Surto chega com novidade em Juiz de Fora Através de acontecimentos e personagens comuns do cotidiano, o espetáculo Surto coloca os juizforanos diante de uma crítica bem-humorada à sociedade
Repórter
Madalena Fernandes
Revisão
21/10/2008
Uma crítica ao culto da beleza, à banalização da profissão de ator e aos programas de variedades exibidos pela televisão brasileira. Essas são apenas algumas das situações, que se referem ao comportamento da própria sociedade contemporânea, levadas ao palco no espetáculo Surto.
Após cinco anos em cartaz e com público superior a um milhão de espectadores, a
peça chega a Juiz de Fora. No elenco estão Rodrigo Fagundes, Thaís Lopes,
Flávia
Guedes e Wendell Bendelack. Cada um vive um personagem retirado diretamente das
ruas, da televisão e das residências brasileiras. "É um besteirol, mas
colocamos a crítica"
, diz o juizforano Rodrigo Fagundes
(leia a matéria sobre o artista).
O espetáculo é dividido em duas partes. Na primeira, os atores vivem personagens
em um monólogo. O personagem de Rodrigo critica as mulheres que fazem tudo pela beleza. "As mulheres
plastificadas, que se mutilam"
, explica Wendell. Flávia é a nordestina que chega ao sudeste
sonhando em encontrar o trabalho ideal, mas o sonho não se realiza por causa de suas besteiras.
A personagem de Thaís critica os programas de variedades que sobrevivem a partir do sofrimento
e dos problemas das pessoas. Wendell dá vida a uma mulher, uma professora frustrada. Como não se dá bem na vida,
passa a dar aulas de teatro para sobreviver. "É nesse ponto que fica clara a banalização
da profissão de ator. As pessoas acham que somente um rosto e um corpo bonitos bastam"
,
completa Wendell.
Ainda na primeira parte, o público é convidado a participar. "Temos uma cena de platéia"
,
diz Wendell.
Para os mais tímidos ou medrosos, eles dizem que não é solução se sentar na última
fileira. Enquanto Rodrigo tenta tranqüilizas os possíveis espectadores, Wendell aterroriza.
"É tranqüilo. Tem gente que pede para subir ao palco"
, diz o primeiro.
"E pagam para descer"
, completa o segundo.
Os atores garantem que as situações são muito engraçadas, mas é na segunda parte que
está o ponto alto do espetáculo. "É quando o público reage da forma que esperamos"
,
diz Rodrigo, sem entrar em detalhes. "Tem que assistir"
, diz.
Wendell revela que os espectadores têm uma surpresa e mantém o suspense.
Na segunda parte, os atores apresentam outros personagens, mas a crítica continua
seguindo a mesma linha. Os personagens participam de uma seleção para a TV.
"Pensamos isso com base nas características das pessoas que realmente fazem o teste
e querem trabalhar como ator. Muitas situações foram tiradas de testes que já presenciamos"
,
comenta Flávia.
Após cinco anos de apresentação, eles percebem que as pessoas sempre identificam os
personagens na sociedade. Mas a identificação nunca acontece com ela mesma.
"Os espectadores falam que um personagem é igual a um vizinho, um empregado,
um parente, mas nunca iguais a eles mesmos"
.
O elenco conta que o texto já não é o mesmo de quando o espetáculo estreou.
Ele foi adaptado à realidade brasileira. "O Brasil é ótimo para humorista"
, diz Flávia.
Eles procuram informações sobre os locais onde vão se apresentar para gerar uma
identificação com o público.
Para eles, os programas e espetáculos de humor têm feito muito sucesso e crescido
no país nos últimos anos. Um reflexo da violência do dia-a-dia. "As pessoas choram
lendo jornal e não querem assistir a um drama"
, coloca a atriz. "Mesmo abordando
a violência e a política, colocamos o humor e isso faz a diferença. As pessoas gostam de ver"
, completa
Rodrigo.
Novidade em Juiz de Fora
Para a apresentação na cidade, os atores ensaiaram uma nova cena. Durante o teste, uma nova personagem entra
em cena. Rodrigo, que já vive o Patrick, vai dar vida à irmã Patricka, uma personagem com personalidade
completamente diferente do irmão. "Ela é o cara. Tudo que ele tem de delicado, ela tem de grossa"
.
Eles contam que o público do espetáculo é bem misturado, indo de crianças a idosos.
"É uma apresentação para a família toda."
As risadas do público são um estímulo para
os atores. "Cada platéia se comporta de uma maneira diferente. Algumas riem mais contidas,
outras dão gargalhadas. Em alguns casos, o teatro parece um fla-flu, pois quando riem, as
pessoas se movimentam da mesma maneira. É curioso ver isso de cima do palco"
,
conta Flávia.
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