Uma cidade mais colorida e diversificada na luta contra o preconceito. Assim a V Parada Gay de Juiz de Fora reuniu milhares de pessoas entre homossexuais, simpatizantes e curiosos, acompanhando os cinco trios elétricos do evento. Todos comandados por DJ´s que agitaram o público com muito tribal house.
Os trios, que já se aqueciam na Avenida Rio Branco, interromperam as
músicas para que os organizadores do evento ressaltassem a importância
da festa. O
presidente do Movimento Gay de Minas, Oswaldo Braga foi o
primeiro a falar. "Vamos lembrar que nosso lema é
'Por um mundo sem machismo, racismo e homofobia' e essa é nossa causa"
.
Oswaldo fez um pedido aos presentes. "Pessoal, peço uma coisa: não vamos
votar em políticos homofóbicos"
, declarou.
Em seguida, o público ouviu os discursos do representante do grupo adolescente do MGM, Jader Ribeiro e de um dos diretores do movimento Marcos Trajano . Ambos chamaram a atenção para defesa dos direitos dos homossexuais.
Recado passado, foi a vez da cantora juizforana
Yanna
cantar o Hino Nacional e, em seguida, o considerado Hino Gay "I will survive",
acompanhada de Marlos Vinícius no violão e Fernanda
Malta na percurssão. A música animou o público que ficou ainda
mais agitado no momento do tradicional beijo. "Nada melhor para
expressar um momento de
paz, união e diversidade como esse, do que um beijo"
, disse Oswaldo que
em seguida, beijou seu companheiro Trajano, para
delírio de militantes gays,
lésbicas, bissexuais, transgêneros de Juiz de Fora e de várias partes do país
que acompanharam a Parada.
Depois foi só esperar a contagem regressiva e começar a curtir o embalo dos trios elétricos da Parada Gay. Atrás do trio principal, uma grande bandeira com as cores do arco-íris foi estendida sendo agitada pelo público, lembrando as grandes torcidas de futebol. Gravatas, bandeirinhas coloridas e os adereços cor de rosa, como os arquinhos, foram sucesso na avenida.
O percurso que começou oficialmente em frente ao Parque Halfeld interrompeu o trânsito nas principais avenidas da cidade. Seguindo pela Rio Branco, os trios desceram a Avenida Independência e terminaram seu trajeto na Praça Antônio Carlos, onde uma estrutura de pista de dança e de tendas funciona desde a última quarta-feira, dia 15 de agosto.
Homossexuais e também casais héteros acompanharam a Parada Gay. Para Marcos Trajano
a parada é o exemplo de como as pessoas podem ser felizes se respeitarem
as diferenças. "Esse aqui é um grande exemplo de coletividade. É bom
todos verem que quando a comunidade se mobiliza é possível paz e que é saudável
todos viverem bem. O diferencial esse ano foi que primamos pela segurança
e conforto do público "
, destaca.
Para Oswaldo, a festa não poderia estar melhor. "Temos cem mil pessoas aqui.
A recepção está maravilhosa e o sucesso está garantido"
, comemora. O casal de
Belo Horizonte Felipe Santos e Carlos Sampaio,
destacam a recepção de Juiz de Fora para receber o público gay. "A cidade
está toda enfeitada, estrutura é muito boa para nos receber. O povo é mais
civilizado e respeitam nossos direitos aqui"
, contam.
Felipe afirma que já foi em todas as paradas gays do Brasil, mas só
volta nas de Juiz de Fora e São Paulo. "É o quarto ano consecutivo que
a gente vem para cá. Sem dúvida a melhor Parada Gay do país, junto
com a de São Paulo"
, ressalta.
"Uma cidade do interior, de um estado conservador que é Minas Gerais, receber
os gays desse jeito é um avanço muito grande e coloca Juiz de Fora na frente"
,
acredita Carlos.
Além do público GLBT,, os curiosos chamam a atenção na festa. Várias pessoas
fotografam tudo e tiraram fotos junto com as Drags Queen mais
enfeitadas. "Somos simpatizantes e viemos nos divertir"
, conta Wanderson
Braze, reunido com um grupo de amigos.