Saúde


Artigo
AIDS: Atuação fonoaudiológica
::: 17/12/2003

Já temos conhecimento do que pode levar uma pessoa a ser infectada pelo vírus da AIDS, disseminada em todo o mundo. Drogas injetáveis, transfusão de sangue, contato sexual entre parceiros de sexo diferente ou do mesmo sexo, e até mesmo bebês na fase intra-uterina podem contrair o vírus HIV.

Apesar do pouco tempo, o trabalho fonoaudiológico já é atuante em pacientes nessa situação. O aparecimento de sinais físicos, como as alterações da língua e de todas as cavidades da boca, que implicam na dificuldade para engolir e falar são algumas dentre as tantas necessidades de tratamento que o paciente com AIDS vai precisar. A dificuldade para respirar, em conseqüência de doenças de pulmão também dificultam a comunicação. A emissão da voz fica frágil, diminui a intensidade, o colorido, o ritmo e a comunicação ficam comprometidas. Isso acontece pela hipotonia (flacidez) da musculatura das pregas vocais.

A entrevista fonoaudiológica com o paciente aidético
A entrevista inicial é informal. O fonoaudiólogo vai ouvir o que o paciente tem a relatar sobre sua maneira de engolir alimentos, a dificuldade para respirar, para falar . Em seguida, a avaliação individual é minuciosa e requer atenção especial, demandando tempo quando as dores na região da boca são fortes. Dependendo do estágio de saúde em que ele se encontra, obtemos bons resultados. Ao contrário, nos estágios mais avançados da doença, a esperança de sucesso do tratamento diminui.

Em geral, dentre os aspectos encontrados na região da boca está a candidíase oral (infecção oral por fungos), a mais comum, e se manifesta de várias maneiras. Dentre as infecções bacterianas está a gengivite, que se manifesta por inflamação leve ou acentuada das gengivas. As infecções por vírus como a herpes simples, papiloma também são encontradas na classe de lesões na região oral.


A fonoterapia
Os resultados da avaliação vão informar o tratamento que deverá ser feito no paciente. Em geral, os materiais descartáveis (luvas, protetor ocular, baixador de língua) fazem parte do trabalho de rotina do fonoaudiólogo durante o período de tratamento.

As anotações das queixas apresentadas pelo paciente serão analisadas e, em seguida, o início da fonoterapia com orientações do tipo:

  • gradativamente vamos mostrando como instalar a respiração mais adequada à fonação (costo-diafragmática)
  • como diminuir a dor ao deglutir : em geral, existe sofrimento durante a deglutição de alimentos por causa de dor, ardência e queimação na língua. Começamos com algumas manobras nos exercícios para aliviar esses sintomas
  • exercícios de relaxamento são sempre interessantes
  • Lembramos sempre da importância de todos os profissionais que estão envolvidos com o paciente estarem juntos, conversando em equipe para melhorar a qualidade de tratamento de cada paciente.


    Cal Coimbra
    é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
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