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Artigo Alterações na fala na fase escolar inicial |
No próximo mês, muitas crianças vão entrar para a escola. Novidade para ela e sua família, que se orgulha desse momento crucial na vida. É o início do processo de aprendizagem, mas a continuação do processo de educação que elas trazem de casa.
É fato que algumas crianças choram quando chegam na escola, e outras até sorriem, têm mais facilidade de integração. Umas chegam conversando com desenvoltura, outras, com certa dificuldade para explicarem o que desejam. Há aquelas que falam “enrolado”, gaguejam, comunicam-se apenas com gestos. Sem nos esquecermos das crianças atemorizadas diante de estranhos, de autoridade, resistindo a entrar e permanecer na escola. Esses sinais são desafiantes, porque a professora vai estar diante de situações que ela precisará resolver, mais cedo ou mais tarde, para ajudar a família.
Em um dos nossos artigos anteriores, dissemos que a criança com dificuldade na comunicação oral, problemas de dicção, entre outros distúrbios da fala, da leitura e da escrita, pode beneficiar-se com o acompanhamento sistemático de um fonoaudiólogo. Dissemos, também, que através de exercícios constantes e de orientação aos familiares, essa criança poderá superar suas dificuldades, tornando-se mais segura, integrada ao seu grupo e com maior chance de aprendizagem.
Os órgãos fonoarticulatórios são os que participam de toda a dinâmica da fala, e a audição é importante para que a criança ouça os sons. Todos já sabemos disso. O que precisa ser esclarecido é que a avaliação de qualquer problema de fala deve ser feita em qualquer idade infantil ! E por mais simples que seja a alteração articulatória, deverá ser resolvida o mais cedo sempre que possível.
Como saber se a criança precisa ou não de tratamento nesses
casos?
Ouça a criança com a atenção que ela merece. O próprio fato de ouvi-la já
ajuda, e muito, no processo de avaliação. Ela fala muito alto? Muito baixo?
Titubeia nas palavras? Engasga com facilidade na hora do lanche? É prolixa?
Lacônica? Alguns fonemas estão trocados? Outros fonemas ela omite,
distorce? Fala olhando nos olhos da professora, dos coleguinhas ou fala de
cabeça sempre baixa? Costuma perguntar com freqüência os mesmos enunciados?
Como a escola deve proceder quando observa alterações da fala?
As escolas podem destinar cada vez mais tempo e atenção especial aos
problemas de fala nas crianças muito pequenas, que estão iniciando a fase
escolar. As crianças podem ser beneficiadas com programas de prevenção,
orientação à família e tratamento das alterações articulatórias.
Sejam quais forem os comportamentos lingüísticos, a escola vai estar diante de problemas e deverá tomar as providências adequadas. Em primeiro lugar, informar ao pediatra e indicar um fonoaudiólogo para uma avaliação detalhada da linguagem e da fala. Juntamente com o pediatra, ele estabelecerá o tipo de conduta mais adequada para auxiliar a criança no seu diálogo social.
Agindo dessa maneira, os problemas serão mais facilmente resolvidos. Com as orientações adequadas, todos serão beneficiados : criança, família, escola, pediatra e fonoaudiólogo.
Cal Coimbra
é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
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