Exposição La Vie en Rose
A exposição vai mostrar diversos conceitos, entre eles, o religioso,
mas sem a intenção de ofender alguém
Sílvia Zoche
17/08/2004
 |
 |
 |
 |
|
|
|
|
O fotógrafo Kempton Vianna fala sobre a exposição "La vie en rose" e como
surgiu a idéia de transformá-la em uma coletânea de fotos em preto, branco e
rosa. Clique ao lado e ouça!
|
 |
|
|
|
 |
 |
 |
"La vie en rose" é uma exposição com
fotos em preto e branco, jogos de sombra e luz e detalhes em rosa, que
fazem a diferença em 15 obras expostas em painéis de 1,80m x
2,70m. Exemplo disso é o painel "Minotauro" (foto acima), representado
por um homem forte, em posição de cavalo.
Esta exposição é produzida e idealizada por Marcelo Mostaro e
pelo fotógrafo Kempton Vianna. Segundo o fotógrafo, a mostra promete
trazer à tona diversas reações no público que passar
pela Praça Antônio Carlos entre os dias 18 a 22 de agosto (quarta a
domingo).
A idéia das fotos começou há alguns meses e é considerada por Kempton
como ingênua, porque foi uma exposição, incialmente, produzida para
completar portifólio. "A partir daí, vimos que ficou legal e pensamos,
então, em criar uma coletânea", explica Kempton. Mas o tema vai ser o mesmo:
a sexualidade vista de diversas formas. "Vai ser uma mistura de conceitos,
estigmas da sociedade, tanto religioso quanto pessoal mesmo. É uma exposição
contra o preconceito, mas nada querendo ofender ninguém. A idéia é
transmitir o máximo possível de arte", diz.
Preto, branco, rosa
As fotos foram produzidas como na década de 1950. Todas em chapas de 70
mm, retratando a técnica da época. "Eu quis resgatar o comportamento
fotográfico da década de 50, mas misturando o conceito atual em nossa
sociedade", diz Kempton. O preto e branco é mais um jogo de luz e
sombra e a aplicação do rosa foi colocada nas partes brancas, mas
cuidadosamente elaborada antes de serem tiradas as fotos. O rosa estratégico
é a mistura a ingenuidade e o não pré-julgamento.
As personalidades escolhidas para retratar
os personagens das fotos - heterossexuais e homossexuais - são de Juiz de Fora
e alguns são conhecidos, como a travesti Fernanda Müller, e os diretores do MGM Marcos
Trajano e Oswaldo Braga.
"São pessoas que estão dispostas a mostrar a realidade do dia-a-dia. Tem
empresários, modelos, pessoas desconhecidas. As fotos deixam uma incóginita
sobre quem são os personagens, mas, ao mesmo tempo, mostra quem está
entre a gente. Todos que participaram entenderam e adoraram a idéia. Eu sou
privilegiado pelo Marcelo ter me dado a oportunidade de trabalhar com uma
temática, criando uma história", diz.
Kempton sabe que as reações serão diversas e diz ter aceito as conseqüências
de críticas negativas da exposição. "Tem imagens que devem mexer um pouco
com a religião. E eu sou uma pessoa devota à Deus, tenho uma fé que movo
montanhas, só que eu retrato a vida", explica. Tanto que depois desta exposição,
Kempton diz que irão existir peças novas, que deve
ser transformar em um grande catálogo no futuro.
|