Saiba tudo sobre esta doença que "ficou famosa" com o big brother Jean Massumi e pode causar sérios problemas de vista
Deborah Moratori
29/08/03
Visão embaçada... Dificuldade para enxergar... O grau dos óculos está sempre
aumentando... Muitas pessoas que têm problemas de visão como a miopia e o
astigmatismo em graus altos podem, na verdade, estar com uma doença chamada
ceratocone. "O ceratocone é uma doença que provoca a alteração da curvatura da córnea que tem o formato de uma meia esfera. Com o desenvolvimento da doença, os meridianos da córnea ficam maiores formando um cone", explica a oftalmologista, Cristina Guerra.
Segundo a médica, esse problema resulta num astigmatismo muito alto, fazendo com que a pessoa passe a enxergar mal. Esta doença pode afetar severamente a visão, dificultando, inclusive, tarefas simples como dirigir, assistir à TV ou ler um livro. Mas muitas pessoas não percebem que tem ceratocone porque a doença começa como um problema de visão comum, como uma miopia ou um astigmatismo.
A diferença é que, com o ceratocone, o grau evolui rapidamente o que obriga
o paciente a estar sempre trocando de óculos que podem ajudar no primeiro
momento. "Na fase inicial, quando o paciente começa a ficar com a visão
embaçada, os óculos corrigem este grau pequeno, mas com a evolução da doença
o ceratocone passa a ser tratado com lentes de contato rígidas que também
funcionam no sentido de estar pressionando a córnea. Quando o problema está
muito avançado, a cirurgia é a melhor solução", diz Cristina.
Em família
Nenhuma teoria explica completamente o porquê da manifestação do ceratocone.
No entanto, já é bem conhecida a associação com doenças hereditárias. A
estudante Amanda Dias Nascimento é um exemplo claro dessa ocorrência
familiar do ceratocone. Embora os pais e avós não tenham o problema, ela, a
irmã, uma tia e um primo desenvolveram o ceratocone.
Aos 15 anos, a vista direita da estudante tem dez graus de miopia. O ceratocone também se manifestou no olho esquerdo, mas com um grau menor. Já tendo usados óculos na fase inicial da doença, hoje o problema de Amanda exige as lentes de contato rígidas. "Só que eu não estou conseguindo me adaptar. Quanto maior o grau, menor a lente e mais incômodo e irritação ela provoca. Ela aperta, o olho arde, coça e incha. O pior é que só em dois anos o grau aumentou de seis para dez. E eu não consigo enxergar sem a lente", lamenta.
Na tela da TV
O conhecimento pela maioria das pessoas por esta doença
veio à tona depois que, Jean Massumi, um dos
participantes da terceira edição do programa Big Brother
Brasil, declarou publicamente que tinha ceratocone. Em entrevista à ACESSA.com, Jean contou que descobriu o problema por volta
dos 15, 16 anos e que, ao contrário de Amanda, não possui ninguém na família
com o problema.
"Quando eu era mais novo, eu já usava óculos. A partir de uma certa idade, eu comecei a trocar os óculos com muita freqüência. Eu ia ao oftalmologista e, dois, três meses depois, tinha que voltar porque o grau já não era mais suficiente. Depois que descobriram o problema, eu passei a usar as lentes de contato rígidas, mas naquela época não existia ainda um tratamento moderno. Cheguei a perguntar para o médico se eu ia ficar cego e ele me respondeu que não, mas que a minha capacidade de enxergar ia diminuir bastante".
Com a desistência das lentes, "elas pareciam um caco de vidro dentro do olho e, depois de um tempo, elas não encaixavam direito e viviam saindo no lugar e caindo", lembra, o massoterapeuta abandonou o tratamento. Em maio deste ano, quando o olho direito estava com apenas 20% da capacidade de enxergar, Jean foi submetido a uma cirurgia para corrigir o problema.
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"A cirurgia é técnica mais moderna que existe para reversão do ceratocone. Antigamente, a última solução era o transplante de córnea", ressalta Cristina Guerra.
Jean foi operado em Belo Horizonte pelo criador da técnica da cirurgia para o tratamento da doença, o oftalmologista brasileiro Paulo Ferrara. A técnica batizada de Anel de Ferrara consiste na implantação de dois microanéis de acrílico, que pressionam a córnea fazendo com que ela volte à posição normal - o ceratocone deixa a córnea pontiaguda, parecida com um cone.
Simples e eficiente
A técnica vem sendo difundida desde 1996.
"A cirurgia é feita com o uso de um colírio anestésico, dura de cinco a dez
minutos e é realizada em clínicas especializadas", explica o criador da
técnica, o oftalmologista Paulo
Ferrara.
Segundo o médico, a cirurgia apresenta bons resultados e, se realizada em fase inicial do ceratocone, pode fazer com que o paciente recupere 100% da visão. "Na maioria dos casos, a implantação do anel diminui bastante o ceratocone e, em alguns, ele desaparece. De qualquer maneira, a cirurgia retarda a evolução da doença", diz.
A recuperação também é bastante tranqüila, de acordo com Jean, que contou
com a corujice e os mimos da mãe Ermelinda Gotardo Hara após ter se
submetido à cirurgia. "Nas primeiras 10, 12 horas após a cirurgia, tinha que
pingar o colírio de 15 em 15 minutos. A assepsia também era muito
importante. E para dormir, ele usava um tampão. E em um mês ele já tinha se
recuperado totalmente", lembra a mãe.
Três meses após a realização da cirurgia, o massoterapeuta comemora os resultados e já pensa em operar o olho esquerdo. "Eu recuperei 40% da capacidade de visão, com a vantagem de o grau estar estabilizado. Estou enxergando três vezes mais depois da cirurgia. E isso é simplesmente maravilhoso. A gente só percebe o que estava perdendo, depois que recupera".
Em Juiz de Fora, a cirurgia é realizada no Hospital Nove de Julho. A operação custa R$ 4 mil, só o preço do anel é de R$ 1.030, valor pago à vista. O restante pode ser dividido em até nove vezes.
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