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    Intelectuais juizforanos recebem com
    pesar a morte de Nelson Werneck Sodré

    Luiz Sergio Henriques
    15/01/99

    A morte de Nelson Werneck Sodré priva nossa cultura de um trabalhador intelectual na verdadeira acepção do termo. Nascido em 1911, Sodré deixa um legado de mais de meia centena de títulos publicados, abrangendo campos tão distintos como a história política, a história militar, a literatura, a geografia, a história do jornalismo, a memorialística, a intervenção política imediata, etc. Mas sempre com um eixo comum: aprofundar o conhecimento do Brasil, numa visão ao mesmo tempo crítica e apaixonada, porque voltada para as possibilidades de transformar o país num sentido democrático e socialista.

    Sodré foi um destes raros intelectuais capazes de construir uma imagem do Brasil: polêmica em certos aspectos, questionável em outros (como na conhecida tese da feudalidade), mas sempre inestimável. Um intelectual "público", este tipo cada vez mais raro de intelectual que serve de referência teórica e política para seus contemporâneos.

    Estudioso de prestígio, homem do Iseb, militante do Partido Comunista Brasileiro, marxista, soldado, cidadão honrado, fiel a suas convicções, num tempo em que o canto da sereia liberal enleva a tantos com passado de esquerda, num espetáculo triste de transformismo político: de Sodré não se pôde nunca ouvir este pífio "esqueçam o que escrevi".

    E um de seus livros mais conhecidos e úteis é "O que se deve ler para conhecer o Brasil": com certeza, muitos livros de Nelson Werneck Sodré já se tornaram indispensáveis para se conhecer o Brasil. Coroação maior para uma vida, impossível.

    O juizforano Luiz Sergio Henriques
    é editor da página Gramsci e o Brasil,
    em www.artnet.com.br/~gramsci


    Sobre Nelson Werneck

    Nelson Werneck Sodré, historiador, 87.

    Desde o lançamento do seu primeiro livro, "História da Literatura Brasileira - Seus Fundamentos Econômicos", em 1938, o historiador Nelson Werneck Sodré tentou traçar um perfil da sociedade brasileira. Sempre com uma perspectiva econômica da história, Sodré deu importante contribuição para a historiografia nacional.

    Sodré foi professor na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, onde ocupou a chefia do curso de História Militar. Foi um dos fundadores do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB) nos anos 50, orgão de assessoria do governo federal. O historiador teve os direitos políticos cassados em 1964 durante o regime militar por não apoiar o golpe e manter suas posições em defesa do marxismo. Entre seus livros mais conhecidos está "História da Burguesia Brasileira".

    A Editora Grahia, do Rio de Janeiro, vinha desde 1995 republicando os principais livros do autor como "Panorama do Segundo Império", lançado em 1939. Em 1995, Werneck doou à Biblioteca Nacional seu acervo de documentos que contavam boa parte da história contemporânea do país, que incluia a troca de correspondência com os escritores Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos, o historiador Caio Prado Júnior e o presidente de Cuba, Fidel Castro. Também em 1995, Nelson lançou seu último livro "A Farsa do Neoliberalismo".

    General da reserva, professor aposentado e crítico literário, Werneck morou durante anos em Botafogo. Atualmente morava em Itu, cidade natal de sua mulher, segundo ele para fugir do calor da cidade. Nelson morreu aos 87 anos na Santa Casa de Misericórdia de Itu, na noite do dia 13 passado. Seu corpo está sendo velado no Velório Municipal de Itú, e amanhã será enterrado pela manhã no cemitério da cidade. O atestado de óbito aponta morte por falência múltipla de órgãos.

    Fonte: http://www.oglobo.com.br

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