Cultura

Diversão sem planejamento pode pesar no bolso Sair todo fim de semana é uma delícia, mas pode sair muito caro. A boa notícia é que é possível economizar sem deixar de sair. Saiba como!



Marinella Souza
*Colaboração
08/09/2008

É sexta-feira à noite e você já cumpriu todas as suas obrigações da semana. Já estudou, trabalhou, cumpriu prazos e compromissos e o telefone toca. É aquele seu amigo que você não vê há décadas te chamando para sair. Na programação está uma cervejinha acompanhada de uma pizza e, na seqüência, uma super balada.

A estudante de Comunicação Laura Nardelli (foto abaixo com casaco cinza) confessa que é uma missão quase impossível não atender a esses apelos externos. "Tenho muitos amigos e minha família é muito grande. Cada dia é um que liga chamando pra tomar uma cervejinha ou ir a algum restaurante. Fica difícil recusar. Ai eu acabo gastando mais do que deveria", revela.

Se você é como Laura e sempre chega à segunda-feira com peso na consciência, saiba que você não está sozinha. Segundo o economista Fernando Agra, é muito comum as pessoas gastarem mais do que devem quando saem porque não têm o hábito de planejar. "Você tem que colocar no papel o que você quer ou pode gastar com uma saída e cumprir esse planejamento. Dessa forma, evita surpresas no fim do mês", explica.

Além do planejamento, Agra acrescenta, ainda, alguns macetes que podem evitar os exageros. Um deles é anotar tudo o que está sendo pedido pelos integrantes da mesa do bar ou restaurante para evitar que todos sejam vítimas de erros do estabelecimento ou má fé de algumas pessoas.

Foto do rosto de Marcelo Reis que está sorrindo Para o estudante Marcelo Reis (foto ao lado), nem sempre é fácil anotar o que se pede. "Geralmente, controlo o que peço. Mas à medida que a noite vai passando e as bebidas vão fazendo efeito, cada vez mais tenho a sensação de que algum ser misterioso vai pagar meu cartão de crédito no fim do mês", diverte-se.

Uma dica para Marcelo, é escolher um amigo que não esteja bebendo (por hábito ou por conta da lei seca) para fazer esse serviço de anotar e conferir depois os preços no cardápio. "Quando se fica muito tempo em um lugar, esse controle é importante para que as pessoas se protejam".

O cartão de crédito é um problema também para Nina Scafutto Scotton (foto abaixo). "O mais difícil na hora de economizar é ter a noção clara de que cartão de crédito não é dinheiro mas, sim, mais uma conta para pagar no mês. Às vezes, eu acho que posso sair gastando tudo o que tenho e o que não tenho com o cartão de crédito".

Para Tathiane Miranda, que também é estudante, o que faz as pessoas gastarem muito em uma balada é o alto custo dos produtos oferecidos nas casas noturnas e as facilidades de pagamento. "Gastamos muito porque as coisas são caras. Além disso, vários bares aceitam cartão. Isso facilita o pagamento, mesmo não tendo dinheiro na hora as pessoas podem pagar no mês seguinte", avalia.

Nina concorda com a amiga. "Atualmente, quem quer ter entretenimento de qualidade, tem que pagar caro. Até ficar em casa no final de semana custa caro. Se eu pegar três filmes numa videolocadora e pedir um lanche por telefone, meu final de semana custará, no mínimo, R$ 30".

Dividindo a conta

A divisão da conta é o momento mais tenso da saída, porque sempre tem aquele que paga mais do que os outros, o que chegou mais tarde, o que bebeu menos, o que não comeu e acaba que a divisão tradicional, ou seja, dividir o valor da conta pelo número de pessoas que estão na mesa, se torna injusta.

Foto de Laura Nardelli tomando vinho O economista alerta que, nessa hora, por uma questão de justiça é preciso que haja respeito entre os amigos. "Cada um deve pagar proporcional ao que consumiu". Laura (foto ao lado) conta que é isso o que acontece quando ela e seus amigos se reúnem. "Quando estamos em um grupo e chega outro, normalmente fechamos a conta e abrimos outra".

