Juiz de Fora 150 anos em um minuto:
Os fatos e personalidades que construíram a história da cidade.
Novas crônicas todos os dias, de segunda a sexta.
Uma iniciativa da Rádio FM Itatiaia e do JFService

26/06/2000

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Jardim da infância Mariano Procópio
Até o final dos anos 60, quem vivia em Juiz de Fora e passava pelo Largo do Riachuelo, Av. dos Andradas, se lembra do jardim da infância que existia onde hoje se localiza o monumento de gosto meio duvidoso que é mais conhecido como chapéu de mexicano. O bonde do jardim da infancia recolhia os alunos nos bairros da cidade e parava ali em frente ao colégio. As próprias professoras tratavam de parar o trânsito que era pequeno na época e era uma alegria apreciar a criançada descer em fila do bondinho e se dirigir as salas de aulas nos seus uniformes tradicionais nas cores vermelho e branco. Em nome do progresso, acabaram os bondes e mudaram o jardim de infancia de lugar. Por muitos anos, sem uma sede própria e já com o nome de Grupo Escolar Mariano Procópio o colégio perambulou por vários lugares e só não foi extinto devido ao esforço e dedicação de professoras e diretoras que lutaram por sua manutenção junto à vários governos estaduais. Hoje, em local próprio, na Rua Morais e Castro no Alto dos Passos o Mariano Procópio mantém sua tradição e recentemente os seus alunos receberam a visita de seu mais importante ex - colega, governador Itamar Franco (foto), que autorizou uma grande reforma no colégio.

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Família Sotto-Maior em Juiz de Fora
A importância da tradicional família Sotto-Maior extrapola os limites de Juiz de Fora quando o assunto é oftalmologia. Na cidade, as quatro óticas da família estão completando 80 anos de fundação, mas pouca gente sabe que foi o ótico Aristides Sotto-Maior quem trouxe para o Brasil a correção visual do astigmatismo, no ano de 1914. Até então, só havia no país a correção visual para perto ou para longe. O avanço só foi possível com as máquinas cilíndricas para fabricar as lentes de óculos, trazidas por Sotto-Maior. Com esta nova tecnologia, as lentes passaram a corrigir simultaneamente os problemas visuais para longe e para perto. O irmão de Aristides, Nilo Sotto-Maior também foi um pioneiro. Ele inaugurou em Juiz de Fora a primeira ótica de Minas Gerais no ano de 1920. A família continuou mantendo a tradição, com o filho mais velho de Nilo, Ruben Sotto-Maior, que formou-se em Oftalmologia na década de 40 e até hoje, aos 80 anos de idade, continua a trabalhar.

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Nicolau Schuery
Filho de imigrantes libaneses, Nicolau Schuery nasceu em São paulo no ano de 1921 e ainda criança veio para Juiz de Fora. Em 1940, começou sua carreira de industrial com a malharia São Nicolau, que veio a se tornar uma das mais importantes de Juiz de Fora fabricando as meias "long life" que eram conhecidas pela sua qualidade em todo o Brasil tornando-se um produto de exportação. Mas além de comerciante e industrial, Schuery se destacou também como homem público. Participou de campanhas como a realizada no primeiro mandato do Prefeito Ademar Andrade conseguindo verbas junto à população para comprar sulfato de aluminio para tratamento de água na represa João Penido. Foi eleito vereador em dois mandatos de 1952 até 1962, e foi eleito presidente da Câmara Municipal. Foi candidato a prefeito pelo PTB tendo como companheiro de chapa o então jovem engenheiro Itamar Franco que após esta primeira derrota acabou chegando a Presidência da República e ao Governo do Estado. Nicolau foi uma dos fundadores do Clube Sírio e Libanês, Av. Barão do Rio Branco, 3480, foi desportista jogando basquete no Olímpico era leal aos amigos e arriscou-se durante os anos de repressão ajudando a família de Clodesmidte Riani que estava cassado e preso pela Revolução. Certa vez, estava de macacão na sua fábrica, quando resolveu ir ao banco descontar umas duplicatas e o gerente nem quis recebê-lo. Foi em casa, pegou um terno de tropical inglês, uma camisa de seda francesa, uma gravata italiana, um sapato de cromo alemão, colocou num cabide e mandou tudo por um funcionário seu para o gerente com o seguinte recado: "Se a roupa vale mais que o homem, agora você pode descontar as duplicatas".

Créditos:
Texto e áudio - Equipe de Jornalismo Rádio FM Itatiaia JF
Edição Internet e recursos digitais - Equipe JFService / ArtNet

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