Saúde
Comida de Hospital
Nutricionistas tentam mudar a visão de que comida de hospital é ruim. Por incrível que pareça, hoje em dia, no cardápio também tem lasanha, strogonoff, tabule, salpicão, pernil, nhoque, maionese...


Djenane Pimentel
17/11/2004

O nutricionista Arnaldo Pinheiro fala sobre a alimentação equilibrada do Hospital e o que faz a diferença no sabor final da refeição

Veja!

Foto ilustrativa Por que ninguém gosta de comida de hospital?

Por razões médicas, a comida feita em um hospital precisa ter pouco sal e, conseqüentemente, fica diferente do gosto que a gente está acostumado. Mas, os profissionais de Nutrição têm investido bastante para mudar o velho conceito e provar que esta comida pode ser tão boa quanto a da nossa casa.

Segundo o nutricionista, Arnaldo Pinheiro, da Santa Casa de Misericórdia, muitas vezes, a causa de não se gostar da comida do hospital está ligada ao estado psicológico, tanto do paciente quanto do acompanhante. "O grande prazer do ser humano é comer, e estar internado em um hospital é um peso muito grande", diz.

Dayse Siqueira e
Arnaldo Pinheiro Dayse Siqueira, também nutricionista da Santa Casa, afirma que o grande desafio destes profissionais é justamente o de melhorar a qualidade da comida oferecida aos pacientes. Para isso, eles trabalham criando sempre novas receitas e buscando trazer pratos mais elaborados, de casa para o hospital.

"A nossa preocupação é agradar, sempre. Se não podemos usar o sal, usamos então as ervas (orégano, manjericão, cheiro-verde), alho, limão, cebola, que vão trazer mais sabor ao prato, sem fazer mal nenhum. Hoje, em alguns hospitais (incluindo a Santa Casa) já é até possível escolher o que se quer comer", informa a nutricionista.

É lógico que isso não é uma regra geral, senão o trabalho ficaria impossível, visto a quantidade de pratos por dia. Mas, caso o paciente não goste, definitivamente, de um certo tipo de comida, basta informar suas preferências no serviço de nutrição do Hospital.

Incrementando o Domingo
Se nos fins de semana, a mamãe sempre dá uma caprichada no almoço, porque não fazer o mesmo no hospital?

De acordo com a nutricionista, Maria Amélia Ribeiro Elias, do Hospital Albert Sabin, o cardápio recebe uma caprichada sim, especialmente aos domingos. "Assim como é hábito do brasileiro comer melhor aos domingos, o Hospital também aprimora o cardápio para os pacientes. Oferecemos (não tudo de uma vez, claro) lasanha, strogonoff, tabule, salpicão, pernil, nhoque, maionese, carne assada ao molho madeira, entre outras coisas, assim como qualquer restaurante", informa.

Foto ilustrativa Segundo Maria Amélia, existe uma diferenciação de pratos, de acordo com o tipo de paciente, mas, em geral, o cardápio serve para todos os funcionários, incluindo médicos, além dos pacientes com dieta livre. "Tentamos variar o cardápio ao máximo, com novos pratos todos os dias, para que o paciente não enjoe da comida", diz.

Na Santa Casa, Dayse ressalta ainda que, em meses de festas, como junho e julho (Festas Juninas), os pacientes também podem apreciar as comidas típicas da época, como canjiquinha salgada e doce; no verão, as frutas da estação prevalecem, e assim vai, durante todo o ano.

Cardápios
Foto ACESSA.com Basicamente, o cardápio do dia-a-dia em um hospital gira em torno de arroz, feijão, salada (legumes crus, cozidos e verduras) e carne (frango, peixe e carne vermelha). Sem muito óleo e fritura.

Dayse esclarece que existem praticamente duas cozinhas dentro de um hospital (mas que funcionam em conjunto, no mesmo local): a que prepara a refeição dos que têm dieta livre - pacientes, acompanhantes e funcionários -, e a que prepara o cardápio dos doentes com dieta restrita. "Na Santa Casa, 25% das refeições diárias são de dieta restrita", informa a nutricionista.

Entre estes pacientes estão os diabéticos, hipertensos, com insuficiência renal, dificuldades de mastigação e deglutição, problemas digestivos em geral, problemas cardio-vasculares... Dentro desta lista, existem ainda diferentes variações de cardápio, que são realizados todos os dias, em um trabalho incessante.

Na cozinha
Foto ACESSA.com A equipe do Portal ACESSA.com esteve na cozinha da Santa Casa e acompanhou de perto a movimentação do Serviço de Nutrição e Dietética (SND), do Hospital.
São 86 funcionários trabalhando a todo vapor, literalmente, para oferecer aproximadamente 1.200 refeições diárias para funcionários, médicos, pacientes e acompanhantes. O setor também prepara uma média de 560 cafés-da-manhã e 200 litros de mamadeiras por dia.

Foto Ilustrativa O trabalho é complexo, pois envolve a prepação de inúmeras dietas e o público que vai receber a alimentação está, geralmente, chateado, estressado ou doente, o que aumenta o desafio de trazer satisfação.

E os cuidados não se limitam apenas à preparação da refeição. Nesse ambiente, a apresentação do prato é tão ou mais importante que em restaurantes, pois o uso da cor e uma bonita disposição dos alimentos podem despertar o apetite (ou não) em pacientes que precisam de uma nutrição reforçada.


Tipos de Dietas:


  • Hiposódica: Restrição de sal e alimentos salgados, como presunto, salsicha, bacalhau, salame, caldo Knorr, etc. Indicada para hipertensos.

  • Diabetes: Evita o açúcar e também o sal - aliada à dieta Hiposódica, pois a maioria dos pacientes diabéticos também apresenta problemas cardio-vasculares.

  • Branda: Alimentos mais cozidos do que o normal, com teor mínimo de gorduras e sem fritura. Indicada para pessoas com problemas digestivos em geral e para o pós-operatório.

  • Pastosa: Alimentos em forma de papa. Esta dieta é, muitas vezes, também associada à Hiposódica, pois é indicada a pacientes com problemas cardio-vasculares, hipertensos,e com dificuldade de deglutição (Disfagia).

  • Líquida: Sopas liquidificadas. Indicada a pacientes com dificuldades na deglutição.

  • Insuficiência Renal: Dieta bastante restrita. Além do sal, restringe alguns alimentos também.

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