Tradição milenar ganha status de ciência e
ajuda a tratar problemas motores e sensoriais
Ana Luisa Damasceno
12/11/03
Todos sabem que a água é fonte da vida. A frase não é nenhuma novidade.
Tanto que as primeiras experiências envolvendo cura têm a água como
principal ingrediente. A hidroterapia, que usa a água para ajudar a curar
lesões e problemas de movimento, é uma delas e surgiu antes
mesmo da fisioterapia. O tratamento foi redescoberto há alguns anos e ganhou status de ciência. Os atletas foram os primeiros adeptos, por precisarem de uma recuperação mais rápida. Logo depois os fisioterapeutas passaram a usar a hidroterapia em outros pacientes, como pessoas que têm paralisia cerebral ou dores na coluna.
A hidroterapia na cidade
Em Juiz de Fora todas as academias de ginástica que têm piscina oferecem
sessões de hidroterapia. Por ser uma atividade na piscina, e em academia, os
pacientes se soltam mais. "Ficar longe daquele ambiente de clínica, que
lembra doença, é ótimo", conta Angela Pasquini.
Ela sofreu uma cirurgia para retirada de hérnia de disco e estava com muitas dores. "Tentei a fisioterapia convencional, mas até piorei. Até que o fisioterapeuta me indicou a hidroterapia".
Depois de sete meses de tratamento, as dores diminuíram. Angela diz que está quase boa. "Daqui a pouco tempo estarei dançando". Para ela, o clima da academia ajudou na recuperação. Angela fez amizades e participa das festas de integração do local.
Brincadeira que cura
O aspecto de brincadeira, típico de atividades desenvolvidas em piscinas,
distrai os pacientes. "Os exercícios acontecem enquanto outras turmas têm
aula de natação. Isso ajuda os pacientes, que se entrosam com outras
pessoas", conta a fisioterapeuta Daniela Ferrari.
Ela explica que, por ser uma atividade na piscina, o paciente baixa a guarda. "Isso é fundamental na recuperação. E, por estar numa academia, na piscina, o tratamento ganha status de brincadeira", explica.
Rodrigo, de três anos, já se acostumou ao tratamento. O pai do menino, que
tem Síndrome de Down, conta que ele faz as sessões desde os quatro meses de
idade. "A melhora é muito grande", conta Eduardo Prata Lopes. "A coordenação
motora dele está melhorando a cada dia". O contato com outras crianças
também ajudou Rodrigo: "ele é animado e não estranha ninguém", conta o pai
orgulhoso.
A fisioterapeuta Daniela Ferrari recomenda o tratamento para vários tipos de pacientes. "Em uma turma eu tenho idosos e crianças". Daniela conta que tem pacientes de três meses a 96 anos de idade. "A terapia é aplicada a vários problemas, e por isso podemos diversificar as turmas". O atendimento individual, porém, não está descartado. A fisioterapeuta explica que, algumas vezes, o paciente precisa de uma atenção especial.
Terapia em expansão
E a hidroterapia tem tudo para crescer ainda mais. Somente em uma academia
de Juiz de Fora são atendidos cem pacientes todas as semanas. Os
fisioterapeutas, por sua vez, estão se preparando cada vez mais.
Cursos de pós-graduação e especialização no assunto não param de surgir. E
os pesquisadores continuam descobrindo novos métodos e aplicações para a
hidroterapia. Uma das técnicas mais recentes é o de Watsu, uma combinação do
shiatsu - massagem oriental milenar - com os princípios da hidroterapia.
"Esse método é mais indicado para combater dores ligadas ao stress e para trabalhar com dependentes químicos", ressalta Daniela Ferrari. Outra novidade é associar elementos da hidroginástica na hidroterapia. Agora os fisioterapeutas estão usando camas elásticas, típicas do jumping, nos tratamentos.
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