Saúde


Artigo
Esclerose Múltipla - Intervenção fonoaudiológica
::: 14/05/2003

Recebi, para uma conversa inicial, Deborah Aquino, presidente da Associação de Amigos e Portadores de Esclerose Múltipla de Juiz de Fora. Entre um tópico e outro, me comprometi a dissertar sobre o trabalho fonoaudiológico nos portadores de Esclerose múltipla (EM). Coincidentemente, havia lido a reportagem no Portal www.acessa.com (clique para ler a matéria!) sobre aquela Associação. Fiquei sensibilizada e, em primeira instância, devemos esclarecer sobre as contribuições da Fonoaudiologia para a avaliação da conduta terapêutica.

Num segundo momento, tentaremos viabilizar a permanência de um(a) fonoaudiólogo(a) como parte da equipe de profissionais na AAPEM. Entendo que seja imprescindível este profissional trabalhando com pessoas portadoras de Esclerose Múltipla. Aliás, imprescindível em todas as instituições onde permanecem crianças, jovens, adultos e idosos, quando a comunicação oral e escrita esteja comprometida.

Recordando, a Esclerose Múltipla está diagnosticada no campo das alterações neurológicas, dos pontos de vista motor e sensorial, comprometendo, no que diz respeito à fonoaudiologia, a dificuldade para articular as palavras - disartria - assim como a dificuldade para engolir, disfagia, que compromete tanto a sensação geral do paladar como os movimentos importantes para a deglutição, que se dá de maneira lenta, imprecisa, ocasionando engasgos freqüentes e aspirações silenciosas que não são percebidas pela pessoa. Daí, a saliva ou o alimento entram na via respiratória, chegando até os pulmões.

A disfagia é encontrada também em pessoas idosas que começam a engasgar. Em geral, esse processo tende a se agravar com o tempo. Também em crianças com Paralisia Cerebral, parkinsonianos, afásicos (recomendo ler antigo anterior sobre Afasia, clique aqui), pessoas que sofreram traumatismo craniano, e também aquelas que estão acometidas de câncer na região da cabeça e pescoço.

É comum todos pensarmos que o objetivo de qualquer tratamento é a conquista da qualidade de vida da pessoa acometida de qualquer alteração. O caminho para isso está no que cada profissão e pessoas em geral podem contribuir para que ele seja mais curto. Desta forma, mesmo sabendo que, por enquanto, não há cura para a Esclerose Múltipla, já é um grande passo direcionarmos o tratamento para o alívio e prevenção dos surtos.

Alguns fatores podem alertar e contribuir para a identificação da disfagia para que sejam tomadas providências imediatas:

1) Alguns alimentos não estão sendo tolerados como antes
2) O tempo da refeição está mais prolongado que o habitual
3) Há sobra constante de alimento na boca após a deglutição
4) O engasgo e a tosse estão cada vez mais freqüentes
5) A pessoa começa a sentir sufocamento quando vai beber água ou mastigar
6) O alimento pode entrar pelo nariz
7) Por causa da mudança da alimentação, da dieta necessária a cada situação, a pessoa pode cemeçar a perder peso.

Inicialmente, é isso o que temos a dizer. Numa outra oportunidade poderemos voltar ao assunto e esclarecer mais detalhes. Já nos casos de disartria, podemos identificar: a fala arrastada, pesada com dificuldades para articular determinadas palavras.

Lembrando sempre que qualquer tratamento nos casos de problemas de comunicação, a eficácia dos resultados está no trabalho realizado por equipe interdiscilplinar.


Cal Coimbra
é psicóloga e fonoaudióloga especialista em voz
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Sobre quais temas (da área de Fonoaudiologia) você quer ler nesta seção? A fonoaudióloga Cal Coimbra aguarda suas sugestões no e-mail viver_fonoaudiologia@acessa.com