Saúde
Doença Celíaca
A doença que exclui o glúten da dieta
A história de quem convive com as restrições da doença


Débora Sereno
27/04/2004

A nutricionista Cristina Lopes fala sobre a doença, os sintomas e os cuidados que o doente deve tomar.

Ouça! Leia! Aprenda!

Foto ilustrativa A doença celíaca é caracterizada por uma intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeios e seus derivados. Ela induz a produção de anticorpos ao glúten, que agem no intestino delgado, atrofiando-o. O resultado é a dificuldade de absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água.

Pesquisas feitas pela Universidade de Brasília (UnB) calculam que existam 300 mil brasileiros portadores da doença. Em Juiz de Fora, não há pesquisas que indiquem o número de doentes exato na cidade, mas sabe-se que a estimativa não foge a média nacional, ou seja, o número ainda pequeno de celíacos.

Apesar de ainda ser desconhecida, a doença celíaca é reconhecida desde o século XI. Em 1888 um pesquisador inglês, Samuel Gee, descreveu a doença em detalhes e achou que poderia estar relacionada ao consumo das farinhas. Durante a segunda guerra mundial, o pediatra holandês Dickie observou que a incidência da doença havia diminuído. Com a racionamento dos alimentos, o pão havia se tornado um alimento escassos. Três anos depois, o médico conseguiu comprovar a sua relação com o consumo de glúten e, consequentemente, das farinhas.

Os sintomas
Os sintomas principais são os gastrointestinais, como diarréias, intestino preso, perda de gorduras nas fezes. Mas são comuns ainda a perda de peso, distensão abdominal, inchaço das pernas, anemias e sinais de desnutrição calórica. Abaixo, outros sintomas:

  • distensão abdominal por gases, cólicas, náuseas e vômitos
  • dificuldade de adquirir peso e facilidade para perdê-lo
  • baixa estatura
  • fraqueza geral
  • modificação do humor, dificuldade para um sono reparador
  • alterações na pele
  • fraqueza das unhas, queda de pêlos
  • anemia por deficiente absorção do ferro e da Vitamina B 12
  • alterações do ciclo menstrual
  • diminuição da fertilidade
  • O diagnóstico
    O diagnóstico pode ser feito através de diversos exames, especialmente a biópsia do intestino delgado, onde um pedaço do intestino é retirado para a análise no microscópio. Mas como os sintomas são muito genéricos e constantemente associados à outras patologias, é comum a doença ser tratada de forma errada, até se chegar ao diagnóstico correto. A professora de artes Débora Soares Curcio (clique para ler a história) conta que passou dois meses tratando uma anemia crônica, sem resultados, até descobrir o que tinha.

    A doença normalmente se manifesta em crianças até um ano de idade, a partir do momento em que começam a incluir em sua dieta alimentos que levam glúten ou derivados. Mas em alguns casos, ela se manifesta somente na idade adulta, dependendo do grau de intolerância. O atraso no diagnóstico leva a deficiências no desenvolvimento da criança e a diversas complicações.

    O tratamento
    Cristina Lopes, nutricionista O tratamento da doença celíaca é relativamente simples. A nutricionista, Cristina Lopes, conta que apenas em casos onde já há um comprometimento do intestino, o doente irá precisar de algum medicamento. "O tratamento principal é uma dieta totalmente isenta de glúten".

    Uma vez que a alimentação é controlada e a proteína é excluída da dieta, os sintomas desaparecem. Na maioria dos casos, em um curto intervalo de tempo. Logo em seguida, a mucosa do intestino delgado começa a se regenerar e o paciente tem a sensação de que está curado.

    A maior dificuldade é conviver com as restrições impostas pela dieta e com os novos hábitos alimentares. Grande parte do alimentos industrializados possuem glúten em sua composição e têm que ser cortados da alimentação por completo, como pães, massas, alguns doces, entre outros. A nutricionista afirma que um boa opção para os doentes é a substituição das farinhas. As de tapioca e o creme de arroz, por exemplo, são permitidos.

    Os cuidados vão além. O simples ato de fritar um alimento adequado em óleo usado para fritar outro alimentos pode representar riscos para o doente celíaco. A nutricionista lembra que a reação do organismo depende do grau de intolerância que o doente apresenta à proteína. "Para algumas pessoas beber água em um copo mal lavado onde alguém bebeu cerveja, já pode provocar a manifestação dos sintomas".

    Confira alista de alguns alimentos que são permitidos:

  • Cereiais: arroz, milho
  • Frutas: todas, ao natural e em sucos
  • Gorduras: óleos, azeite, margarina, manteiga
  • Laticínios: leite, queijos, e derivados
  • Hortaliças: folhosos, legumes, tubérculos (batata, inhame, cará, mandioca)
  • Leguminosas feijão, soja, ervilha, grão de bico, lentilha
  • Carnes e ovos: aves, bovinos, suínos, caprinos, miúdos, vísceras e peixes em geral
  • A cura
    Infelizmente, a doença não tem cura e, mesmo com os bons resultados da dieta, o paciente deve ficar atento. Ele terá que segui-la para o resto da vida. Se voltar a ingerir glúten novamente, os sintomas voltam e podem levar até a quadros complicados como a desnutrição e problemas ósseos. É comprovado também que portadores de doença celíaca têm maior tendência a desenvolver câncer de intestino e a ter problemas de fertilidade.

    Leia mais:
    Para saber mais sobre a doença celíaca, conferir depoimentos, dicas de receitas e produtros sem glúten, confira os sites abaixo.

  • Associação dos Celíacos do Brasil
  • www.celiac.com (em inglês)
  • www.semgluten.com.br
  • www.vittafix.com.br
  • www.dietacompanhia.com.br