Saúde

Combate ao fumo No dia Mundial sem Tabaco, os fumantes "passivos" são tema central. Em Juiz de Fora, há várias ações educativas

Guilherme Oliveira
Colaboração*
29/05/2007

Ao entrar na sala da residência de Noeme Rocha, de 79 anos de idade, logo se vê na mesa os dois últimos cigarros que ela promete serem os últimos de uma jornada que já dura 46 anos. A promessa não é nova, mas ganhou força após o falecimento de seu irmão, Balbino Rocha, 84 anos, na última sexta-feira, dia 25 de maio.

"Foi o cigarro e a cachaça que mataram ele. Fumava quatro maços por dia, o pulmão virou uma pedra e o outro encheu de nicotina", diz Noeme que tem feito tratamento contra gengivite causado pelo excesso de cigarros. Ela, até então, fumava, em média, 14 cigarros por dia.

O caso de Balbino não é novidade. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Os números indicam uma assustadora realidade anual, 4,9 milhões de pessoas morreram/ano em decorrência do uso do tabaco, o que corresponde a mais de dez mil mortes por dia. Nessa crescente, caso as atuais tendências de expansão do seu consumo sejam mantidas, esses números aumentarão para dez milhões de mortes anuais por volta do ano 2030. Dados que se tornam ainda mais visíveis e faz com que se exijam medidas mais eficazes a serem adotadas e discutidas não somente no dia 31 de maio, data que comemora o dia Mundial sem tabaco, mas durante todo o ano.

Estatísticas
No Brasil, os números também assustam, estima-se que cerca de 200.000 mortes por ano sejam decorrentes do tabagismo. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), as doenças cardiovasculares e o câncer são as principais causas de morte por doença no Brasil, sendo que o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer.

De acordo com a médica pneumologista, Lígia Menezes do Amaral, a pessoa que fuma há muitos anos, caso pare de fumar, terá ainda que esperar certo tempo para ter as mesmas probabilidades de um dia ter câncer que uma pessoa não fumante.

"A pessoa que pára de fumar, o pulmão já melhora. Porém tem que esperar em média 15 anos para ter as mesmas chances de pessoas que não fumam ter câncer", conta a médica. Lígia ainda enfoca para outros problemas causados pelo cigarro. "A pessoa vai perdendo as funções pulmonares e fica sem forças para subir uma escada ou amarrar o tênis", alerta.

Combate ao tabagismo

Cinzeiro com dois cigarros apagados Em Juiz de Fora, foi criado em 2003 o Serviço de Controle, Prevenção e Tratamento do Tabagismo (Secoptt) com profissionais para auxiliar a comunidade no combate ao tabagismo. De acordo com uma das assistentes sociais, Deborah Cristina Corrêa, atualmente o serviço de atendimento é descentralizado e as pessoas que chegam até ao Secoptt encaminhadas pelas UBSs participam de uma reunião e novamente são dirigidas aos profissionais e reuniões na Unidade Básica de Saúde.

O fumante que deseja mudar tal condição participa de palestras semanais sobre a dependência do tabaco, em que fica sabendo sobre os efeitos nocivos ao organismo e a necessidade de mudança de hábitos. E o serviço capacita os profissionais de saúde para atendimento aos fumantes, professores das redes pública e privada, reuniões semanais com grupos de tratamento, além de reuniões mensais com grupos de manutenção durante um ano.

De 2003 a 2006, 205 fumantes procuraram o Secoptt e fizeram uma consulta médica. Destes, 103 participaram da primeira sessão em grupo. Chegaram até o fim do tratamento 49 participantes, sendo que destes 34 pararam de fumar. Estes são os dados enviados para a Gerência Regional de Saúde.

Fumante passivo

Na data Mundial sem Tabaco, o tema do ano estabelecido pelo Ministério da Saúde é "Ambiente livre do tabaco", para destacar os riscos à exposição de pessoas a esses ambientes.

Uma pessoa fumando de frente 
para outra pessoa que não é fumante "Até pouco tempo não se dava muita importância para o fumante passivo. Mas ele está recebendo uma carga importante daquelas substância tóxicas que o fumante está liberando. A pessoa que convive diariamente em ambiente fechado com um tabagista, recebe uma carga significativa de cigarro. Há um cálculo grosseiro que a cada quatro cigarros que fumam perto de você, você está fumando um", diz Lígia.

Segundo o oncologista e diretor científico de um hospital da cidade, Christian Domenge, informou através de sua assessoria, "somente um ambiente 100% sem tabaco é capaz de garantir a proteção completa da população da exposição às doenças relacionadas com o fumo".

Em Juiz de Fora, uma série de ações educativas vão acontecer para orientar a população sobre este mal. As orientações e panfletagens serão feitas aos usuários do SUS em diversas unidades de saúde, como PAM-Marechal, Regional Norte (Policlínica de Benfica), Departamento de Saúde da Mulher e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Além disso, haverá sensibilização, durante toda a semana, das pessoas que aguardam na sala de espera do Hospital de Pronto Socorro (HPS) Dr. Mozart Geraldo Teixeira.

*Guilherme Oliveira é estudante de Comunicação Social da UFJF

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