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Chiquinho
O idealizar do Concurso Miss Brasil Gay
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Sílvia Zoche
04/08/2004
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Escute um trecho da entrevista com Chiquinho e saiba o que deve ser feito
para que o concurso Miss Brasil Gay volte para Juiz de Fora. Clique no ícone
ao lado
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A equipe da ACESSA.com foi bater um papo com
Chiquinho Cabeleireiro, o
responsável pelo surgimento Miss Brasil Gay. Há 28 anos, o evento - que sempre
aconteceu em Juiz de Fora - foi transferido em 2004 para o Rio de
Janeiro. As
opiniões quanto à mudança de cidade foram diversificadas. Saiba agora o que Chiquinho diz sobre isso.
ACESSA.com - Quais foram e quais são os
preparativos para o Miss Brasil Gay 2004?
Chiquinho -
Os preparativos, como sempre, são muitos. É uma festa diversificada, que tem
show e uma série de complicações, mas que dá tudo certo no final.
ACESSA.com - Como está a repercussão do Miss Gay no
Rio de Janeiro?
Chiquinho -
Eu fui ao Rio três ou quatro vezes, porque tirar a festa daqui me atrapalhou
um pouco, já que eu sou obrigado a sair mais e estar mais presente. A minha
figura é o marketing da festa também. Subentende-se, né? Então, eu tenho
que estar lá, às vezes. Mas, o buxixo existe, como sempre. Igual em Juiz de
Fora. Umas reclamam que saiu, porque gostavam de vir para Juiz de
Fora. Outras acham ótimo, porque está lá e é mais fácil. Eu já sabia que eu
iria enfrentar este tipo de crítica, mas eu tinha que tomar uma atitude e
tomei a atitude que eu achei conveniente. E quem manda sou eu e acabou a
história!
ACESSA.com - Quantas candidatas participam este ano?
Chiquinho -
Esse ano eu criei mais um estado no Brasil, porque eu tive problema
com o Amazonas, então tem mais um estado. Além de Fernando de Noronha, que não
é estado e já existe no concurso, vai ter a Ilha de Marajó. Então,
nós teremos 29 candidatas.
ACESSA.com - Qual foi o problema que você teve no
Amazonas?
Chiquinho -
O Miss Brasil é feito com relações de amizade por esse Brasil afora. São
chamados os coordenadores de Estado que fazem festa. O Pará teve festa e
elegeu uma candidata do Pará que nunca veio diretamente do Pará. A candidata
do Pará vinha de Manaus, porque Manaus tem dois concursos, o que elegia a
Miss Amazonas e Miss Pará. Como o Pará tem concurso, eu perdi o Pará! O
menino nunca falhou comigo em oito, dez anos de concurso. Eu fiquei sem
"jogo", sem Estado. Hoje as candidatas são de quase todos os Estados. Então,
o que aconteceu: eu tive que criar um jeito (risos).
ACESSA.com - Vai haver um novo treinamento das candidatas na
passarela?
Chiquinho -
Se aqui já existia, é óbvio que lá vai haver também, principalmente que
mudou o tipo de palco, de passarela, de apresentação... A festa esse ano -
não é querer ser - ficou mais elistista. É uma festa para menos pessoas,
todo mundo sentado à mesa, uma cozinha internacional, garçons
maravilhosos, uma casa com lustre de cristal que é um
escândalo, uma iluminação gloriosa. É
uma grande casa de espetáculo! Então, tudo vai mudar mesmo.
ACESSA.com - Vai ser mantido a ordem de entrada das
candidatas na passarela?
Chiquinho -
Como é no Miss Brasil de mulher, é de acordo com o alfabeto! Você vai
acompanhando e vai colocando a ordem.
ACESSA.com - E os trajes? Existe alguma novidade?
Chiquinho -
Como sempre. As misses se apresentarão. Avaliação dos jurados: tem um corpo
de jurado próprio. Júri técnico que julga vestuário e traje típico. E o
júri que elege a beleza. Aí tem dois júris conjuntos. Elas se apresentarão
em traje típico que estará representando uma riqueza, uma beleza do Estado
e, depois, o traje de gala, que é o traje de noite: o luxo da
festa.
ACESSA.com - E os jurados? Vai haver alguma surpresa?
Chiquinho -
O corpo de jurados ainda não está definido totalmente, mas já está
contatato, por exemplo, exemplo (enfatiza): Adalgisa Colombo,
que é um mito de Miss para o mundo Gay. Porque nós gays somos responsáveis
pelos mitos. E ela é um. É uma mulher que não foi Miss Universo, porque não
quis.
Fora artistas que estarão presentes e que estão, mais ou menos,
contatados, mas ainda não estão confirmados. Tem muita gente sondada e devemos
ter um júri de muito nível e muito peso!
ACESSA.com - E a Leda Nagle? Está certa a
participação dela?
Chiquinho -
Ela já recebeu o ofício. Eu ainda não tive o comunicado oficial, mas como o
Milton Cunha é amigo pessoal dela, faz parte do programa dela e eu
tive com ele na eleição da "Lady Ok", que eu era jurada (enfatiza) - eu
estava vestida de mulher, então eu era jurada. Estive com ele lá,
conversamos rapidinho. Mas eu passei muito rápido pelo Rio, tive muito
problema para resolver.
