Estresse no trabalho
Dicas para viver em harmonia com seu corpo e mente.
Conheça as etapas do "estresse empresarial"
Repórter
09/10/2006
Corre-corre, hora de almoço, folga pra ir no banco, conta daqui, conta dali, chefe, horário, vontade de dormir mais um pouquinho. Se todas essas palavras juntas estão lembrando muito o seu cotidiano. Cuidado! É preciso ficar atento para não cair nas garras do estresse.
"O estresse é um desafio que se repete em curtos espaços de tempo, causando
desgaste físico, mental e emocional"
, resume Ana Maria
Stoppa (foto abaixo), especialista em Gestão Empresarial e
Comportamento Social.
Em sua pesquisa "O Caminho do Estresse", ela examinou a evolução do problema na vida de empresários, profissionais liberais e funcionários de empresas públicas e privadas de algumas cidade da Zona da Mata, incluindo Viçosa, Ubá e também Juiz de Fora.
Conforme comentou a especialista, o "mundo atual" funciona quase que como um potencializador de distúrbios de estresse. Ela comenta como há 15 anos, por exemplo, tanto o ritmo de trabalho quanto as informações disponíveis eram menores, assim como a cobrança. Entre os seus entrevistados, praticamente, todos apresentavam algum nível de estresse.
"Antigamente, o bonito era ficar em uma empresa por anos e,
quando alguém entrava sabia que se não fizesse nada errado, isso poderia acontecer. Hoje,
a pessoa tem que fazer mais que certo pra sentir que a sua vaga está lá. Não
fazer errado virou obrigação, que não acrescenta nada ao valor agregado da
contratação"
.
Depois de entrevistar 1.250 pessoas de diferentes extratos sociais e
níveis de escolaridade, a pesquisadora estabeleceu o que chamou de
seis estágios do desenvolvimento do estresse no trabalho.
"Em geral, a pessoa
estressada apresenta sintomas de todas as fases mas, conversando com elas, é
possível encontrar um padrão de evolução de seus problemas"
, explica.
Como destacou Ana Maria, é importante entender em que estágio se está da doença para ter mais controle sob suas informações. Entendendo como é que se está o estresse, "olhado de fora" para si mesmo, as chances de se curar antes que a doença esteja completamente instalada é maior.
Estágios do estresse no ambiente de trabalho
A pesquisa da psicóloga, levantou seis estágios diferentes para o estresse. Confira as definições, tente reconhecer se você tem essas preocupações e anote as dicas para se livrar até da possibilidade do distúrbio."Quando conseguimos voltar no tempo e identificar o momento em que o estresse começou a se instalar, em 98% dos casos, encontramos manifestações de ansiedade", explica Stoppa. A pesquisadora diz que ansiedade aparece em quem tem medo do futuro, isto é medo de perder o emprego ou de enfrentar a imprevisibilidade do trabalho. "É preciso não ter medo do que vem por aí, pensar que sua vida não vai acabar se você tiver que mudar de emprego ou mesmo de profissão".
2º nível - Excesso de cobrançaDepois que a pessoa tem medo do futuro, ou seja, é ansiosa com relação ao que vem por aí na sua profissão, o estágio seguinte é a cobrança excessiva, como que em uma espécie de "garantia" de que o futuro vai ser do jeito que se planejou.
Por estar insegura quanto ao seu futuro, a pessoa começa a se sentir obrigada a trabalhar mais do que deve, a fazer serviços que não são de sua responsabilidade e a se sentir cobrada pelos outros", descreve Ana Maria.
3º nível - Desordem pessoalDepois que a pessoa já se ocupa mentalmente e fisicamente de coisas que nem são da sua alçada, o "ritmo da vida" começa a ficar comprometido, e aí, vem o próximo passo do seu estresse.
"A pessoa começa a perder o poder de se planejar, não consegue mais dar conta dos compromissos pessoais, o que a deixa ainda mais ansiosa". Sem tempo para si mesma, ela começa a se sentir mal. Sem tempo para os outros que a cercam, ela perde apoio e fica ainda pior.
