A VI Parada do Orgulho GLBT de Juiz de Fora reuniu mais de cem mil pessoas, entre homossexuais, simpatizantes e curiosos neste sábado, dia 16 de agosto. Por volta das 13h o público já se concentrava no Parque Halfeld à espera dos trios elétricos.
Este ano, o evento contou com três trios, dois a menos que no último ano.
"Trabalhamos com 35% do orçamento de 2007 e mesmo assim a festa esteve com segurança,
banheiro químico e toda estrutura necessária"
, afirma um dos diretores do MGM,
Marcos Trajano.
A abertura oficial da Parada Gay aconteceu ao som da dupla Gean & Roger que entoou o Hino Nacional. Em seguida, o momento do tradicional beijo. Como todos os anos, o presidente do Movimento Gay de Minas (MGM) Oswaldo Braga beijou o companheiro Trajano, incentivando a manifestação de carinho dos homossexuais em público.
Se nos anos anteriores havia rei e a rainha representando o movimento, em 2008
os súditos, ou seja, os presentes, assumiram a responsabilidade, transformando-se em
majestades. "A luta contra a homofobia não é só dos gays, é de Juiz de Fora, é
de todos"
", ressalta Braga.
Considerada a maior manifestação de homossexuais do mundo, a Parada abordou o tema "Homofobia mata! Seu voto vale uma vida!". Em ano de eleição, os organizadores do evento chamaram a atenção para a consciência do voto. Braga pediu para que o público não votasse em políticos homofóbicos.
Saindo do Parque Halfeld, local da concentração, o público foi atrás dos trios elétricos, percorrendo a Avenida Rio Branco, depois descendo a Avenida Independência até chegar na Praça Antônio Carlos. Enganou-se quem pensou que a festa acabaria no final do percurso, pois no local uma estrutura de pista de dança e de tendas esperava as pessoas para continuar a festa.
Para Trajano, a importância da Parada Gay é trazer movimentação financeira para a
cidade. "O comércio se enfeitou para receber os turistas. Alguns setores registram
crescimento de 20% a 30% durante a Semana Rainbow"
. Ele lamenta, entretanto, que
o evento não faça parte do calendário oficial de Juiz de Fora.
O estudante Sérgio Leal prestigiou pela primeira vez no evento em Juiz de Fora. Ele é de Belo Horizonte e veio a convite de amigos. Para o estudante, a Parada é um movimento fundamental para que os homossexuais possam se expressar.
A primeira transexual de Juiz de Fora Cristhiane Mello (foto abaixo) participa desde a primeira
edição da Parada. "É um evento bonito, que a cada ano se supera. Mostra que temos
que respeitar o direito de cada um. O ser humano faz o que sente melhor, não magoando e
nem desrespeitando ao próximo"
.
O estudante Felipe Almeida também acompanhou o evento pela primeira
vez. "Quis sabe como é a Parada em Juiz de Fora e também conhecer um companheiro.
Meu amigo conheceu um cara no ano passado e por isso resolvi participar"
.
A professora de educação física Míriam Brandão, ficou olhando a Parada
Gay passar pela Avenida Rio Branco, de um ponto de ônibus. Ela encara o evento como
uma festa, mais do que como uma manifestação.
Tiveram curiosos que não acompanharam a Parada Gay na Avenida, mas sim da janela, da sacada ou da cobertura. E animação não faltou a esse público, que acenou e vibrou junto com que estava na pista.