Fotógrafos de Juiz de Fora investem no ramo pet book

Encantadores pela inocência e amor incondicional  aos seus cuidadores, cães e gatos têm se tornado modelos das lentes profissionais


Angeliza Lopes
22/07/2017
Foto: Cristiane Tonelli

O mercado pet cresce a cada dia em resposta ao aumento do número de animais de estimação nas casas de todo o país. São mais de 50 milhões de cães e 22 milhões de gatos de estimação, conforme dados divulgados ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, a mudança nas relações entre os donos e seus bichinhos estimula a expansão de produtos e serviços voltados para este nicho. Um deles é a fotografia profissional.

Encantadores pela inocência e amor incondicional aos seus cuidadores, cães e gatos têm se tornado os novos modelos das lentes profissionais de fotógrafos em Juiz de Fora, que descobriram o novo ramo já comum no Rio e São Paulo, conhecido como: pet book.

Depois de perder seu poodle Luke, Cristiane Tonelli percebeu que não tinha muitas fotos com seu amigo para guardar de recordação. Pensando em não repetir o equívoco com o novo amigo Tico, um lhasa apso que ganhou há dois anos, ela comprou uma câmera e começou a clicar. A fotógrafa conta que quando percebeu que gostava do que fazia, decidiu estudar e iniciar cursos para se aperfeiçoar. “Não tinha planos de fotografar pessoas. Os animais são espontâneos, não fazem pose, não há nenhuma "maquiagem ideológica" por trás de uma língua de fora, assim como há por trás de muitos sorrisos”, destaca.

Foto: Deca MachadoO amor pelos animais também aproximou a fotógrafa há 13 anos, Andrea Machado de Melo, mais conhecida como Deca Machado. Ela diz que sempre esteve perto dos animais e já teve cães das raças beagle, cocker spaniel, poodle, mas que, atualmente, só tem uma gata. “Como moro em apartamento, não posso ter cães, mas quando me mudar, vou voltar a ter, com certeza. A minha gata foi uma das que resgatei da rua, ainda filhote. Ela chegou a ir para adoção, mas voltou para minha casa e não vai sair mais. Depois de resgatá-los, eu castro e coloco para adoção”, explica Andrea, que também é protetora.

Depois da longa trajetória pelas lentes profissionais em diversos nichos, ela iniciou seus trabalhos de ensaio pet há quase um ano, quando foi convidada para fazer a cobertura fotográfica do Blocão - durante o Carnaval deste ano. “Desde então, já fotografei entre 30 a 40 famílias com seus animais”, conta. Agora, Deca prepara uma exposição que estará à mostra durante o evento York Day, que acontecerá, dia 20 de agosto, na Praça Cívica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Com tema 'Au mor', as imagens vão mostrar 35 famílias com seus pets. "Para mim não existe diferença entre animal e ser humano. Muitas pessoas acham um absurdo investir emocionalmente em um animal, como se eles não fossem também seres vivos. A exposição vem tentar quebrar este tabu de que não podemos amar da mesma forma um pet e um ser humano".

Amizade eternizada

O bancário Francisco Antônio Rodrigues quis eternizar sua relação de amizade com o bulldog inglês Torhu, de 4 anos, através de um ensaio fotográfico. Ele narra que via muita divulgação nos grandes centros sobre os pet books e ficou com vontade de registrar os bons momentos que tinha com seu cão e dar o valor necessário ao amor que um tem pelo outro. “Queria deixar gravado os momentos de felicidade que tenho com ele. Eu acredito muito no amor das pessoas, mas o amor que os cachorros passam para nós, realmente é único. Todo ser humano deveria ter um animal de estimação para saber como esse amor é inigualável!”.

Além de Torhu, o bancário tem a bulldog inglês Gaya, de 2 anos e seis meses, que está prenha. Para registrar o nascimento dos filhotes e comemorar o Dia dos Pais, ele fará novo ensaio fotográfico em agosto. “Gostei muito da primeira experiência e como será a primeira cria da Gaya, vamos fazer um ensaio do casal e os pequenos para lembrar a data e celebrar o dia dos pais”, diz.

Técnicas pet book

Registrar o melhor ângulo, momento e expressão dos cães exige maior dedicação dos profissionais. Cristiane afirma que a paciência deve vir em primeiro lugar. Outras dicas são os famosos petiscos preferidos para prender a atenção do animal. Conhecer um pouco a raça e conversar com o dono sobre o temperamento do cachorro são outros artifícios usados para entendê-lo. “Depois dos laços estreitados até aposto em poses mais ousadas”, brinca a fotógrafa.

Fotógrafo há 18 anos no setor de publicidade, Henrique Mangeon ingressou no ramo pet a pouco tempo, mas já entende que para as fotos darem certo é preciso entrar no clima do cão. “Eles não atendem o comando da mesma forma. Já tinha fotografado um cachorro totalmente treinado com adestrador para a TAM. Agora,  há pouco tempo, tive oportunidade de fotografar a Mafalda Christina, do repórter Luiz Felipe Falcão. A dalmata de olhos claros, muito brincalhona e agitada, foi um desafio. Levei 2 horas e 30 minutos para conseguir o melhor resultado”, conta.

Foto: Henrique MangeonOutra tática de Mangeon foi firmar uma parceria com o adestrador Allan Ragazzi, para que possa participar, caso o cliente tenha interesse, dos ensaios ao ar livre. “É impressionante como ele tem total domínio do cachorro, como se soubesse conversar com o animal. Para o espaço aberto, ele pode contribuir muito. Já tentei fazer fotos em estúdio, mas os pets não se sentem tão à vontade e se assustam muito com todos os equipamentos”, relata.

Mesmo com toda experiência que tem com animais, Deca também já teve situações inusitadas. “Peço que o dono sempre leve seu cão com a barriguinha vazia para ficar atento com os petiscos. Sou muito íntima deles, são meus amigos, mas teve uma vez que acabei levando uma mordida. Mas, também ganho muitas lambidinhas. Muito bom ter um reconhecimento que não é corrompido pelo ego, eles dão carinho e o resultado é muito bonito”.

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