Vida Saudável



Artigo
Como educar meus filhos...

::: 24/12/2003

Com a chegada do período das férias escolares, muitos pais preocupam-se porque terão o filho um mês ou mais em casa sem uma atividade definida. Desta maneira, suas programações e compromissos habituais, obrigatoriamente, sofrem uma alteração. Convivem com os desentendimentos entre irmãos ou mesmo amiguinhos, desejos e atitudes dos filhos, integralmente, muitas vezes sem saber como lidar com os melindres e dificuldades das contendas diárias.

O papel de educador de filhos não é nada fácil de desempenhar, apresentando uma complexidade relevante. Nesse contexto, a escola costuma surgir como um grande auxílio, ou, em alguns casos, como única fonte de apoio ou preventiva de comportamentos desfavoráveis futuros. O psicoterapeuta, também, por várias vezes é procurado para respaldar métodos educacionais e intervir junto a crianças, adolescentes e pais que apresentem um conflito ou problemas comportamentais e de ajustamento.

Acredita-se que o interessante quando o assunto é educação de filhos seja delimitar uma estratégia bem estabelecida de atuação e não, simplesmente, agir impetuosamente durante o calor dos acontecimentos. Nesse sentido, estudar um pouco sobre as possibilidades de formas e estilos de atuação junto aos filhos e as implicações que podem vir a trazer é uma sugestão. Dessa maneira, fica mais lúcida a adoção de um método educacional adequado ao que se deseja para o desenvolvimento da criança ou do adolescente.

Alguns autores relatam sobre estilos adotados pelos pais para educar os filhos, como é o caso de Claudio S. Hutz, que organizou um livro sobre aspectos teóricos e estratégias de intervenção junto a crianças e adolescentes. Esclarece que existem quatro estilos. Por conseguinte enfatiza que os pais podem ser autoritários, sendo muito exigentes e limitando a capacidade de auto-regulação dos filhos. Tendem a agir de forma rígida, impondo valores, regras e punições, afetivas ou físicas, que mantenham um respeito às tradições. Esse estilo não proporciona aos filhos possibilidade de compreender as situações e fatos da vida e a necessidade de modificação dos comportamentos socialmente inadequados. Argumenta que essa forma de proceder produz altos níveis de medo, ansiedade, raiva e retraimento social nos filhos; apresentam um bom rendimento escolar, e não apresentam problemas de comportamento, mas manifestam baixa auto-estima e auto eficácia.

Esse mesmo autor relata que alguns pais são percebidos como indulgentes. São tolerantes e afetivos, proporcionam a auto-regulação dos filhos e agirem de acordo com uma orientação ideológica complacente. Entretanto, têm dificuldades em impor limites e não costumam fazer exigências. Os filhos advindos desse estilo de educação desenvolvem autonomia e apresentam boa auto-estima, mas apresentam problemas como hiperatividade, comportamento agressivo, abuso de substâncias ilícitas e delinqüência. Descreve também pais percebidos como negligentes. Esses pais também não são exigentes e, além disso, demonstram pouco interesse em oferecer assistência emocional aos filhos. Esses pais são pouco envolvidos com a criação dos filhos, não se mostrando interessados em suas atividades e sentimentos, centrando-se nos seus próprios interesses. Essa forma de proceder pode desencadear nos filhos comprometimento no desenvolvimento psicológico, prejudicando a competência social e acadêmica e aumentando a ocorrência de depressão, ansiedade, somatizações, além da hiperatividade, agressividade e uso de drogas.

Por último, o livro de Hutz descreve o padrão de educação parental chamado autoritativo. Evidencia que as famílias que seguem esse padrão de socialização conseguem, de forma efetiva, promover um espaço de interação, no qual seja possível modelar o comportamento dos filhos, por meio de conselhos, regras e normas, de modo que tal controle não seja intrusivo, mas pareça afetivo e protetivo na percepção das crianças e adolescentes. Esses pais encorajam a liberdade e a autonomia, ao mesmo tempo em que apresentam-se responsivos às necessidades e opiniões dos filhos. Dirigem a atividade dos filhos de maneira racional, estabelecendo padrões de conduta e valorizando o respeito às regras que consideram razoáveis. Respeitam a individualidade e promovem o diálogo. Filhos educados por esses tipos de pais apresentam melhores índices de adaptação psicológica, auto-estima, autoconfiança, autoconceito positivo, competência social e melhor rendimento escolar.

Conscientes dessas formas de procedimento e de suas implicações fica mais fácil eleger o estilo de educação que se pretende utilizar com os filhos. É importante lembrar que o estilo precisa ser adotado pelo casal de educadores, ou mesmo por todas as pessoas envolvidas no processo. A criança e o adolescente precisa ter uma referência sólida vinda dos educadores e esses precisam ser congruentes em sua atuação, não somente entre si, mas também com o estilo que a escola onde eles estudam tem como base.


Denise Mendonça de Melo
é psicóloga, formada pelo
Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora.
Saiba mais clicando aqui.

Sobre quais temas (da área de psicologia) você quer ler novos artigos nesta seção? A psicóloga Denise Melo aguarda suas sugestões no e-mail psique@jfservice.com.br.
Publicidade