Artigo | ![]() |
28/09/2001
É difícil encontrar uma criança que não tenha sido questionada a
respeito de suas intenções profissionais para o futuro. A frase, título
desse artigo, torna-se motivo de muitas fantasias, não só do ideário
infantil, mas também de adultos que depositam expectativas acerca da
carreira que imaginam ser seguida por seus filhos. Além disso, é ainda comum
encontrar essa frase em sites, revistas ou jornais que tratam do assunto
orientação vocacional, e que na maioria das vezes, são destinados ao
público adolescente.São muitos os fatores que permeiam a escolha profissional de alguém. Um deles passa pelo campo social e econômico. A crise econômica vivenciada por todos atualmente é um fator considerável que interfere em tal decisão: “Devo seguir a minha vocação, aquilo que gosto de fazer e que me dá prazer, ou preciso optar por algo mais lucrativo?” Outro refere-se à já mencionada expectativa dos pais, que, não raro, têm a fantasia de se realizarem através da figura dos filhos. Entretanto, acredita-se que a interferência maior encontra-se no campo existencial daquele que escolhe.
Cada vez mais cedo os adolescentes estão sendo impelidos a uma tomada de decisão séria e complexa sobre o direcionamento de suas vidas no âmbito profissional. Com mais ou menos dezesseis ou dezessete anos precisam escolher o curso a que irão se dedicar e assim a atividade que irão exercer por um longo período. Dessa maneira experimentam incômodos sentimentos de pressão, sufocamento, angústia, medo, insegurança, entre tantos outros. Começam a se deparar com problemas físicos de origem emocional, os famosos transtornos psicossomáticos, que vão desde distúrbios gástricos ou dermatológicos, até insônia, sudorese ou taquicardia.
O fato é que no âmago da adolescência eles se percebem obrigados a tratar de questões referentes à vida adulta, fase ainda distante de suas realidades. Sendo assim, o conflito interior torna-se inevitável. Dividem-se entre o passeio no shopping e a matéria a ser estudada para o vestibular, entre a prova simulada no fim de semana e a freqüência aos shows e bares.
A verdade é que muitos não se encontram bem preparados para o ingresso em um curso superior, e consequentemente para a tomada de certas responsabilidades, simplesmente porque estão conhecendo o mundo agora e acima de tudo a si próprios, estão em busca de uma identidade autêntica.
O que se costuma observar naqueles que se apresentam imaturos para fazer uma faculdade, mas que mesmo assim iniciam o curso, é um baixo aproveitamento dos conteúdos ensinados e um conseqüente despreparo para a entrada no mercado de trabalho. Isso se dá por não vivenciarem de forma saudável os referidos conflitos, pulando as etapas do desenvolvimento e permanecendo no estado de imaturidade por mais tempo.
Nesse contexto muitos adolescentes procuram a ajuda do psicólogo no sentido de orientar o que, para eles, parece não ser passível de organização. Assim são realizados os processos de orientação vocacional. É importante ressaltar que esse processo não dá respaldo à atitude, de certa forma comodista, de busca de solução pronta e imediata para todas as perguntas, e também não faz a escolha em nome do orientando.
A orientação vocacional possibilita a tomada de consciência do indivíduo acerca de sua movimentação interior e o auto-conhecimento, através de determinadas técnicas, para que ele próprio possa tomar uma decisão e assumi-la.
Denise Mendonça de Melo
é psicóloga, formada pelo
Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora.
Saiba mais clicando aqui.