4º nível - Preocupação excessivaAqui o efeito deixa de ser cascata. A pessoa já não está bem e começa a ficar preocupada com tudo, não desliga a mente. "O profissional fica ruminando, por exemplo, uma apresentação formal de um projeto, mas, em vez de planejá-la, fica reclamando de aspectos técnicos, sem conseguir buscar soluções práticas para o problema". A dica de Stoppa é ser bastante prático com tudo. Se planejar para não ficar tenso, mas feito que o deve ser feito, é preciso ter clareza que nem tudo na vida dá certo 100%. O importante é ter tentando fazer com que tudo dê certo.
5º nível - Inflexibilidade
Quando chega nesse nível de estresse, o empregado ou patrão já não consegue suportar a idéia de que algo mude na sua vida, que algo possa acontecer diferente do que ela planejou. A capacidade de trabalhar em equipe praticamente desaparece, e a pessoa não consegue enxergar que os outros podem ajudá-lo ou estarem certos.
"Quando o estresse chega nesse nível é preciso procurar ajuda. É muito difícil alguém se libertar, sozinho, desses pensamentos obsessivos", reforçou Ana Maria.
6º nível - Sensibilidade
O último estágio de evolução do estresse é a irritabilidade. Neste estágio, tudo irrita o profissional estressado: a luz, o barulho do telefone, a voz do chefe, o som do teclado do computador, tudo é motivo de insatisfação. Stopa também descreve que nessa fase, são comuns as desavenças com colegas.
"O pior é que muitas pessoas pensam que, quando isso acontece, o estresse
está apenas começando. Engano. Quando chega-se esse ponto, é necessária uma
revisão dos planos pessoais e profissionais, pois a pessoa já atingiu seu
limite físico e emocional"
, diz ela.
Dicas da psicóloga para evitar o estresse no trabalho

Quebrar o clima de sobriedade. Esse é o caminho. Para Ana Maria Stoppa, é preciso que a empregado reconheça no seu ambiente de trabalho, uma pedacinho da sua casa, da sua vida. Afinal, tem gente que passa mais tempo na empresa e com os colegas de serviço que com os próprios filhos ou maridos.
Como recomenda Stoppa, é bom procurar quebrar o ambiente maçante. Colocar uma planta na sua mesa ou fotos de pessoas queridas ajudam muito. Quando o serviço estiver muito corrido, procure reservar um tempo para descansar, nem que seja só um pouquinho.Uma opção é escutar música, em algum momento durante o expediente. Nada que prejudique o seu trabalho, mas apenas alguns minutos para quebrar o clima. Ana Maria alerta, no entanto, que isso pode variar muito de pessoa para pessoa. "Cada pessoa tem que saber que tipo de música é melhor para ela" lembra a psicóloga. Para pessoas que adoram dançar, escutar música clássica pode deixá-las mais nervosas. Nesses casos o melhor pode ser sair para se divertir.
Ao sair do trabalho, o importante é pensar em outras coisas, aliviar a cabeça. As opções podem ser desde sair com os amigos, dar um passeio, até tomar um banho relaxante ou ler um livro. Cada pessoa deve procurar a sua forma de aliviar a rotina. Nos casos mais graves, procurar ajuda de um psicólogo pode ser uma solução.
- 16/10/2006 » Gagueira em adolescentes
- 16/10/2006 » Incentivo à alimentação saudável - Cantineiras mostram talento, criatividade e preocupação com a alimentação escolar saudável em concurso de culinária
- 06/10/2006 » Mel (parte I)
- 30/09/2006 » Medo de quê?
- 05/10/2006 » Inteligência musical - Segundo estudo, a música não é considerada um recurso e sim um tipo de inteligência que expressa a emoção
- 27/09/2006 » CLA - ácido linoleico conjugado
- 26/09/2006 » Alimentação na terceira idade - Anote as dicas para ter mais qualidade de vida na melhor idade. Os cuidados devem começar o quanto antes
- Leia mais matérias em arquivo...
