Eternos Namorados
Confira a história de quem "juntou as escovas de dentes" bem cedo
e
resolveu se casar na maturidade
Edição: Ludmila Gusman
Designer: Laura Martins Ferreira
junho/2007
Outras matérias:
Namorar é tão bom que muita gente faz essa opção para a vida toda. Conhece alguém, junta os trapos e vai estendendo o amor através de filhos, netos e bisnetos. Para muitos casais, o casamento na igreja, com véu, grinalda e bolo de noiva não foi possível ou não representou uma prioridade.
A vida foi passando, o trabalho, os compromissos e outras tantas histórias ganharam forma sem que o juramento diante de Deus fosse cumprido. Mesmo sem o ritual, permaneceram o carinho, o respeito e as inúmeras recordações de família.
Ao contrário da maioria de muitos casais que se separam aos 25, 30 anos de
casados, há quem procure o caminho inverso e vá parar no altar nessa fase de
convivência, com direito a damas de honra e o tão esperado "sim".
"Não há limite de idade para
o sacramento do matrimônio na Igreja Católica, desde que não haja impedimento, como segunda união"
, esclarece o Padre
Luciano Bonato.
Quer casar comigo?
Foi pensando nos 26 anos ao lado de Maria de Fátima que
Pacífico (foto acima) resolveu fazer o
pedido: "Quer casar comigo?". A idéia surgiu em um encontro de casais
não-casados, realizado na comunidade de Nossa Senhora Aparecida, em que os
participantes programaram uma cerimônia coletiva. "Quando
ele chegou falando de casamento na igreja, levei um susto muito grande"
, relembra
a dona de casa.
Ao mesmo tempo, Fátima conta que boas recordações vieram a sua cabeça e logo já
quis saber a data. "Achei que fosse um sonho impossível"
, conta
emocionada. Aos 46 anos, viu-se escolhendo vestido de noiva, buquê de
flores e outros detalhes para o dia com que sonhou a vida toda. "A preparação foi
ótima e envolveu toda a família"
, diz. A filha de 11 anos entrou na
igreja com as alianças, enquanto o filho de 22 acompanhou a mãe até o altar.
Pacífico trabalha ativamente na paróquia do bairro e conta que sentia a falta da bênção de
Deus. "Canto no coral e tinha esse sonho desde que passei a morar com Fátima"
,
recorda. Além disso, sentia-se limitado em alguns eventos da comunidade, já
que não podia participar do curso de ministro da eucaristia ou dar palestras na
pastoral da família.
A cerimônia aconteceu no último dia 19 de maio, na Igreja Nossa Senhora Aparecida, onde mais sete casais legimatiram sua união. A irmã de Pacífico, Petrina Nunes da Silva (foto ao lado), 65 anos, também aproveitou a oportunidade para casar-se com José Macedo, 54 anos, com quem vive há 23 anos, desde que ficou viúva.
Mesmo com o sonho já realizado no primeiro matrimônio, Petrina acredita
que a união é muito positiva. "Meus filhos se casaram na
igreja, a mãe deveria se casar também, não é?"
, brinca.
A aposentada não polpou esforços para ficar bonita. "Fiz penteado,
maquiagem e escolhi um vestido lindo"
, conta com entusiasmo.
José disse que ficou emocionado ao ver Petrina entrar na igreja tão bonita.
"Já tínhamos esse sonho há muito tempo e aceitamos o convite"
, diz.
Para marcar a data, os recém-casados fizeram uma
recepção para a família, com bolo, refrigerante e lembracinhas.
"Agora, já me preparo para as bodas de prata"
, promete Petrina.
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