Essa prática é uma opção para evitar que quem chegou tarde pague o mesmo tanto de quem já estava na mesa há mais tempo e, fatalmente, bebeu e comeu mais. Entre os amigos de Marcelo, cada um paga o que consumiu, mas o rapaz confessa que nem sempre isso dá certo. "Apesar de justa, geralmente essa filosofia resulta em grandes confusões, afinal, na hora de ir embora, muita gente já bebeu e comeu muita coisa diferente e separar tudo pode dar um certo trabalho".

Tathiane e seus amigos também fazem uma divisão bastante justa."Dividimos as bebidas pra quem bebeu, comidas pra quem comeu, etc. Estamos sempre atentos pra quem bebeu menos porque chegou tarde, por exemplo. Esse paga a partir da hora que chegou. Se deram dez cervejas e ele chegou na quinta, paga a partir daí. Se eu pedi algo só para mim, pago sozinha".

Foto de Nina Scafutto Scotton Nessa divisão Nina sai ganhando porque não bebe, mas pondera. "Por mais que eu não consuma bebida alcoólica, acabo gastando sempre mais do que eu devo. Principalmente com táxi. Se estou com sede em uma casa noturna, pago no mínimo, uns R$ 3, numa garrafinha de água. "Porre de refrigerante" sai ainda mais caro na noite".

Se somarmos as despesas com as bebidas, petiscos, comidas e refrigerantes, os polêmicos 10%, aí é que a conta fica ainda mais alta. E aí vem sempre aquela dúvida: devemos ou não pagar essa taxa? Agra garante que não. Segundo ele em cada estado a lei é uma e, em Minas Gerais, os 10% não são obrigatórios.

"Na minha opinião não se deve pagar mesmo se tiver sido muito bem tratado no local. Primeiro porque no preço dos produtos já deve estar embutido todos os gastos e o lucro do comerciante. Além disso, boa educação e bom atendimento fazem parte do serviço do garçom".

Contabilizando as despesas

Tudo bem, sair com os amigos para uma cervejinha ou uma festa no fim de semana é uma delícia, mas no fim do mês essas despesas acabam pesando no orçamento, em especial dos jovens, que ainda vivem de mesada ou das ajudas de custo oferecidas pelos estágios e é preciso economizar.

Entre cervejas, lanches, jantares, cinemas e festas, os entrevistados pelo portal ACESSA.com gastam, de R$ 30 a R$ 80 por fim de semana e garantem que nunca fizeram e alguns nem pretendem fazer, as contas de quanto isso custa em um ano.

É o caso de Marcelo e Laura. Para ela essas contas acabariam minando seu final de semana. "Economizo sempre que posso mas não fico contando os centavos. Se eu ficar fazendo milhões de contas acabo não aproveitando bem meus finais de semana".

Apesar da resistência, o economista garante que analisar as despesas é fundamental para quem quer economizar. "Quando você faz esse tipo de conta consegue perceber aquilo que não percebe quando está no bar e assim, se planeja melhor, consegue estabelecer melhor o quanto quer ou pode gastar", ensina.

Fugindo das armadilhas

Agra comenta que alguns eventos ou locais se apresentam como armadilhas. Festas com bebidas liberadas, por exemplo, são uma grande armadilha da qual é preciso fugir. "Antes de pagar R$ 40 em um evento desses, é preciso fazer as contas e ver o quanto gastaria se saísse para beber em um bar por exemplo. Se você é uma pessoa que bebe pouco, vai acabar saindo no prejuízo", comenta.

Foto de Fernando Agra Outra forma de induzir o consumidor a pagar mais são as bebidas e/ou porções double, elas só são válidas quando se está em um grupo grande. "Se você saiu para jantar com uma pessoa e não está disposto a beber nem comer muito tem todo o direito de recusar", diz.

A dica para quem tem aquele barzinho favorito em que vai todo fim de semana é pedir descontos. "Isso é perfeitamente aceitável, por uma questão de fidelidade" , orienta o economista.

Para Agra, é importante que se tenha racionalidade e coloque a vergonha de lado, recusando o que não quer e exigindo seus direitos. Marcelo também tem um conselho para que as pessoas evitem gastar mais do que devem. Para ele o ser humano é uma espécie carente e vida social faz parte da nossa natureza. "Existe quem tenha mais ou menos necessidade, mas todos precisam sair e ver outras pessoas em algum momento.Cada um deve encontrar o equilíbrio entre a sua "carência social" e o próprio bolso. Se isso começar a fugir do controle, procure ajuda!" , aconselha.

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF