Saúde

Cuide bem do seu coração
Especialista alerta os juizforanos dos cuidados
para se evitar doenças do coração

Tâmara Lis
30/09/03

No último domingo, 28 de maio, comemorou-se o Dia Mundial do coração. Mas, se olharmos o número de pessoas que não sabem como cuidar bem dele, vamos ver que não temos muitos motivos para comemorar.

Apesar das doenças coronárias estarem mais associadas aos homens que às mulheres, uma pesquisa detectou que trata-se de um problema que atinge pessoas de ambos os sexos e, está cada vez mais presentes em jovens.

Não à toa, este ano o tema da campanha foi O coração da mulher, já que as estatísicas demonstram um maior número de mulheres com problemas no coração.

Por que as mulheres?
Uma explicação para isso se deve ao fato de que, com as mudanças do mundo moderno, elas passaram a ser provedoras da família, profissionais de destaque e, inevitavelmente, a conviver em ambientes de grande estresse.

Como se isto não bastasse, as mulheres contam ainda com o desequilíbrio hormonal que ocorre na menopausa. Motivo que pode agravar vários casos como, por exemplo, o de Elizabeth dos Santos Hallack, de 54 anos.

Ela conta que, apesar do susto, sua vida mudou para melhor depois do infarto que teve há cinco anos atrás. A predisposição para a doença a fez levar a saúde mais a sério e a viver melhor e de maneira mais consciente. "Sempre fui muito estressada mas nunca fumei ou bebi mais do que o permitido. Eu também não tinha uma vida muito sedentária e sempre fiz um chek-up anual. Na época do infarto, eu estava com problemas familiares e, pelo que achamos agora, também houve algum problema de hormônio", relembra.

"Comecei a sentir as dores e fiquei uma semana tomando remédio, pensando que aquela dor fosse passageira. Cheguei a colocar bolsas de água quente e a entrar no chuveiro para ver se melhorava, mas nada".

Quando, após uma semana, as dores já estavam insuportáveis, Elizabeth procurou um médico que fez um eletro e constatou o infarto. Ela foi atendida e levada para o CTI onde ficou por 24 horas. "Acredito que este tipo de coisa acontece como um aviso para que vejamos que está na hora de cuidar mais da nossa saúde", reflete. Elizabeth agora conta que leva a vida mais "devagar", faz yoga e se alimenta muito melhor.

Famosas que enfrentaram o mesmo problema

Sem distinção de sexo
Outro que também levou um susto daqueles foi o jornalista Luiz Antônio Magri, de 55 anos. Há três, ele foi surpreendido com um infarto. Bem, surpreendido é modo de dizer já que com a vida "estressante" que ele levava (trabalhando muitas vezes de 7h às 23h) e fumando dois maços e meio de cigarros por dia, já era de se esperar que o coração reagisse às agressões.

"Minha saúde sempre foi muito boa nunca precisei ir ao médico. Agora vou ter que passar a vida toda tomando remédio. Passei mal na semana de Natal e fiquei o Natal e Ano Novo no hospital. A princípio, pensei que era uma goiaba que tinha comido, tanto que tomei trauma e, até hoje, não consigo comer goiaba. Fui ao hospital, na hora de entrar já estava com os sintomas do infarto: suando muito e com uma náusea muito grande e o coração batendo acelerado. Aí me disseram que eu precisaria ficar internado, eu relutei muito pedi até para um amigo meu que é médico ir até lá, mas não teve jeito: fiquei sete dias no CTI e tive de fazer cateterismo e angioplastia", lembra.

Assim como Elizabeth, o susto também transformou a vida de Magri. Ele diz que depois do infarto sua alimentação passou por mudanças radicais. "Antes eu comia um prato que parecia uma montanha, agora tenho que moderar. Também faço todos os dias caminhadas de meia hora". O cigarro? Bem, ele conta que tomou verdadeiro trauma do que antes era um vício. "Cigarro nunca mais. O susto foi tão grande que nem tive mais vontade de fumar", diz.

Com a palavra quem entende...
O cardiologista Marcus Augusto Poncinelli Alves diretor do Sabincor (grupo formado por 37 médicos, especialistas em diversas áreas) alerta para os riscos de não se cuidar bem do coração.

Na opinião do cardiologista Juiz de Fora ainda merece um esquema que permita aos leigos obter informações sobre formas de prevenção de doenças relacionadas ao coração. "É preciso que o leigo tenha orientações pessoalmente, seja através de palestras ou workshops. Nós já passamos orientações nos contatos diretos que temos com os pacientes quando eles nos procuram no consultório, mas podemos fazer um trabalho muito maior, utilizando a mídia por exemplo".

É importante a prática da atividade física mas de forma mais regular e sempre com o aval do médico. "As pessoas geralmente concentram toda a atividade física em um período muito curto e isso não é certo", orienta o cardiologista.

Um problema que vem de berço
O cardiologista lembra ainda que antigamente o hábito de alimentação era mais saudável. "Hoje em dia, a alimentação é mais prática. As pessoas acabam optando pelo fast food que, rapidamente, consegue resolver o problema da alimentação. O fast food é uma forma mais rápida de alimentar a família, mas pode custar muito caro para o coração", alerta.

"Hoje em dia a alimentação de uma maneira geral está muito ruim É preciso ter uma alimentação rica em verduras, legumes, carnes magras e fibras. E o colégio também tem uma participação importante na educação alimentar destas crianças. Seria importante que as cantinas começassem a rever a alimentação que disponibilizam para os alunos e começassem a oferecer um alimento mais saudável", orienta o cardiologista

Saiba mais

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