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    O perigo dos ossos de couro

    Isabela Micherif Isabela Micherif 13/07/2019

    Quando começamos a entender a alimentação natural para cães e gatos e conhecermos os benefícios trazidos por um estilo de vida mais saudável e mais próximo da ancestralidade dos nossos pets, acabamos por procurar outras formas de aproximá-los dos seus instintos e das suas necessidades. Essa mudança de atitude do tutor faz um bem enorme para os peludos, já que além de torná-los mais saudáveis, ativos e dispostos, também podemos contribuir para que sejam mais equilibrados.

    Dentre os hábitos que nossos peludos trouxeram da sua ancestralidade está o de roer. Cães, principalmente, adoram roer! Este é um hábito saudável, pois além de fortalecer a musculatura facial e cervical, o ato de roer é uma distração que ajuda a combater o estresse e a ansiedade, além de auxiliar na limpeza dos dentes. Mas é preciso ter muito cuidado com o que você oferece para o seu cãozinho.

    Sabe aqueles ossinhos brancos de couro que encontramos na maioria dos pets shops e que nossos cães amam passar horas e mais horas mastigando? Eles representam um perigo real para o seu melhor amigo!

    Esses "ossinhos", aparentemente inofensivos, passam por um processo industrial que inclui banhos em produtos químicos tóxicos para que não apodreçam e para que cheguem na coloração branquinha. Além disso, por não serem considerados como alimento pela FDA (Food and Drug Administration, órgão responsável por alimentos e fármacos nos EUA), não passam pela supervisão deste órgão, o que deixa os fabricantes livres para aplicar qualquer tipo de cola, a fim de deixar o "osso" mais durável.

    Um absurdo, não é? Mas ainda tem mais: pesquisas em laboratórios detectaram presença de resíduos de chumbo, arsênico, mercúrio, formol e outras substâncias tóxicas  nos ossos de couro.

    E não para por aí. Esses "ossos" soltam grandes pedaços ao serem mastigados.  Caso ingeridos, esses pedaços podem causar obstrução no estômago ou intestino, sendo necessária cirurgia para remoção. Em alguns casos, pode levar o animal a óbito.

    Você já deve ter reparado, também, que algumas partes, após mastigadas, tornam-se um verdadeiro "chiclete". Esses pedaços, se engolidos, podem causar obstrução do esôfago e levar ao sufocamento, com consequente óbito.

    Mas existe uma opção para que seu cãozinho possa exercitar esse hábito de forma saudável?

    Existe sim. São os ossos recreativos ou alimentos desidratados, como orelhas de boi ou de porco, por exemplo.

    Ossos recreativos são ossos crus, que você encontra em açougues. Os melhores são aqueles que ainda possuem uma pequena camada de carne, assim serão mais atrativos e acarretarão menos riscos de fratura dos dentes. Podem ser utilizados joelhos de boi ou porco, escápula, ossos da bacia (alguns são muito grandes, mas é possível pedir para que cortem no açougue). O importante é que o osso seja maior que a boca aberta do seu bichinho, assim não há risco de engolir.

    Para cães miniatura, o pé de galinha pode ser usado como osso recreativo (as unhas devem ser retiradas).

    E qual a forma correta de oferecer os ossos recreativos? Por serem ossos crus, eles devem passar pelo congelamento profilático, o que significa que será necessário deixá-los no freezer por, pelo menos, 3 dias e descongelar na geladeira.

    Após o descongelamento, o cãozinho já pode começar a roer. Não deixe o cão roer o osso o dia inteiro ou por muito tempo seguido, pois caso ele retire toda a carne e passe a morder a parte dura, pode causar fratura nos dentes. Uma hora é o suficiente e sempre sob supervisão. Passou esse tempo? Retire e jogue no lixo.

    Não recomendamos que os ossos sejam fervidos ou cozidos, pois o cozimento altera a estrutura do colágeno, tornando os ossos mais duros e mais indigestos. Pela mesma razão não recomendamos os ossos defumados.

    Já as orelhas ou petiscos desidratados podem ser oferecidos como petiscos (com moderação!) e não há dificuldade de encontrá-los para comprar.

    Pense sempre em oferecer ao seu pet produtos naturais, que mais se aproximem do que ele comeria caso estivesse livre na natureza. E nunca esqueça: seu cão é descendente dos lobos e, embora domesticado, muitos dos comportamentos e necessidades dos ancestrais ainda estão presentes na vida dele. 

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    Isabela Micherif
    é graduada em Direito, pós-graduada em Direito Público, trabalhou por dez anos na área de Direito Ambiental, sendo cinco na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMAD) e cinco como assessora no Ministério Público de Minas Gerais. Depois desde período, deixou o trabalho no escritório para levar mais saúde e qualidade de vida a cães e gatos, por meio da alimentação natural. É proprietária e pet chef na empresa Cozinha Pet – alimentação natural para cães e gatos.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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