9º Festival Internacional
de Música Colonial Brasileira
e Música Antiga

Arquivo: 11 a 26 de julho de 1998


Noite de Abertura:

Orquestra da Unesp leva grande público ao Theatro Central

Repórter: Luciana Mendonça

Não se importando com a noite fria deste último sábado, dia 11, famílias, casais de namorados, idosos, jovens, crianças, enfim, um público bastante eclético compareceu ao Theatro Central, na abertura do 9º Festival de Música Antiga. No palco, a Orquestra de Câmara da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), sob regência do maestro Ayrton Pinto.

A noite pôde mesmo figurar como uma ponte de ligação entre o período barroco e o século XX. Música e cenário pareciam transportar a platéia para um tempo em que a obra de arte era irreprodutível e a era eletro-eletrônica não passava de previsão de bruxos. A reprodução não foi de fato possível, já que a casa não permite flashes, por danificarem a pintura. Como que hipnotizado, o público se via entre anjos esculpidos nas paredes e violinos embalando a noite com peças de Vivaldi, Grieg e Tschaikowsky.

A Orquestra da Unesp fez em Juiz de Fora sua primeira apresentação fora de São Paulo. Criado em 1990, o grupo já realizou inúmeros concertos, com uma programação que vai desde o Barroco até o século XX, incluindo compositores brasileiros. O maestro é formado pelo Conservatório Brasilleiro de Música e pelo New England Conservatory of Music de Boston, EUA. No Central, os calorosos aplausos da platéia foram agradecidos com bis de Mozart, Vila Lobos e, por último, um inusitado som tocado diretamente com as mãos.

A Segunda apresentação do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga aconteceu no dia 12, também no Theatro Central, com o Madrigal Renascentista, de Belo Horizonte. O Festival, que vai até o dia 26 de julho, trouxe este ano participantes de vários estados brasileiros e de outros seis países. Os recitais são gratuitos, entretanto, é preciso adquirir convites com antecedência para as apresentações no Teatro Pró-Música.



Festival atrai mais de mil artistas a Juiz de Fora

As atenções da Europa e do Brasil se voltam para Juiz de Fora. A cidade respira a arte dos séculos XVII e XVIII com o Festival de Música Antiga

Com a apresentação de abertura, no dia 11, da Orquestra de Câmara da Unesp, Juiz de Fora está sendo, pela nona vez, palco do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga. Entre os dias 11 e 26 de julho, teatros, igrejas, centros culturais, shoppings centers, agências bancárias e ruas da cidade passam a ter apresentações diárias com grandes nomes da música clássica nacional e internacional. A organização é do Centro Cultural Pró-Música. Evento de destaque no calendário nacional de música erudita, o Festival reúne mais de 1000 artistas, entre professores, estudantes e concertistas. Próximo às comemorações dos 500 anos do país, o trabalho reforça o resgate da memória musical do Brasil Colônia.

A programação de concertos inclui também atrações como o grupo norueguês Kalenda Maya, especializado em música medieval, que se apresenta no dia 16, às 20h, no Teatro Pró-Música. O teatro do Centro Cultural Pró-Música recebe também o concerto cênico do Conjunto Roberto de Regina, dia 17, às apresentações do grupo Anima, de Campinas, dia 20, e do quarteto Puttanesca Ensemble, formado por ingleses e brasileiros em Londres, dia 22. A Orquestra Sinfônica Petrobrás, Ole Böhn, Simone Leitão, Elisa Fukuda, Vera Astrachan, Camena e Coral BDMG são outros destaques da programação, que encerra no dia 26 com a apresentação da Orquestra de Câmara Stravinskij, da Itália, no Cine-Theatro Central.

Dentro da programação cultural paralela, alunos do Festival, grupos locais e de outras cidades vão dividir palcos improvisados em frente ao Cine-Theatro Central, na Rua São João, Banco do Brasil, Banespa, Caixa, Mister Shopping e Santa Cruz Shopping. Entre as atrações estão Lúdica Música, Orquestra de Jazz Pró-Música, Coro Municipal, Tânia Bicalho, Quarteto Pró-Música, Grupo Chorinho e Camerata de Violões de Pirassununga. Na galeria Renato de Almeida, no Pró-Música, o público vai poder conferir a mostra de artes plásticas "O Barroco".

Durante a realização do Festival, acontece o III Encontro de Musicologia Histórica, entre os dias 18 e 20 de julho. Com o tema "Estilística Musical Comparada", o encontro privilegia uma troca de conhecimentos e informações sobre a Música Colonial. Nas palestras, seminários e conferências, pretende-se incentivar o estudo semiológico ligado à música.

Compreender e resgatar a história da Música Colonial Brasileira é o principal objetivo do Festival. Durante as duas semanas do evento, são transmitidos os conhecimentos sobre os mestres, as escolas, as influências recebidas, as dificuldades na preservação e na divulgação .

Os participantes têm aulas teóricas e cursos voltados para a prática do ensino de instrumentos modernos e antigos, além de oficinas de orquestras. Obras recém-restauradas e inéditas são trabalhadas durante as aulas e apresentadas em audições públicas. Os instrumentos barrocos costumam ser a grande atração nos cursos, em que os alunos aprendem a tocar fagote, alaúde, cravo, traverso, viola da gamba, violino e violoncelo barrocos.

O trabalho vai resultar na gravação do VII CD. Os melhores alunos serão selecionados nas oficinas de orquestra para participarem. Eles vão gravar "Matinas para a Assunpção de Nossa Senhora", de autor anônimo. A Orquestra de Câmara e o Coral Pró-Música gravam "Ladainha em Fá", de J.J. Emerico Lobo de Mesquita.

Conteúdo Recomendado

Comentários

Ao postar comentários o internauta concorda com os termos de uso e responsabilidade do site.