Quem está em um relacionamento amoroso, há algum tempo, sabe que se o casal não buscar algo novo para "apimentar" a relação - não o tempo inteiro, claro - a rotina, em vez de aliada, torna-se um problema. Porque como diz o terapeuta sexual e psquiatra, Octávio Viscardi, a rotina tem os dois lados. Sem ela, não há como ter estabilidade na relação e, ao mesmo tempo, se não existir a reconstrução, pode-se cair no marasmo.
Para quem já não sabe o que fazer para inovar e reacender a chama do amor ou quer mantê-la acesa, existe uma variação da yoga (saiba mais) que a professora Camila Araújo (foto acima) descobriu em um livro chamado Yoga do Amor, uma variação do hatha yoga, que ativa a cumplicidade, o toque e a energia.
Na verdade, ela já dava aulas de yoga em dupla, não somente para casais. "As pessoas têm dificuldade no toque. Quando se tocam, há uma troca de energia e quebra de tabus. Vejo que a turma fica até mais unida. Mas eu tinha vontade de fazer uma aula de yoga específica pra casais. Um dia, entrei numa livraria e descobri o livro", conta.
Camila pegou as idéias das posturas e adaptou à essência da filosofia. "A hatha yoga valoriza o corpo como instrumento de aprendizado, sagrado, um templo que guarda seu espírito", deixando claro que a yoga nada tem a ver com religião. E lembra que o conceito que os indianos têm do prazer é o do relaxamento, da libertação - e não libertinagem - e da energia, "feito com amor".
Porém, antes de colocar em prática, "é preciso saber o limite do outro". Não
é à toa que o namorido (namorado + marido) de Camila, Humberto
Coelho (na foto) faz o alerta, porque nem todas as posturas são para iniciantes.
"A yoga trabalha uma musculatura mais interna e até os órgãos. Nem mesmo a
musculação consegue alcançar estes músculos. Só quem é atleta de verdade é
que consegue trabalhar. Então, é preciso cuidado", diz.
Para quem já pratica a yoga, fica mais fácil, mas nem por isso os cuidados devem ser deixados de lado. E Camila acrescenta. "Não adianta buscar a metade no outro. Primeiro, você deve olhar pra si mesmo, se conhecer e depois se abrir para o outro".
E é neste ponto que o terapeuta sexual toca. "Se não estiver bem na vida individual, fica difícil. Na terapia sexual, trabalho com casais que, às vezes, vêm juntos, às vezes sozinhos e uma das queixas é a relação sexual e as pessoas não percebem que não têm tempo para elas mesmas. Há aquelas que mantêm o viço, a chama acesa e isso não passa somente pela relação. São pessoas que estão felizes consigo próprias, com o trabalho e que têm a maturidade para levar a vida mais feliz".
Mas ele faz uma ressalva. As pessoas que são idividualistas demais não conseguem enxergar a necessidade do outro. Se você é assim, pare, pense e analise se isso não está interferindo diretamente em sua relação.
Outra observação é a necessidade de comunicação. "É fundamental. O amor é um processo constante de construção. Para reconstruir e manter o sentimento vivo o casal precisa ter essa troca. É fácil falar, porém há pessoas que não estão abertas para a verdade do outro", conclui.
Amar o outro com suas diferenças é mais um dos aspectos levantados por
Octávio. "É aí que as coisas pegam. Esse romantismo de 'amor à primeira
vista' é ruim, não existe isso. A relação é uma coisa árdua e se não se sabe
viver isso, não há crescimento. É nesse momento que surge o companheirismo.
Se um dá as costas para o outro, o relacionamento se desgasta", explica.
As expectativas criadas ao redor da sexualidade podem gerar problemas. "Se há um terreno cheio de mitos é o sexual. O homem quer ser o 'bom de cama' e não procura conhecer a mulher. O mesmo acontece com a mulher, atualmente. Um e outro devem estar abertos à sexualidade do outro. Cada um procura a sua forma. O bacana é descobrir".
Quanto às técnicas usadas para seduzir, como o strip tease, a dança do ventre, a massagem, a própria yoga do amor, Octávio Viscardi ressalta a necessidade do casal sentir-se à vontade, livres e abertos para isto. "É fantástico, se tiver a ânsia de cada um, de querer se descobrir para o outro.
Por fim, o terapeuta indica leveza e qualidade de vida e deixa uma pergunta no ar. "Quais são suas prioridades?"