Com muita descontração e alegria, o bloco carnavalesco de rua do Rio de Janeiro, Empolga às 9, promete trazer toda energia, amor e mistura de ritmos ecléticos para os juizforanos, num pré-carnaval banhado de animação carioca. O repertório vai do rock irreverente de Raul Seixas, ao frevo e ao maracatu, passando pela MPB de Tim Maia, com muito funk carioca e, claro, pelo samba. A formação garante fazer jus ao nome e proporcionar uma noite inesquecível em sua primeira vinda a Juiz de Fora.
No circuito carnavalesco há sete anos, o Empolga às 9 nasceu da ideia do jornalista e empresário, Daniel Koslinski, (foto abaixo em destaque), 33 anos. "Sempre gostei da Folia de Momo. Em 1997, estava fazendo reportagens sobre o Carnaval de rua. Na época, a festa estava muito fraca, pois as pessoas viajavam e não tinham mais a cultura de curtir o Carnaval no Rio."

Após esta experiência jornalística, Koslinski se encantou ainda mais pela manifestação e, em 2002, procurou apaixonados como ele e decidiu dar início ao projeto. "Busquei na escola do Monobloco integrantes e interessados em tocar o bloco carnavalesco. Fizemos uma batucada na praia de Ipanema e nos apresentamos em eventos de amigos. Sempre com muita cerveja e samba. O nascimento foi dessa brincadeira, não tinha responsabilidade. Era só diversão."
O primeiro Carnaval oficial da turma foi em 2003, um ano após a organização da equipe. De lá pra cá, o time já passou por Brasília, São Paulo e Minas Gerais. Na época, dificilmente um jornalista, um advogado, um produtor de televisão e até um cientista imaginariam tanta recepção positiva do público.
O mix de profissões é um dos diferenciais para a amizade e integração do grupo. "Não temos uma dinâmica de banda. Nem todos trabalham necessariamente com a música. Profissionalizamos e crescemos junto com o Carnaval. Com tantas pessoas diferentes, criamos uma ligação de amor eterno, alegria e humor. Não apenas unicamente profissional."

A origem do nome se deu pela presença nas ruas dos blocos de empolgação, que faziam o Carnaval daquela época. O "às 9" é o ponto de encontro de saída do bloco. "Nove horas, no posto nove. Isto permanece até hoje", conta. Sobre as cores vermelha e branca, Koslinski comenta quando foram adotadas como uniforme do grupo. "As cores vieram do time de futebol Bangu. No início, falávamos 'fazer à Bangu', isto é, 'fazer de qualquer jeito', o que refletia o espírito do bloco. Depois, fizemos uma apresentação em um teatro cantando o hino do América - RJ e, como o uniforme também é vermelho e branco, simplesmente aconteceu", relata.
Koslinski explica que toda a bateria atual veio da escola do Monobloco. "Por isso, nosso repertório é diversificado. Os blocos normais de empolgação saem com samba e enredo de escolas. Os tradicionais, com marchinhas. Pelo estudo da percussão, característica do Monobloco, desenvolvemos misturas de samba com outros ritmos, como forró, funk e nordestinos. Esta é a nossa revolução."

O Empolga sai de dois pontos do Rio: Ipanema e Botafogo. Em 2004, o bloco começou a sair de Botafogo e, justamente na ocasião em que se deu esta inclusão de partida, ocorreu um dos momentos marcantes e de carinho dos foliões. "Não fazíamos normalmente Botafogo. Mas, como estávamos muito empolgados com o pessoal e com a festa, decidimos desfilar. Porém, um temporal caía do céu naquele dia. Não desistimos e arrastamos todos para o bloco. Tivemos uma receptividade e simpatia imensa do público por esta coragem. Foi maravilhoso", relembra. Desta ousadia, conta Koslinski, surgiu o verso: "Será que chove, será que chove, não importa, eu sou Empolga às 9".
*Pablo Cordeiro é estudante do 9º período de Comunicação Social da UFJF
Os textos são revisados por Madalena Fernandes