ACESSA.com - Não te deu vontade de mudar para o Rio,
pelo menos, até o dia da apresentação?
Chiquinho -
Não posso fazer isso, porque eu tenho minha vida pessoal a ser vivida, né?
ACESSA.com - E as mesas? Como é o esquema montado
para as reservas?
Chiquinho -
Como o consurso está na internet, este ano, modernizou um pouco. E eu gosto
mais de fazer as coisas no caderno e no lápis, eu sou mais antigo e confio
mais na minha própria cabeça do que nessas coisas.
ACESSA.com - Para fazer uma reserva, qual é o
contato?
Chiquinho -
No horário comercial, podem ligar para o telefone do Scala Rio, que é (21)
2239-4448 ou acessar o site www.ticketronics.com.br.
ACESSA.com - O traje do público que vai assitir ao
Miss Brasil Gay deve ser de gala?
Chiquinho -
Não. Eu não fiz uma festa, nunca fiz, em 28 anos, uma
festa que fosse voltada para a televisão, condensada a um espaço de horário.
É uma festa para o público pagante que curte. Quem vai é porque curte esta
festa. Então ele quer ver a beleza, ele quer ver o luxo, ele quer o show e a
diversidade do povo. Então vai drag queen, tudo, como sempre teve. O luxo
somos nós que estamos na passarela.
ACESSA.com - Como vai ser a cobertura pela mídia do Miss
Brasil Gay?
Chiquinho -
Existe alguns elogios, algumas críticas. Já virou uma polêmica, às vezes, em rádios do
Rio de Janeiro. Mas ainda não entraram em contato comigo para serem
credenciados e noticiarem sobre a festa.
ACESSA.com - Quando as candidatas ao Miss ficaram
sabendo sobre a transferência do concurso, o que elas falaram?
Chiquinho -
Achei lindo! Foi uma coisa muito bonita que aconteceu na minha vida e eu não
esperava que eu tivesse tanto prestígio no mundo gay. "Onde você estiver nós
estaremos" (disseram as candidatas a Chiquinho).
ACESSA.com - Qual o seu recado para elas?
Chiquinho -
Que elas vivam as fantasias que tenham dentro de si da melhor maneira
possível e que, no dia, a que for mais iluminada tenha um bom reinado
para o mundo gay e para a vida do glamour de luxo.
ACESSA.com - Você acha que os eventos GLBT que
continuam na cidade vão conseguir movimentar Juiz de Fora?
Chiquinho -
Olha bem, eu não posso afirmar nada, porque a minha preocupação é organizar
e fazer acontecer o Miss Brasil Gay. As outras festas pararelas são
preocupações de outras pessoas, não é a minha preocupação. Acho que o sol
nasceu para todo mundo. Que ele brilhe para todos.
ACESSA.com - Para o concurso voltar para JF, o que
precisa acontecer?
Chiquinho -
Teria que haver, com honestidade e descência, uma programação e um apoio
financeiro. Sem isso o Miss Gay não volta para Juiz de Fora. Com certeza,
estaremos no Maracanãzinho nos 30 anos de Miss Brasil Gay, relembrando os
sucessos dos tempos idos das mulheres.
ACESSA.com - De quem foi a falta de apoio na cidade?
Da prefeitura, do sindicatos dos hotéis e similares...?
Chiquinho -
De um modo geral, foi uma falta de apoio econômico, financeiro, social,
tudo! Não adianta todo mundo querer ganhar e ninguém dar nada em troca.
Juiz de Fora é um cidade que recebe muito e dá pouco em troca, embora eu
adore essa cidade e todo mundo adora vir para cá. A gente se tornou respeitável,
mas não é a nossa beleza, é o dinheiro que a gente tem no bolso.
ACESSA.com - A equipe do Portal ACESSA.com conversou
com o Sindicato dos Hotéis
logo que você deu a notícia da transferência do evento. Eles disseram que há
dois anos fizeram uma reunião com você e que há dois anos você não entra mais em
contato com eles para pedir apoio. O que você diz sobre isso?
Chiquinho -
Para quê? Se eles prometem uma coisa e não cumprem! Se o dono de hotel
manda gerente ao invés de vir pessoalmente falar comigo! Se eles são os
que mais lucram! Eu fico com as contas para pagar e ninguém em pergunta quanto que é,
não!
ACESSA.com - Qual o tipo de apoio que você recebeu no
Rio?
Chiquinho -
Até agora, todos os pedidos. Todos que eu pedi, eu consegui alguma coisa.
ACESSA.com - Dê uns exemplos do que você pediu.
Chiquinho -
Não vamos entrar em detalhe não, mas eu estou numa casa de espetáculo que
é de nível internacional. Estou tendo apoio da casa, de políticos, de
amigos. Os meus amigos foram a coisa mais importante neste momento. É aquela
história: Minha pátria com razão ou sem ela. E eu amei isso.
ACESSA.com - Para finalizar, dê um recado ao público
que vai assistir ao concurso no Rio.
Chiquinho -
Eu quero dar o melhor de mim, fazer uma festa limpa e bonita. Não
percam, porque vai haver muito momento de emoção para nós que vestimos a
camisa arco-íris. Não tenha dúvida. Será um momento único essa mudança!
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