Traídos, eles ficam decepcionados
Ser trocado por outro diminui a auto-estima dos homens que,
hoje em dia, não se consideram machões

23/09/98

Numa pesquisa realizada recentemente na cidade de Porto Alegre, 27% das mulheres entrevistadas assumiram já ter traído um companheiro. E eles, o que sentem em relação à infidelidade feminina?

Decepção. É o que reconhece o estudante universitário de 22 anos, Luciano von Montfort Coelho e o funcionário público, 36 anos, Luiz Cláudio Reink. “Fiquei decepcionado com a falta de sinceridade da garota. Ela tinha uma história mal resolvida com um ex-namorado e não me falou nada”, conta Luciano. Luiz Cláudio admite que estava se dedicando e levava a sério um relacionamento que já durava um ano. “Ao perceber que não era correspondido, decepção foi a primeira coisa que senti, ” reconhece.

A sexóloga Marilza da Costa Roquette Vaz tem 13 anos de profissão e, atualmente, é professora de Psicologia Comportamental no curso de Psicologia do CES (Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora). Ela explica que para o homem é mais difícil perdoar uma traição porque toda sua auto-estima está baseada na ereção. “Na cabeça dele, o fato de ter sido traído vai fazer com que os outros pensem que ele não ‘funciona bem’, que é impotente,” afirma Marilza.

Segundo a sexóloga, a busca por emoções diferentes, sejam elas boas ou ruins, é o que leva o ser humano, de modo geral, a trair seu companheiro. No casamento ou em qualquer relação conjugal diária, cotidiana acontece o que os especialistas chamam de habituação sexual : os dois se acostumam um com o outro; são sempre os mesmos sinais, cheiros, toques, olhares. “O parceiro extra-conjugal não precisa ser mais bonito, nem mais novo ou mais rico. Ele apenas é diferente,” explica Marilza, que hoje em dia trabalha com casais em crise.

O próprio conceito de traição pode ser encarado de forma diferente. Para Antônio Carlos Dias Teixeiras, 29 anos, sargento do exército “sexo não é traição”. Ele se considera um homem moderno, o oposto do tipo machão. É casado há cinco anos, permite que a esposa trabalhe fora, não implica com suas roupas, embora admita ser ciumento. “Mas, não demonstro”, complementa. Antônio acredita que há traição apenas se houver envolvimento e encontros constantes com uma outra pessoa.

Para Luciano, a traição deve ser considerada quando estamos vivendo um relacionamento sério e estável. “Na adolescência não existe isso. Estamos em busca de emoções e raramente assumimos um namoro de verdade”. E acrescenta: “Cada pessoa encara este assunto de uma forma diferente, por isso, a sinceridade é fundamental numa relação”.

Luciano, Antônio e Luiz Cláudio não se consideram machões. Os três afirmam que não sabem como reagiriam hoje diante de uma traição feminina. A resposta é idêntica: “Ia depender das circunstâncias”. “Luciano, no momento, está sem namorada. Luiz Cláudio e Antônio são casados há cinco anos e afirmam nunca terem sido traídos por suas esposas.

Marilza diz que, geralmente, o homem tem uma reação mais agressiva quando descobre que está sendo traído. Alguns partem para a agressão física. Raramente perdoam e tendem a se vingar. “Ou começam a trair também, criando uma situação de disputa de poder, demonstrando grande imaturidade; ou, nos casos de separação, brigam pela guarda dos filhos mesmo sem desejarem realmente ficar com as crianças”, exemplifica.

Claro que há exceções. Um casal, que prefere não se identificar, já viveu uma situação que foge a essa regra. O relacionamento já durava mais de uma ano e ela ficou com outro. No dia seguinte, confessou tudo ao namorado e eles terminaram. Após quatro meses de separação, ela o procurou e eles retomaram o namoro.

“Faz um ano que tudo aconteceu. Procuramos não tocar no assunto para evitar brigas mas, às vezes, acaba acontecendo”, admite o rapaz. E continua: “Voltei porque gosto dela. Talvez eu a amasse mas hoje não sou capaz de afirmar isso. Estamos tentando retomar a confiança e solidez de antes e, sinceramente, acredito que estamos indo muito bem.” Se ele a perdoou? Ele silencia. É uma pergunta que permanece sem resposta.

Colaboração: Juliana Escobar,
estudante do 7º período
da Faculdade de Comunicação da UFJF

 

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