Saúde

Síndrome do Pânico Os sintomas e as causas de um distúrbio ainda pouco conhecido

Flávia Machado
12/03/2002

"Só me sentia tranqüilo quando corria a um consultório de um médico e o obrigava a medir minha pressão, ouvir meu coração e a fazer um eletrocardiograma." A descrição fictícia é de um típico caso de Síndrome do Pânico. Ao contrário do que muita gente pensa, a síndrome ou transtorno do pânico é mais comum do que se imagina, pode se manifestar em diferentes estágios e leva a pessoa a consultar sempre um médico, acreditando ser uma patologia clínica, o que na verdade é um distúrbio psiquiátrico. Nos últimos anos, apesar de ter havido avanços consideráveis quanto ao tratamento, suas causas ainda são pouco conhecidas pela medicina.

Em geral, como explica a psiquiatra Elimar Jacob Salzer Rodrigues, esta é uma doença que se manifesta no início da vida adulta e também na adolescência. É mais comum em mulheres, está ligada ao histórico familiar e atinge de 2 a 5% da população brasileira. Suas crises estão relacionadas com a ansiedade, sendo considerado um transtorno psiquiátrico, podendo ter consequências tanto psicológicas quanto físicas. "Na maioria das vezes, existe uma dificuldade em diagnosticar o distúrbio, já que os sintomas físicos levam à procura de outros especialistas, que não um psiquiatra", ressalta a psiquiatra.

Crises de ansiedade súbitas, sensação de asfixia, medo intenso, palpitações ou ritmo cardíaco acelerado. Estes são alguns dos sintomas da Síndrome do Pânico que, como esclarece a psiquiatra, aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente e duram apenas alguns minutos. A doença se manifesta em diferentes estágios, sendo o mais avançado deles quando existe a manifestação de agorafobia, em que o paciente se isola do resto do mundo, com medo de estar em lugares cheios, nos quais a ajuda pode não estar disponível, ou ainda de difícil saída, como por exemplo, num teatro.

Em outros casos, a vida de muitas pessoas que desenvolvem o transtorno do pânico pode parecer normal, sendo inclusive bem sucedidas em suas atividades. No entanto, como alerta a psiquiatra, a síndrome é crônica e pode apresentar períodos de diminuição sintomatológica, bem como de agravamento da freqüência e intensidade dos ataques de pânico, sendo de extrema importância o acompanhamento psiquiátrico do caso, já que muitas vezes o paciente necessita de medicação. "O tratamento farmacológico associado a psicoterapia de apoio apresenta os melhores resultados", afirma Elimar.