Claire, Didi e Priscilla formam Las Chicas há nove meses e ainda são novidade em Juiz de Fora, afinal, não é muito comum encontrar mulheres discotecando na noite da cidade.
Enquanto Claire já tinha intimidade com as pick-ups e Priscilla já havia brincado com elas,
Didi caiu de pára-quedas sobre o equipamento. "Sempre gostei muito de música e
tinha curiosidade, mas ainda não tinha discotecado antes de o trio se formar"
.
Tudo começou meio que por brincadeira de três mulheres que adoram se divertir.
"Tínhamos a idéia de fazer uma festa só com mulheres discotecando. A oportunidade surgiu e a vontade foi tomando corpo.
Então, formamos o trio e discotecamos juntas a cada dois meses em Las Chicas del Fuego"
,
conta Didi.
Na primeira noite, o público era de amigos e de muita gente curiosa. "Foi engraçado, porque
as pessoas pararam em frente ao palco e ficaram olhando e esperando a gente começar,
pra ver o que íamos fazer"
, lembra Claire. Atualmente, elas percebem que o evento
já cresceu e o público está mais definido.
Das pick-ups saem sons que vão do rock ao new-rave, passando pelo
electro-rock e electro-funk,
estilos que elas mesmas gostam de ouvir na pista. "Temos influência das coisas que nós
mesmas gostamos de dançar"
, comenta Claire. Ao gosto musical próprio,
Las Chicas
adicionam a técnica para combinar um estilo com outro.
O gênero musical de cada uma se destaca no momento dos sets individuais. Já o
back to back,
quando as três discotecam juntas, é o momento de interação e de curtir com quem está na pista.
"É um momento livre, no qual todas as pessoas estão reunidas na pista, já que
tocamos música para todos os gostos"
, diz Priscilla.
A preocupação das Chicas é em inovar a cada evento. Seja com decoração ou performances
diferentes ou ainda com um DJ convidado. "Usamos elementos que têm a ver com a noite
e acrescentamos coisas diferentes. É tudo muito espontâneo"
. Para apresentar novidades na música,
elas recorrem à internet, meio que disponibiliza tudo o que é sucesso no mundo.
"As pessoas postam muita coisa nova"
, comenta a chica Didi.
Para se aperfeiçoar, Didi e Priscilla já fizeram curso com o DJ Nepal. Os toques dos amigos
também são importantes, mas, mesmo assim, elas confessam que passam algum aperto.
"Os equipamentos que usamos para tocar não são nossos. Então, usamos o da casa ou
algum alugado. Então, nem sempre sabemos usar todos"
. Mas elas garantem que
se viram muito bem. "Aprendemos na hora e perguntamos para quem está perto"
, diz Priscilla.
Assim como elas, há muitos DJs novos aparecendo no mercado de Juiz de Fora. "A galera nova
tá gostando de tocar, falta dar a cara a tapa"
, diz Claire. Ao mesmo tempo, ela diz
que há necessidade de criar mais eventos voltados para a música eletrônica. Elas ainda
vêem dificuldade pelo fato de algumas boates da cidade já terem os DJs fixos, o que
limita. "Também não há a cultura de música eletrônica nos bares. A música para barzinho
predomina"
, completa Didi.