a micose ocorre em pessoas que já têm facilidade para pegá-las. Aquelas manchinhas brancas, chamadas Pitiríase Versicolor, devem ser prevenidas, reaplicando um antimicótico no tronco preventivamente durante uma semana seguida por mês . Também é aconselhável usar xampus antimicóticos três vezes por semana, já que com frequência essas micoses começam no couro cabeludo, onde passam desapercebidas.
sardas: é muito importante o uso de protetores solares potentes. Após o período de exposição solar podem ser removidas com uso de ácidos, peelings, nitrogênio (no início o nitrogênio realça as manchas, o resultado só fica visível três meses após esta aplicaçao), ou com Laser de Alexandrita ou Rubi.
Cristina Mansur
é dermatologista, professora e chefe
da disciplina de Cosmiatria do Serviço
de Pós-Graduaçao em Dermatologia da UFJF.
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