Zona Pink
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Orlando Almeida Produtor dos shows do Miss Brasil Gay |
Djenane Pimentel
04/08/2004
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Orlando Almeida, organizador dos shows do Miss Brasil Gay, há quase 20 anos, comenta em entrevista ao Portal ACESSA.com sobre a ida do Miss Gay para o Rio e dos planos de sair da organização, caso o evento não volte a acontecer em Juiz de Fora no próximo ano. Ele revela ainda os detalhes da estréia do Concurso no Rio de Janeiro.
ACESSA.com - Como estão os preparativos para o Miss
Gay, neste ano?
Orlando Almeida - Bem, este ano, eu estou responsável por quase tudo, na verdade, já que moro
no Rio de Janeiro. Estou por conta de arrumar hospedagem em hotéis, além de
contactar jurados e artistas que vão participar da festa, o que está sendo
bem mais fácil, já que todos são daqui mesmo.
ACESSA.com - Como você vê a saída do evento, de Juiz
de Fora para o Rio?
Orlando Almeida - Quer minha opinião pessoal? Acho péssima. Não tem nada a ver fazer esta
festa aqui. Eu sou do Rio e conheço a cidade. O Miss Gay aqui é somente mais
uma festa entre tantas outras. Não é um acontecimento, como era em JF. Além
de divisas, o evento trazia uma série de outras vantagens para a cidade, sem
falar no povo de JF, que é super hospitaleiro e gostar de participar da
festa.
ACESSA.com - Você acha que a participação na festa
vai diminuir por causa da mudança de cidade?
Orlando Almeida - Assim como houve uma demanda de não ir para Juiz de Fora, também houve uma
demanda de não vir pra cá. Acredito que 60% da comunidade gay ficou muito
descontente com a mudança.
ACESSA.com - A estrutura do evento teve que ser
alterada com a mudança para o Rio?
Orlando Almeida - Mudou completamente, porque o calor humano que a gente tinha em JF, não
existe aqui. O tamanho do ginásio do Sport Club, com suas arquibancadas, a
magia daquela passarela grande, com a qual já estávamos acostumados... não
teremos isso no Rio.
No Scala, existe um palco, só cabem mil pessoas, sentadas, e o preço do
ingresso é de R$ 80, caro para o evento.
ACESSA.com - Como está a venda de ingressos
?
Orlando Almeida - Eles estão sendo vendidos há uns 10 dias e a parte de baixo do clube já está
lotada. Acho que deve encher sim, apesar do preço.
Uma semana antes do baile serão veiculadas propagandas na mídia, o que deve
chamar mais atenção do povo. Acredito que vai ser um grande chamariz para o
público curioso.
ACESSA.com - Houve muitas mudanças para os shows
deste ano?
Orlando Almeida - Nesta parte eu ganhei, porque o
Scala tem mais infra-estrutura e daí posso
elaborar mais os shows. Eu ganho em iluminação, tenho elevador, mais escadas
e outros recursos de palco. Aqui, o guarda-roupa também aumentou, pois tenho
um número maior de bailarinos, para encher mais o palco.
Os shows em Juiz de Fora eram realizados com muito carinho também, mas eu
tinha que me virar em muitas coisas. Mas, sem dúvida nenhuma, o Sport tem
muito mais calor humano...
ACESSA.com - E quanto às festas que antecediam o
evento, à noite... você acredita que vai fazer falta, aí no Rio?
Orlando Almeida - Vai. Eu, geralmente, não participava das festas porque à tarde ficava
ensaiando no Sport Club, mas achava interessantíssimo. Principalmente
adorava ver aquela movimentação toda, no calçadão da Halfeld, e isso não
teremos aqui...
Para não perder essa característica da festa, eu organizei uma feijoada, no
domingo, após o baile, na quadra da escola de samba Unidos da Tijuca, com a
participação da bateria da escola.
ACESSA.com - E quanto ao futuro, o que você acha? O
evento continua no Rio ou volta para Juiz de Fora?
Orlando Almeida - Eu estou apoiando o Chiquinho pois acho que os comerciantes e hoteleiros de
JF deveriam se conscientizar de que eles não estão lidando com moleques e,
sim, com adultos que fazem uma festa interessante, que já virou atrativo
para a cidade. O problema é que eles só querem tirar proveito e não cooperar
com nada. Mas espero, sinceramente, que o evento aconteça somente este ano aqui,
porque, senão, eu não vou mais participar. Não tem gosto fazer esta festa
no Rio.
ACESSA.com - Então, você admite que sai da
organização do Miss Gay, se a festa não voltar para Minas?
Orlando Almeida - Sim, e o Chiquinho sabe disso... Não faço esta festa por dinheiro, porque
senão teria aceitado a proposta que me fizeram em JF, de passar a perna
nele, e fazer uma outra festa lá. Mas acho que a amizade conta muito, e não
aceitei.
Mas, para o próximo ano, ele pode chamar outra pessoa, porque no Rio eu não
faço mais.
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