Repórter: Sílvia Zoche
Edição: Ludmila Gusman
22/08/2004
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A estréia do Gay Brasil Show trouxe à
Juiz de Fora , na noite de sábado, o concurso com onze drags -
apenas uma representando Juiz de Fora -
que concorreram ao prêmio máximo de R$ 2500 e um fim-de-semana em Búzios,
com direito a acompanhante. A expectativa invadiu a quadra do Sport
Club por ser o primeiro concurso de drag queen realizado na cidade.
A mineira de Belo Horizonte, Aysla Pirv (foto ao lado), faturou o primeiro lugar. "Depois do segundo lugar, eu não esperava mais nada. Meus amigos sabem como eu estava nervosa", diz atônita. O segundo lugar foi para a drag Tatiana Kiznelo, da cidade do Rio de Janeiro. "Eu não esperava. Não sei nem o que dizer", falou emocionada.
Já o terceiro lugar ficou com a drag Vitória Queen, de Macaé, que levou o prêmio de R$ 1000. "Estou emocionada! É a primeira vez que participo de concurso. Tudo é novidade! Não imaginava, porque fui indicada. Sem sombra de dúvida, foi um barato", disse radiante.
Para julgar as candidatas, a idéia inicial era de um júri popular, mas, segundo o organizador do evento Rogério Belo, ficaria complicado. A opção foi formar um corpo de jurados entre as convidadas especiais. As ilustres presenças foram: Rogéria, Jani de Castro, Laura D´Vison e Lola Batalhão.
A homenageada da noite foi Rogéria. "Ela é uma pessoa que sempre respeitei, acho que todo mundo gay tem que respeitar, visto que ela é a primeira travesti do Brasil que, realmente, assumiu esta condição. É uma pessoa que deu a cara para bater. Veio desbravando caminho para tudo isso que está acontecendo", diz Belo.
Os critérios para a seleção foram a melhor dublagem, maquiagem, boa apresentação e adequação da escolha da música com a performance.
As candidatas em apresentação
![]() Aysla Pirv - 1º lugar |
![]() Tatiana Kiznello - 2º lugar |
![]() Vitoria Queen - 3º lugar |
![]() Mathias |
![]() Guiellyka Cyber |
![]() Alice Bombom |
![]() Jill Nicolas |
![]() Dimitria Adams |
![]() Rubia Salvation |
![]() Luna Galtier |
![]() Xayene Velasques |
Organização
Um dos objetivos do primeiro Drag Brasil Show era a pontualidade, já
que muitas pessoas reclamavam que Miss Brasil Gay começava atrasado.
O organizador do evento Belo disse que não queria cometer o erro de anos anteriores, por isso marcaram para o concurso começar às 23h. "É a nossa primeira produção, é uma festa grandiosa. Estipulamos 23h contando com possíveis atrasos", explica Belo. Apesar disso, o show teve início somente à meia-noite. Só que desta vez, quem demorou a chegar foi o público.
Mas isso não abalou as estruturas. Como disse a apresentadora do concurso
Fernana Müller "tudo é uma incógnita", afinal é a primeira vez deste
evento e como lembrou um dos gogo boys de Lola Batalhão, Jonata, "a
primeira vez a gente nunca esquece".
Belo, organizador do evento, sabe muito bem disso e ressaltou que o pouco tempo foi o maior problema que eles enfrentaram. "O anúncio da ausência do Miss Gay foi recente", diz. Ele explica que não foi logo em seguida que decidiram realizar o Gay Brasil Show. "Depois, de um certo tempo, é que fomos perceber a lacuna que isso causaria e criamos essa idéia para suprir a falta do Miss Gay", explica. Belo foi, então, convidado para idealizar a noite do Gay Brasil Show.
Um dos produtores do evento Iuri Girardi falou que, mesmo com o pouco
tempo para organizar a festa e o concurso, procuraram fazer uma estrutura
que não fosse complicada. "Ficou muito bom. O efeito das luzes, com os doze
movie lights, o telão, tudo é bacana", diz. Além disso, muitas pessoas
trabalharam por trás do show, entre garçons, seguranças, barmen, equipe
técnica e coordenadores.
E não podemos esquecer da noite eletrônica, que aconteceu depois do concurso. Embalada pelos DJs Johnny Luxo e Sandro, a galera pôde dançar até o dia amanhecer e curtir a balada com vários estilos de música eletrônica e Gogoboys. Para relaxar, o dark room foi o local escolhido. Sofá, cama? Que nada! Esta foi a sala que, segundo Girardi, existia somente "gente e desejo".
Apresentação
Fernanda Müller ficou orgulhosa por ter sido a escolhida para apresentar o
concurso, juntamente com Fabrício Maciel. Ela, antes de começar a festa,
disse estava contando com o sucesso do Gay Brasil Show. "A direção de
Rogério Belo é fantástica", disse. E fez questão de enfatizar que este
concurso é bem diferente do Miss Brasil Gay. "É mais moderno e dinâmico. As
drags apresentam um espetáculo na passarela, com músicas bem alto-astral".
A abertura do concurso foi feita pelo Ballet Contemporâneo do Rio de Janeiro, com direção do coreógrafo Fábio de Melo. O show lembrou cenas do musical Hair, da década de 1970, em que hippies possuíam conceitos nada convencionais.
Em seguida, foi a vez da apresentação do corpo de jurado e convidadas especiais. A hora mais esperada chega: o concurso. Apresentaram-se as concorrentes, com estilos como a sadomasoquista, oriental, punk, circense e clássica.
O público também assitiu ao show de Hanna Suzart e GoGoboys,. Antes de anunciarem o resultado do concurso, o público pôde assistir a mais um show, com uma performance irreverente do paulista Alysson Clovis, fantasiado, nada mais, nada menos, de privada. A tampa na cabeça, a maquiagem... bem... você pode imaginar.
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