Cultura

Ator de Minha mãe é uma peça promete "interação cósmica" com a plateiaPaulo Gustavo interpreta Dona Hermínia, uma mulher de meia-idade que, na falta do que fazer, reclama de tudo. Texto é homenagem à mãe do ator

Clecius Campos
Subeditor
14/5/2011
Foto de Paulo Gustavo

Uma mulher de meia-idade vê-se abandonada e sem função diante do amadurecimento de seus filhos e da separação do marido, que a troca por uma garota mais jovem. A falta do que fazer dá à Dona Hermínia — personagem do ator Paulo Gustavo no espetáculo Minha mãe é uma peça — tempo suficiente para reclamar da vida.

A cena não é difícil de ser imaginada. E, por essa razão, Paulo Gustavo acredita que a apresentação do espetáculo em Juiz de Fora, neste domingo, 15 de maio, no Cine-Theatro Central, proporcionará uma "interação cósmica" com o público. "O mais legal é que o público se identifica: as mães, os filhos, os sobrinhos, os netos. Todo mundo tem alguém que se parece com a Dona Hermínia. A interação é quase cósmica, por ser um assunto comum a todo mundo."

Dona Hermínia divide com o público — ora se comunicando diretamente com ele, como se divagasse sobre um assunto, ora conversando ao telefone com uma amiga que sofre os mesmos problemas — suas revelações, loucuras e preocupações de mãe. Aposentada e longe dos filhos, a personagem não tem onde descarregar suas emoções e suas ordens. "É uma personagem histérica e mandona. Ela tinha tudo para ser uma figura detestável, mas, no final do espetáculo, todo mundo quer ser amigo da Dona Hermínia. Ela acaba sendo uma personagem carismática, principalmente, por se parecer com nossas mães, tias, avós..."

A peça segue o padrão tradicional do teatro, sem espaço para a improvisação. Paulo Gustavo desenvolve o texto e aposta em uma interpretação mais próxima da realidade possível. "Tentei humanizar a personagem ao máximo, para tornar a Dona Hermínia uma figura totalmente crível em cena. Evito levar para o lado da caricatura, mas mantenho o humor necessário."

Foto de Paulo Gustavo Foto de Paulo Gustavo
Do Surto ao Divã

Paulo Gustavo é um ator com carreira relativamente recente. Profissionalmente, ele atua há sete anos e tem quatro peças teatrais no currículo. Em grupo, integrou o elenco do espetáculo O Surto, em 2004. No ano seguinte, deixou o grupo e passou a encenar o espetáculo Infraturas, com o ator Fábio Porchat, até o início de 2006. Atualmente, percorre o Brasil com Minha mãe é uma peça e o stand up comedy Hiperativo.

Na TV, a porta de entrada foi integrar o elenco fixo do seriado infantil Sítio do Picapau Amarelo, da Rede Globo. Houve também trabalhos nos programas Minha Nada Mole Vida, A Diarista, Faça Sua História, Casos e Acasos e Por Toda Minha Vida, todos da Globo. No cinema, fez participações nos filmes A Guerra Dos Rocha e Xuxa e o Mistério de Feiurinha.

Mas foi a atuação no longa Divã, interpretando o cabeleireiro Renée, que rendeu a Paulo Gustavo o convite para integrar o elenco da série de mesmo nome, atualmente no ar, na Rede Globo. "Renée e Divã estão me dando uma projeção maravilhosa. É meu primeiro personagem de destaque na TV. Agora é que estou recebendo o reconhecimento do público em massa. Está sendo ótimo."

Absurdos

Foto do vídeo AbsurdosPaulo Gustavo tem ainda vídeos cômicos publicados na internet que são sucesso de audiência. A série Absurdos, composta por seis vídeos em que o ator interpreta uma mulher extremamente preconceituosa, foi criada em parceria com uma produtora de vídeos carioca. A intenção era criticar a discriminação. "Convidei o pessoal dos Anões em Chamas para fazer os vídeos e foi um sucesso. Queríamos criticar essas pessoas que falam mal dos negros, dos gays, dos obesos, então, gravamos os vídeos, como forma de fazer a sátira e tornar o assunto do preconceito mais comentado. O humor é a melhor forma de criticar e a crítica é uma das funções do humor."

Os textos são revisados por Thaísa Hosken

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