Rainha da Parada Gay de Juiz de Fora A juizforana Márcia Oliveira é a primeira mulher a ocupar o posto na cidade. Negra e lésbica ela se encaixa perfeitamente no tema da edição 2007 do movimento
Repórter
25/07/2007

A poderosa da vez é ela mesma: Márcia Oliveira é a rainha da edição 2007 da Parada do Orgulho Gay e da Cidadania de Juiz de Fora. Militante lésbica, ativista, ela promete arrasar antes e depois do evento do dia 18 de agosto.
Nascida e criada em Juiz de Fora, a técnica em processamento de dados de 26 anos diz que está muito feliz em ter sido escolhida para carregar a faixa. Essa é a primeira vez que a rainha da parada em Juiz de Fora é do sexo feminino.
Márcia representa em uma única tacada o tema que as paradas do todo o Brasil se propuseram a levar às ruas neste ano - "Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia".
"Sou negra, lésbica e mulher, e por se encaixar perfeitamente em
toda a descrição do tema das paradas, o MGM me escolheu.
Já está na hora de toda sociedade discutir todos os tipos de
preconceito"
, complementa a rainha.
Márcia também acredita que o fato de, pela primeira vez o movimento gay ampliar a discussão do preconceito para além da questões homossexuais, vai fazer com que ele ganhe mais adeptos.
E para quem não sabe qual a função de uma verdadeira rainha, a estreante explica - além de ser o símbolo de toda a discussão e reflexão do ato que acontece na cidade, ela também deve representar o movimento organizado homossexual de Juiz de Fora em outros eventos ligados ao tema.
"Já fui para São Paulo, para Belo Horizonte, participei de seminários
de um grupo de lésbicas organizadas. Mesmo depois da parada, a luta continua"
, diz.
Segundo Márcia, a principal reivindicação discutida no momento é conseguir
a aprovação do projeto de lei que faz com que o homofobia seja enquadrado
como crime.
Preconceito x Juiz de Fora
A rainha também tem opiniões fortes e formadas. Desde que assumiu sua sexualidade, há seis anos, Márcia Oliveira diz que já passou pelas mais diversas situações e polêmicas.
Questionanado sobre qual das três variáveis - raça, opção sexual ou sexo - acaba sendo mais discutida ou menos aceito pela sociedade, ela é enfática: acredita que ainda há muito o que evoluir em todos os três campos, mas que a homossexualidade ainda é o maior tabu.
"Por isso queremos que a homofobia seja crime também. As pessoas
respeitam
menos talvez também porque acreditam que podem falar o que quiser.
E ainda há outra coisa. A homofobia anda de braços
dados com o machismo, então são duas vezes mais pessoas para implicar
com o assunto"
.
Mas para Márcia, Juiz de Fora é uma cidade que está além do seu tempo no que no respeito às diferenças. Para a militante, "apesar da aceitação não ser ideal, o respeito é muito maior que em outros lugares"
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