Saúde


Artigo
Agorafobia - Medo de lugares abertos?
Por quê?

::: 20/01/2005

Foto: http://desejosardentes.blogs.sapo.pt Janeiro é tradicionalmente reconhecido como mês de férias. Nesta época do ano muitas pessoas deixam seus trabalhos, suas casas, cidade onde moram para viajar, objetivando o descanso e a quebra da rotina.

Alguns optam por regiões montanhosas, outros por áreas litorâneas e ainda existem aqueles que aproveitam o período de férias para visitar familiares que moram distante. Entretanto, existem pessoas que são impedidas de realizarem esses tradicionais passeios devido a uma ansiedade exagerada, ou mesmo temor de estarem em lugares abertos. São aqueles que sofrem com a agorafobia.

O termo agorafobia pode significar, de forma simplificada, medo de lugares abertos. Mais especificamente, segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana, DSM IV, agorafobia refere-se à ansiedade acerca de estar em locais ou situações de onde possa ser difícil, ou embaraçoso, escapar; ou onde o auxílio pode não estar disponível, na eventualidade de ter um ataque de pânico inesperado ou sintomas tipo pânico.

Este Manual revela que os temores agorafóbicos, tipicamente, envolvem agrupamentos característicos de situações, que incluem: estar fora de casa desacompanhado; estar em meio a uma multidão ou permanecer em uma fila; estar em uma ponte ou em um congestionamento de trânsito; viajar de ônibus, trem ou automóvel.

O indivíduo tende a evitar essas situações, como por exemplo: viagens são restringidas ou suportadas com acentuado sofrimento ou com ansiedade acerca de ter um ataque de pânico ou sintomas tipo pânico; se viajam, exigem companhia. Desta maneira, uma pessoa agorafóbica pode sentir-se mal por estar em casa, ou na rua sozinha, mas sentir-se um pouco mais confortável se estiver até mesmo na companhia de uma criança..

Especialistas do site www.psiqweb.med.br informam que o ser humano normal é dotado de um equipamento psico-biológico suficiente para fazê-lo sentir ansiedade diante de situações específicas e que exigem uma atitude mais incisiva e imediata, entretanto, assim que tal situação se resolve, tudo voltará ao normal fisiologicamente.

Apesar disso, para algumas pessoas, como aquelas que convivem com a agorafobia, o sentimento de ansiedade torna-se incontrolável quando vivenciam situações que, habitualmente, seriam percebidas como comuns.

Foto: http://www.highland.gov.uk Assim, podem desencadear reações como tremores, sudorese, taquicardia, falta de ar, tonturas, sensação de desmaio ou descontrole, por exemplo, quando estão em meio a uma multidão. Por vezes, passam a ser consideradas como pessoas emocionalmente fracas, ou têm sua sanidade mental colocada em xeque.

Desta maneira, a pessoa passa a ter sua vida social ou mesmo profissional comprometida, pois em muitos casos pode deixar de ir ao trabalho por medo de entrar no elevador, ou locomover-se de ônibus, ou ainda deixar de sair com os amigos, por temer estar em um barzinho ou boate.

O AMBAN, Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, alerta que não se deve confundir agorafobia com fobia específica. Esta última está relacionada sempre com situações ou objetos determinados: baratas, cachorro, aves, altura, dirigir veículos, avião, entre outros. Nesses casos, a ansiedade desaparece quando o objeto aversor também desaparece.

Entretanto, clinica e terapeuticamente falando, essa confusão parece não ter a mínima importância, devido ao fato do tratamento médico-psiquiátrico e psicológico ser, basicamente, o mesmo para todos esses casos, segundo o DSMIV. Esse tratamento baseia-se no uso de medicamento adequado para conter a ansiedade exagerada e em psicoterapia.

É importante destacar que ninguém deve fazer um auto diagnóstico de agorafobia, ou qualquer outro transtorno psíquico, baseado somente em algumas informações, como as reveladas acima. Existem profissionais que podem identificar a presença ou ausência desse problema e assim estabelecer um plano de tratamento ou tranqüilizar a pessoa de que não sofre de nenhum tipo de fobia.


Denise Mendonça de Melo
é psicóloga, formada pelo
Centro de Ensino Superior
de Juiz de Fora.
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